ULTRAÍSMO

A primeira vanguarda literária espanhola em língua castelhana surgiu entre 1918 e 1925, em redor do conceito de ultraísmo, rótulo em volta do qual se albergaria um movimento literário cujo fundador principal seria Rafael Cansinos-Assens (Sevilha, 1883 – Madrid, 1964) e que teria como principal animador Guillermo de Torre (Madrid, 1900 – Buenos Aires, 1971). O ultraísmo revelou-se principalmente através de manifestos e obras líricas dispersas em publicações como Los Quijotes (Madrid, 1915-1918), Cervantes (Madrid, 1916-1920), Grecia (Sevilha-Madrid, 1918-1920), Perseo (Madrid, 1919), Ultra (Oviedo, 1919-1920), Gran Guiñol (Sevilha, 1920), Reflector (Madrid, 1920), Ultra (Madrid, 1921-1922, a grande revista do movimento), Tableros (Madrid, 1921-1922), Horizonte (Madrid, 1922-1923), Prisma (París-Barcelona, 1922), Vértices (Madrid, 1923), Parábola (Burgos, 1923-1928), Tobogán (Madrid, 1924) ou Plural (Madrid, 1925), e através de publicações que, de uma ou outra forma, se aproximaram do movimento – Cosmópolis (Madrid, 1919-1922), Alfar (La Corunha-Montevideu, 1920-1954) ou Ronsel (Lugo, 1924). O ultraísmo promoveu também, como qualquer movimento de vanguarda que se prezasse, actividades públicas como a “Fiesta del Ultra”, celebrada a 2 de Maio de 1919 no Ateneu de Sevilha ou como a “Velada Ultraísta de Parisiana” a 28 de Janeiro de 1921. Em 1918 ocorrem acontecimentos fundamentais para a gestação do movimento: Espanha recebe, pela segunda vez, a visita do poeta chileno Vicente Huidobro (pai do creacionismo); é também o ano de nascimento da revista sevilhana (que depois se filiou em Madrid) Grecia, que passa do simbolismo tardio dos seus primeiros números ao território da vanguarda. Será, nesta revista, que aparecerá o “I Manifiesto Ultraísta” (X. Bóveda, C. A. Comet, F. Iglesias, G. de Torre, P. Iglesias Caballero, P. Garfias, J. Rivas Panedas, J. de Aroca, Grecia 11, Sevilha, 15 de Março de 1919), onde se indicam as primeiras premissas do grupo: “Nuestro lema será ‘ultra’, y en nuestro credo cabrán todas las tendencias sin distinción, con tal que expresen un anhelo nuevo. Más tarde, estas tendencias lograrán su núcleo y se unificarán. Por el momento creemos suficiente lanzar este grito de renovación y anunciar la publicación de una revista que llevará el título de Ultra, y en la que sólo lo nuevo hallará acogida”. A excessiva (e, provavelmente, ingénua) ambição do projecto (a par de uma certa indefinição de uma estética concreta, facto que originou não poucos equívocos) será ratificada nas palavras do apóstolo do grupo, Cansinos-Assens (“La nueva lírica y la revista Cervantes”, Grecia 12, Sevilha, 1 de Abril de 1919): “(…)las tendencias superatrices de Nietszche, D´Annunzio, Walt Whitman, Emerson, Verhaeren, el futurismo de Marinetti, el dinamismo manifestado en la lírica com los temas de la conquista de la mecánica, la vida intensa, los aeroplanos, G. Apollinaire, en su conjunción com el arte abstracto o ideal, las obras de Mallarmé, Trsitan Tzara, Max Jacob, F. Picabia, J. Cocteau, la revista Antología Dadá de Zurich y el Nord-Sud de París… han producido el ‘ultra’, que es algo que está más allá del novecentismo (…) Extrae elementos del futurismo, del dinamismo, del creacionismo que trajo V. Huidobro en su valija diplomática de novedades líricas del año 1918 (…) ‘Ultra’ señala un movimiento literario, no una escuela…”. A produção literária ultraísta será muito mais importante no que respeita a colaborações em revistas do que no que respeita à escrita de livros, entre os quais se destacam Imagen (1922) de Gerardo Diego, La rueda de color (1923) de Rogelio Buendía, Hélices (1923) de Guillermo de Torre e La sombrilla japonesa de Isaac del Vando-Villar. O próprio Cansinos-Assens e Gerardo Diego, entre outros, insistiram no facto de que o ultraísmo deveria ser considerado um movimento literário e não uma escola estética, o que não invalidou o aparecimento de numerosos equívocos (“Este lema ‘ultra’ señala un movimiento literario, no una escuela… Es una orientación hacia continuas y reiteradas evoluciones, un propósito perenne de juventud literaria…”, Cansinos-Assens, “Los poetas del Ultra. Antología”, Cervantes, Madrid, Junho de 1919; “Ultra no es una escuela. Claramente lo han definido sus propulsores. Es un movimiento amplísimo de renovación. Es lo opuesto del concepto ‘escuela’, en cuanto significa servilismo”, Gerardo Diego, La Atalaya). Apesar da tentativa dos ultraístas por levar a cabo uma ruptura em literatura castelhana, semelhante àquela que se tinha produzido ou que se estava a produzir na Europa, não ter cumprido, talvez, todos os seus objectivos, protagonizou efectivamente um papel primordial na génese e na recepção da poesia do “grupo del 27”, cumprindo o preceito de agitação cultural inerente a todo o movimento de vanguarda. Aliás, o “grupo del 27” ecoará, em boa medida, alguns dos ideais estéticos dos ultraístas, que, de algum modo, avançarão por um caminho que leva ao conceito de “poesía pura”, já que é de rigor mencionar que os ultraístas (cuja nova estética se constrói com fragmentos de cubismo literário, futurismo, creacionismo, expressionismo e dadaísmo) chagaram a alcançar um papel certamente notável e original, porquanto concediam na sua estética uma função primordial à metáfora, preenchendo o espaço que medeia entre o nada e a consagração pública da vanguarda na literatura espanhola, embora sempre com um carácter iniciático. Uma lista de autores que se aproximan do ultraísmo poderia estar formada por Xavier Bóveda, Rogelio Buendía, Cansinos-Assens (com o pseudónimo de Juan Las), Ciria y Escalante, César A. Comet, Antonio M. Cubero, Evaristo Correa Calderón, Gerardo Diego, Pedro Garfias, César González Ruano, Jaime Ibarra, F. Iglesias, P. Iglesias Caballero, Joaquín de Aroca, Juan Larrea, Rafael Lasso de la Vega, Ernesto López Parra, Tomás Luque, Eugenio Montes, Luis Mosquera, Eduardo de Ontañón, Manuel de la Peña, Miguel Pérez Ferrero, Ramón Prieto y Romero, Eliodoro Puche, os irmãos Guillermo e Francisco Rello, Vicente Risco, Humberto Rivas, José Rivas Panedas, José María Romero, Miguel Romero Martínez, Lucía Sánchez Saornil (com o pseudónimo de Luciano de San-Saor), Guillermo de Torre, Adriano del Valle, Isaac del Vando-Villar. Outros nomes participaram esporadicamente no movimento, como Antonio Espina, Luis Buñuel, Mauricio Bacarisse ou Francisco Vighi e também alguns estrangeiros como os argentinos Francisco Luis Bernárdez e Jorge Luis Borges, o polaco Tadeusz Peiper e o chileno Joaquín Edwards Bello.{bibliografia}Guillermo de Torre: Literaturas europeas de vanguardia (1925); Manuel de la Peña: El ultraísmo en España (1925); Gloria Videla: El ultraísmo (1963); Jaime Brihuega: Manifiestos, proclamas, panfletos y textos doctrinales. Las vanguardias artísticas en España (1979) e Las vanguardias artísticas en España. 1900-1936 (1981); Germán Gullón: Poesía de la vanguardia española (1981); José Luis Bernal: El ultraísmo, historia de un fracaso? (1988); José María Barrera: El ultraísmo de Sevilla (1987); Francisco Fuentes: Poesías y poéticas del ultraísmo (1989); Francisco Javier Díez de Revenga: Poesía española de la vanguardia (1918-1936) (1995); Juan Manuel Bonet: Diccionario de las vanguardias en España 1907-1936 (1995); IVAM: El ultraísmo y las artes plásticas (Catálogo) (1996).

ULTRAÍSMO

A primeira vanguarda literária espanhola em língua castelhana surgiu entre 1918 e 1925, em redor do conceito de ultraísmo, rótulo em volta do qual se albergaria um movimento literário cujo fundador principal seria Rafael Cansinos-Assens (Sevilha, 1883 – Madrid, 1964) e que teria como principal animador Guillermo de Torre (Madrid, 1900 – Buenos Aires, 1971). O ultraísmo revelou-se principalmente através de manifestos e obras líricas dispersas em publicações como Los Quijotes (Madrid, 1915-1918), Cervantes (Madrid, 1916-1920), Grecia (Sevilha-Madrid, 1918-1920), Perseo (Madrid, 1919), Ultra (Oviedo, 1919-1920), Gran Guiñol (Sevilha, 1920), Reflector (Madrid, 1920), Ultra (Madrid, 1921-1922, a grande revista do movimento), Tableros (Madrid, 1921-1922), Horizonte (Madrid, 1922-1923), Prisma (París-Barcelona, 1922), Vértices (Madrid, 1923), Parábola (Burgos, 1923-1928), Tobogán (Madrid, 1924) ou Plural (Madrid, 1925), e através de publicações que, de uma ou outra forma, se aproximaram do movimento – Cosmópolis (Madrid, 1919-1922), Alfar (La Corunha-Montevideu, 1920-1954) ou Ronsel (Lugo, 1924). O ultraísmo promoveu também, como qualquer movimento de vanguarda que se prezasse, actividades públicas como a “Fiesta del Ultra”, celebrada a 2 de Maio de 1919 no Ateneu de Sevilha ou como a “Velada Ultraísta de Parisiana” a 28 de Janeiro de 1921. Em 1918 ocorrem acontecimentos fundamentais para a gestação do movimento: Espanha recebe, pela segunda vez, a visita do poeta chileno Vicente Huidobro (pai do creacionismo); é também o ano de nascimento da revista sevilhana (que depois se filiou em Madrid) Grecia, que passa do simbolismo tardio dos seus primeiros números ao território da vanguarda. Será, nesta revista, que aparecerá o “I Manifiesto Ultraísta” (X. Bóveda, C. A. Comet, F. Iglesias, G. de Torre, P. Iglesias Caballero, P. Garfias, J. Rivas Panedas, J. de Aroca, Grecia 11, Sevilha, 15 de Março de 1919), onde se indicam as primeiras premissas do grupo: “Nuestro lema será ‘ultra’, y en nuestro credo cabrán todas las tendencias sin distinción, con tal que expresen un anhelo nuevo. Más tarde, estas tendencias lograrán su núcleo y se unificarán. Por el momento creemos suficiente lanzar este grito de renovación y anunciar la publicación de una revista que llevará el título de Ultra, y en la que sólo lo nuevo hallará acogida”. A excessiva (e, provavelmente, ingénua) ambição do projecto (a par de uma certa indefinição de uma estética concreta, facto que originou não poucos equívocos) será ratificada nas palavras do apóstolo do grupo, Cansinos-Assens (“La nueva lírica y la revista Cervantes”, Grecia 12, Sevilha, 1 de Abril de 1919): “(…)las tendencias superatrices de Nietszche, D´Annunzio, Walt Whitman, Emerson, Verhaeren, el futurismo de Marinetti, el dinamismo manifestado en la lírica com los temas de la conquista de la mecánica, la vida intensa, los aeroplanos, G. Apollinaire, en su conjunción com el arte abstracto o ideal, las obras de Mallarmé, Trsitan Tzara, Max Jacob, F. Picabia, J. Cocteau, la revista Antología Dadá de Zurich y el Nord-Sud de París… han producido el ‘ultra’, que es algo que está más allá del novecentismo (…) Extrae elementos del futurismo, del dinamismo, del creacionismo que trajo V. Huidobro en su valija diplomática de novedades líricas del año 1918 (…) ‘Ultra’ señala un movimiento literario, no una escuela…”. A produção literária ultraísta será muito mais importante no que respeita a colaborações em revistas do que no que respeita à escrita de livros, entre os quais se destacam Imagen (1922) de Gerardo Diego, La rueda de color (1923) de Rogelio Buendía, Hélices (1923) de Guillermo de Torre e La sombrilla japonesa de Isaac del Vando-Villar. O próprio Cansinos-Assens e Gerardo Diego, entre outros, insistiram no facto de que o ultraísmo deveria ser considerado um movimento literário e não uma escola estética, o que não invalidou o aparecimento de numerosos equívocos (“Este lema ‘ultra’ señala un movimiento literario, no una escuela… Es una orientación hacia continuas y reiteradas evoluciones, un propósito perenne de juventud literaria…”, Cansinos-Assens, “Los poetas del Ultra. Antología”, Cervantes, Madrid, Junho de 1919; “Ultra no es una escuela. Claramente lo han definido sus propulsores. Es un movimiento amplísimo de renovación. Es lo opuesto del concepto ‘escuela’, en cuanto significa servilismo”, Gerardo Diego, La Atalaya). Apesar da tentativa dos ultraístas por levar a cabo uma ruptura em literatura castelhana, semelhante àquela que se tinha produzido ou que se estava a produzir na Europa, não ter cumprido, talvez, todos os seus objectivos, protagonizou efectivamente um papel primordial na génese e na recepção da poesia do “grupo del 27”, cumprindo o preceito de agitação cultural inerente a todo o movimento de vanguarda. Aliás, o “grupo del 27” ecoará, em boa medida, alguns dos ideais estéticos dos ultraístas, que, de algum modo, avançarão por um caminho que leva ao conceito de “poesía pura”, já que é de rigor mencionar que os ultraístas (cuja nova estética se constrói com fragmentos de cubismo literário, futurismo, creacionismo, expressionismo e dadaísmo) chagaram a alcançar um papel certamente notável e original, porquanto concediam na sua estética uma função primordial à metáfora, preenchendo o espaço que medeia entre o nada e a consagração pública da vanguarda na literatura espanhola, embora sempre com um carácter iniciático. Uma lista de autores que se aproximan do ultraísmo poderia estar formada por Xavier Bóveda, Rogelio Buendía, Cansinos-Assens (com o pseudónimo de Juan Las), Ciria y Escalante, César A. Comet, Antonio M. Cubero, Evaristo Correa Calderón, Gerardo Diego, Pedro Garfias, César González Ruano, Jaime Ibarra, F. Iglesias, P. Iglesias Caballero, Joaquín de Aroca, Juan Larrea, Rafael Lasso de la Vega, Ernesto López Parra, Tomás Luque, Eugenio Montes, Luis Mosquera, Eduardo de Ontañón, Manuel de la Peña, Miguel Pérez Ferrero, Ramón Prieto y Romero, Eliodoro Puche, os irmãos Guillermo e Francisco Rello, Vicente Risco, Humberto Rivas, José Rivas Panedas, José María Romero, Miguel Romero Martínez, Lucía Sánchez Saornil (com o pseudónimo de Luciano de San-Saor), Guillermo de Torre, Adriano del Valle, Isaac del Vando-Villar. Outros nomes participaram esporadicamente no movimento, como Antonio Espina, Luis Buñuel, Mauricio Bacarisse ou Francisco Vighi e também alguns estrangeiros como os argentinos Francisco Luis Bernárdez e Jorge Luis Borges, o polaco Tadeusz Peiper e o chileno Joaquín Edwards Bello.{bibliografia}Guillermo de Torre: Literaturas europeas de vanguardia (1925); Manuel de la Peña: El ultraísmo en España (1925); Gloria Videla: El ultraísmo (1963); Jaime Brihuega: Manifiestos, proclamas, panfletos y textos doctrinales. Las vanguardias artísticas en España (1979) e Las vanguardias artísticas en España. 1900-1936 (1981); Germán Gullón: Poesía de la vanguardia española (1981); José Luis Bernal: El ultraísmo, historia de un fracaso? (1988); José María Barrera: El ultraísmo de Sevilla (1987); Francisco Fuentes: Poesías y poéticas del ultraísmo (1989); Francisco Javier Díez de Revenga: Poesía española de la vanguardia (1918-1936) (1995); Juan Manuel Bonet: Diccionario de las vanguardias en España 1907-1936 (1995); IVAM: El ultraísmo y las artes plásticas (Catálogo) (1996).

2009-12-23 08:56:25
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