REAL

REAL

A noção de real foi claramente distinguida da de realidade por Jacques Lacan. Retomando a filosofia e a lógica, mas sobretudo a sua releitura de Freud e a sua prática clínica, Lacan demonstra que o real o simbólico(v.) e o imaginário(v.) – por esta ordem – fazem parte da estrutura psíquica. E mostra que, nessa estrutura, estão ligados à maneira de um nó borromeu (nome atribuído a partir do brazão da família Borromée, constituido por este nó), ou seja, que se retirarmos um deles, os dois outros não fazem estrutura, partem cada qual para seu lado. [Ver desenhos do nó borromeu em: http://www.appoa.com.br/noticia_detalhe_no_borromeano.php] O simbólico expulsou o real da realidade. Este não é pois essa realidade ordenada pelo simbólico e a que a filosofia chama “representação do mundo exterior”. Mas retorna à realidade num lugar em que o sujeito(v.) não o encontra senão sob uma forma (alucinação, sonho, paranóia, jogo, droga) que tira o sujeito do seu estado vulgar. De facto, já em Freud o real ganhara dimensão teórica em simultâneo com a negação: “é real, não o que se encontra, mas o que se reencontra”, escreve o inventor da psicanálise em 1924. Ora se o real tem de ser reencontrado e que, relativamente a um sujeito dado, o objecto(v.) de desejo é por definição um objecto para sempre perdido, o real é o que será definido por Lacan como o impossível. O real é o que já lá estava antes do nascimento do sujeito do inconsciente e da sua passagem simbólica à existência. É em geral a mãe que o incarna. E é a Lei humana da linguagem, significada pelo Nome-do-Pai que funciona como intervenção simbólica salvando a criança do capricho materno. Se o real é o que estava já lá, ele é também o que escapa à tomada total pelo simbólico: o real pode manter-se silencioso, para além do simbólico que o cala. Veiculado pelos significantes, o simbólico permite ao sujeito expulsar esse real do campo da sua representação e construir a sua realidade. Isso permite-nos respirar. Para que o real não se manifeste de maneira intrusiva na existência do sujeito é necessário que seja mantido á margem pelo simbólico, como nos sonhos. O nó borromeu permite a Lacan materialisar num desenho que os aneis do real, do simbólico e do imaginário sendo diferentes, mantêm-se ligados pelo nó. Se se cortar um, libertam-se todos. Senão, nenhum é independente dos outros. Admitindo que este nó está na base do desejo constatamos que nenhum dos três registos se reduz aos outros e que o real existe em relação ao simbólico, ou seja ao lado, mas enlaçado a ele pelo imaginário. A literatura não pode passar-se de nenhum destes registos para se conseguir. Pelo imaginário ela liga o simbólico ao real sempre invisível; com o simbólico ela inventa um imaginário desse real; buscando sem cessar o real, filada nele, ela põe em jogo o elo do imaginário no simbólico.{bibliografia}Sigmund Freud, La negacion (1925) e Conclusiones, ideas, problemas (1938), Obras Completas, vol.III, Madrid, Biblioteca Nueva, 1984. Jacques Lacan, Les non-dupes errent, (Seminário XXI, 1973-74) inédito; R.S.I., (Seminário XXII), Ornicar?, Paris, 1975. http://psicanaliselacaniana.vilabol.uol.com.br/fundamentos.html

IMAGINÁRIO
REAL

A noção de real foi claramente distinguida da de realidade por Jacques Lacan. Retomando a filosofia e a lógica, mas sobretudo a sua releitura de Freud e a sua prática clínica, Lacan demonstra que o real o simbólico(v.) e o imaginário(v.) – por esta ordem – fazem parte da estrutura psíquica. E mostra que, nessa estrutura, estão ligados à maneira de um nó borromeu (nome atribuído a partir do brazão da família Borromée, constituido por este nó), ou seja, que se retirarmos um deles, os dois outros não fazem estrutura, partem cada qual para seu lado. [Ver desenhos do nó borromeu em: http://www.appoa.com.br/noticia_detalhe_no_borromeano.php] O simbólico expulsou o real da realidade. Este não é pois essa realidade ordenada pelo simbólico e a que a filosofia chama “representação do mundo exterior”. Mas retorna à realidade num lugar em que o sujeito(v.) não o encontra senão sob uma forma (alucinação, sonho, paranóia, jogo, droga) que tira o sujeito do seu estado vulgar. De facto, já em Freud o real ganhara dimensão teórica em simultâneo com a negação: “é real, não o que se encontra, mas o que se reencontra”, escreve o inventor da psicanálise em 1924. Ora se o real tem de ser reencontrado e que, relativamente a um sujeito dado, o objecto(v.) de desejo é por definição um objecto para sempre perdido, o real é o que será definido por Lacan como o impossível. O real é o que já lá estava antes do nascimento do sujeito do inconsciente e da sua passagem simbólica à existência. É em geral a mãe que o incarna. E é a Lei humana da linguagem, significada pelo Nome-do-Pai que funciona como intervenção simbólica salvando a criança do capricho materno. Se o real é o que estava já lá, ele é também o que escapa à tomada total pelo simbólico: o real pode manter-se silencioso, para além do simbólico que o cala. Veiculado pelos significantes, o simbólico permite ao sujeito expulsar esse real do campo da sua representação e construir a sua realidade. Isso permite-nos respirar. Para que o real não se manifeste de maneira intrusiva na existência do sujeito é necessário que seja mantido á margem pelo simbólico, como nos sonhos. O nó borromeu permite a Lacan materialisar num desenho que os aneis do real, do simbólico e do imaginário sendo diferentes, mantêm-se ligados pelo nó. Se se cortar um, libertam-se todos. Senão, nenhum é independente dos outros. Admitindo que este nó está na base do desejo constatamos que nenhum dos três registos se reduz aos outros e que o real existe em relação ao simbólico, ou seja ao lado, mas enlaçado a ele pelo imaginário. A literatura não pode passar-se de nenhum destes registos para se conseguir. Pelo imaginário ela liga o simbólico ao real sempre invisível; com o simbólico ela inventa um imaginário desse real; buscando sem cessar o real, filada nele, ela põe em jogo o elo do imaginário no simbólico.{bibliografia}Sigmund Freud, La negacion (1925) e Conclusiones, ideas, problemas (1938), Obras Completas, vol.III, Madrid, Biblioteca Nueva, 1984. Jacques Lacan, Les non-dupes errent, (Seminário XXI, 1973-74) inédito; R.S.I., (Seminário XXII), Ornicar?, Paris, 1975. http://psicanaliselacaniana.vilabol.uol.com.br/fundamentos.html

2009-12-27 17:53:37
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