LADAINHA

LADAINHA

Oração formada por uma série de invocações e respostas curtas e repetidas. No século XVI, tinha a variante de ledainha: “…chamando todos os cantos do Céu, em sua ajuda, por meio de uma ledainha, que devotamente rezou.” (Frei Luís de Sousa, Vida de D. Frei Bartolomeu dos Mártires, IV, 29, v.III, p.31, ed. de 1948). Por via culta, aparece no século XVII a variante litania: “Estava armado com as malhas da sua lógica, tão miúdas e intrincadas, que em algumas igrejas se cantava nas litanias.” (Manuel Bernardes, Nova Floresta, IV, 12, 2, §I, p.95). Neste sentido, trata-se de uma oração ou súplica à Virgem Maria e aos santos, invocando-os pelos nomes e atributos simbólicos, a fim de rogarem a Deus pelos fiéis, como em Almeida Garrett: “A procissão saía gravemente, entoando as ladainhas e preces públicas.” Na liturgia, a ladainha é uma oração à Virgem ou santos, com o responsório repetitivo: “Rogai por nós!”. São “tiradas” (declamadas) ou cantadas durante os terços, novenas, trios, etc. As Ladainhas Maiores, instituídas pelo Papa Gregório Magno (590/604) são rezadas no dia de São Marcos (21 de Abril) e as Ladainhas Menores, nos três dias imediatamente anteriores à Quinta-Feira da Ascensão. A sua popularidade advém certamente da crença nos poderes místicos da imprecação religiosa que tem origem longínqua. Regista-se ainda a variante ladairo, procissão de Penitência, por voto a algum santuário, termo que, no plural (ladairos), diz respeito às preces públicas por ocasião de calamidade, por exemplo, nas ladainhas de clamor, que, no Minho, se chamam: “arranzel” e “parlenda”. No Nordeste brasileiro, as ladainhas são os últimos vestígios dos ladairos. Os velhos “tiradores” de ladainhas, no sertão nordestino, têm vozes de alta expressão trágica, causando funda e inesquecível impressão nas almas, pela inflexão sonora e patética das invocações. A musicalidade das ladainhas tem atraído a atenção dos musicógrafos, na medida em que a simplicidade melódica, o dinamismo da reiteração monótona, acabrunhadora e melancólica, tem o poder de reduzir os ouvintes a um estado apático e doloroso de quietismo, resignação e arrependimento contrito. Um dos focos de irradiação das Ladainhas, no Brasil, foi o município de Minas Gerais, desde os tempos coloniais. Por analogia, com o tempo, os termos arcaicos “ladário” e “parlenda” (com o significado de ladainha) foram absorvidos pela língua portuguesa com vários significados: palavreado, palavra de dissimulação, discussão, desavença, rixa. O termo parlenda fixou-se como denominação de “cantigas de roda”, rimas infantis em versos de 5 ou 6 sílabas, para divertir, ajudar a memorização, etc. (“Amanhã é domingo / pé de cachimbo / Cachimbo é de ouro,… etc.”). A difusão do termo resultou ainda na lengalenda.

LADAINHA

Oração formada por uma série de invocações e respostas curtas e repetidas. No século XVI, tinha a variante de ledainha: “…chamando todos os cantos do Céu, em sua ajuda, por meio de uma ledainha, que devotamente rezou.” (Frei Luís de Sousa, Vida de D. Frei Bartolomeu dos Mártires, IV, 29, v.III, p.31, ed. de 1948). Por via culta, aparece no século XVII a variante litania: “Estava armado com as malhas da sua lógica, tão miúdas e intrincadas, que em algumas igrejas se cantava nas litanias.” (Manuel Bernardes, Nova Floresta, IV, 12, 2, §I, p.95). Neste sentido, trata-se de uma oração ou súplica à Virgem Maria e aos santos, invocando-os pelos nomes e atributos simbólicos, a fim de rogarem a Deus pelos fiéis, como em Almeida Garrett: “A procissão saía gravemente, entoando as ladainhas e preces públicas.” Na liturgia, a ladainha é uma oração à Virgem ou santos, com o responsório repetitivo: “Rogai por nós!”. São “tiradas” (declamadas) ou cantadas durante os terços, novenas, trios, etc. As Ladainhas Maiores, instituídas pelo Papa Gregório Magno (590/604) são rezadas no dia de São Marcos (21 de Abril) e as Ladainhas Menores, nos três dias imediatamente anteriores à Quinta-Feira da Ascensão. A sua popularidade advém certamente da crença nos poderes místicos da imprecação religiosa que tem origem longínqua. Regista-se ainda a variante ladairo, procissão de Penitência, por voto a algum santuário, termo que, no plural (ladairos), diz respeito às preces públicas por ocasião de calamidade, por exemplo, nas ladainhas de clamor, que, no Minho, se chamam: “arranzel” e “parlenda”. No Nordeste brasileiro, as ladainhas são os últimos vestígios dos ladairos. Os velhos “tiradores” de ladainhas, no sertão nordestino, têm vozes de alta expressão trágica, causando funda e inesquecível impressão nas almas, pela inflexão sonora e patética das invocações. A musicalidade das ladainhas tem atraído a atenção dos musicógrafos, na medida em que a simplicidade melódica, o dinamismo da reiteração monótona, acabrunhadora e melancólica, tem o poder de reduzir os ouvintes a um estado apático e doloroso de quietismo, resignação e arrependimento contrito. Um dos focos de irradiação das Ladainhas, no Brasil, foi o município de Minas Gerais, desde os tempos coloniais. Por analogia, com o tempo, os termos arcaicos “ladário” e “parlenda” (com o significado de ladainha) foram absorvidos pela língua portuguesa com vários significados: palavreado, palavra de dissimulação, discussão, desavença, rixa. O termo parlenda fixou-se como denominação de “cantigas de roda”, rimas infantis em versos de 5 ou 6 sílabas, para divertir, ajudar a memorização, etc. (“Amanhã é domingo / pé de cachimbo / Cachimbo é de ouro,… etc.”). A difusão do termo resultou ainda na lengalenda.

2009-12-30 14:40:03
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