CADERNO

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Conjunto de folhas dobradas uma ou mais vezes sobre si mesmas, constituindo a unidade básica da estrutura material do livro. Chama-se caderno porque a dimensão mais corrente destas unidades começou por ser a de oito fólios de pergaminho (quaternion), generalizando-se depois a designação a todo e qualquer fascículo básico de uma encadernação, independentemente da sua estrutura. Para a constituição dos códices membranáceos foi desenvolvida, ao longo da Idade Média, uma técnica de obtenção de cadernos regulares que partia da selecção do pergaminho (pele de animal, tratada de forma a se obter uma matéria foliácea) e passava por fórmulas normalizadas de dobragem, puncturação, regramento e imposição do texto. Para garantia de uma sucessão ordenada dos cadernos já escritos e aguardando encadernação desenvolveu-se, adicionalmente, a norma da assinatura (letra ou número de ordem inscritos na margem superior ou inferior da primeira página de cada sucessivo caderno) e a do reclamo (palavra inicial do texto de cada caderno inscrita no fim do caderno anterior). A tipografia manual veio herdar todo este ritual codicológico, aplicando-o às folhas inteiras de papel sobre cujas faces se imprimiam várias páginas de texto que resultavam perfeitamente ordenadas uma vez dobrada a folha impressa em cadernos de duas, quatro ou oito folhas (são esses, respectivamente, os formatos mais comuns do livro antigo: in-folio, in-quarto e in-octavo). Manteve também as técnicas da assinatura e do reclamo, ainda com utilidade por as tarefas de impressão e encadernação serem desempenhadas por diferentes personagens em sucessivas oficinas: a do impressor e a do livreiro-encadernador. A dobragem simples ou múltipla da pele e da folha inteira de papel, que determinava a extensão do caderno, determinava também, como se viu, o formato do livro, manuscrito ou impresso. A evolução da produção codicológica e, mais tarde, da produção impressa veio estabelecer uma relação directa entre formatos grandes, médios e pequenos e conteúdos textuais específicos associados, também eles, a diferentes compradores e contextos de leitura. Em in-folio produziam-se, por exemplo, os livros do ofício divino, enquanto formatos inferiores, como o do in-quarto, in-octavo ou mesmo menores passaram a dirigir-se a quem procurasse o livro a preços acessíveis ou o desejasse para um consumo privado (o caso mais comum é o do livro de devoção, podendo um livro de horas atingir formatos liliputeanos). Não deve pois negligenciar-se o significado cultural e barato que a envergadura de um caderno pode ter, estando provado, por exemplo, que os códices de pequeno formato se generalizaram quando começou a ser praticada, no Ocidente, a leitura silenciosa (séculos XIV-XV), enquanto os impressos in-quarto e in-octavo serviram, no século XVII, para os impressores de Paris iludirem estrategicamente uma crise em que os precipitou a proliferação de oficinas, inadequada à capacidade do mercado do livro.{bibliografia}Henri-Jean Martin: Livres Pouvoirs et Société à Paris au
XVIIe Siècle, 1598-1701 (1969); Philip Gaskell: A New
Introduction to Bibliography (1972); Léon Gilissen:
Prolégomènes à la Codicologie (1977); Paul Saenger: "Prier
de bouche et prier de coeur", Roger Chartier (ed.): Les
Usages de l’Imprimé, XVe-XIXe Siècle (1987); José Martínez
de Sousa: Diccionario de Bibliología y Ciencias Afines
(1989).

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Conjunto de folhas dobradas uma ou mais vezes sobre si mesmas, constituindo a unidade básica da estrutura material do livro. Chama-se caderno porque a dimensão mais corrente destas unidades começou por ser a de oito fólios de pergaminho (quaternion), generalizando-se depois a designação a todo e qualquer fascículo básico de uma encadernação, independentemente da sua estrutura. Para a constituição dos códices membranáceos foi desenvolvida, ao longo da Idade Média, uma técnica de obtenção de cadernos regulares que partia da selecção do pergaminho (pele de animal, tratada de forma a se obter uma matéria foliácea) e passava por fórmulas normalizadas de dobragem, puncturação, regramento e imposição do texto. Para garantia de uma sucessão ordenada dos cadernos já escritos e aguardando encadernação desenvolveu-se, adicionalmente, a norma da assinatura (letra ou número de ordem inscritos na margem superior ou inferior da primeira página de cada sucessivo caderno) e a do reclamo (palavra inicial do texto de cada caderno inscrita no fim do caderno anterior). A tipografia manual veio herdar todo este ritual codicológico, aplicando-o às folhas inteiras de papel sobre cujas faces se imprimiam várias páginas de texto que resultavam perfeitamente ordenadas uma vez dobrada a folha impressa em cadernos de duas, quatro ou oito folhas (são esses, respectivamente, os formatos mais comuns do livro antigo: in-folio, in-quarto e in-octavo). Manteve também as técnicas da assinatura e do reclamo, ainda com utilidade por as tarefas de impressão e encadernação serem desempenhadas por diferentes personagens em sucessivas oficinas: a do impressor e a do livreiro-encadernador. A dobragem simples ou múltipla da pele e da folha inteira de papel, que determinava a extensão do caderno, determinava também, como se viu, o formato do livro, manuscrito ou impresso. A evolução da produção codicológica e, mais tarde, da produção impressa veio estabelecer uma relação directa entre formatos grandes, médios e pequenos e conteúdos textuais específicos associados, também eles, a diferentes compradores e contextos de leitura. Em in-folio produziam-se, por exemplo, os livros do ofício divino, enquanto formatos inferiores, como o do in-quarto, in-octavo ou mesmo menores passaram a dirigir-se a quem procurasse o livro a preços acessíveis ou o desejasse para um consumo privado (o caso mais comum é o do livro de devoção, podendo um livro de horas atingir formatos liliputeanos). Não deve pois negligenciar-se o significado cultural e barato que a envergadura de um caderno pode ter, estando provado, por exemplo, que os códices de pequeno formato se generalizaram quando começou a ser praticada, no Ocidente, a leitura silenciosa (séculos XIV-XV), enquanto os impressos in-quarto e in-octavo serviram, no século XVII, para os impressores de Paris iludirem estrategicamente uma crise em que os precipitou a proliferação de oficinas, inadequada à capacidade do mercado do livro.{bibliografia}Henri-Jean Martin: Livres Pouvoirs et Société à Paris au
XVIIe Siècle, 1598-1701 (1969); Philip Gaskell: A New
Introduction to Bibliography (1972); Léon Gilissen:
Prolégomènes à la Codicologie (1977); Paul Saenger: "Prier
de bouche et prier de coeur", Roger Chartier (ed.): Les
Usages de l’Imprimé, XVe-XIXe Siècle (1987); José Martínez
de Sousa: Diccionario de Bibliología y Ciencias Afines
(1989).

2009-12-29 14:12:08
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