OBRA

OBRA

Palavra cuja origem remonta ao latim (opĕra, ae) e que denomina qualquer produção de um agente ou indivíduo, no âmbito das letras, ciências ou artes, com maior ou menor relevo na área em que se insere. Assim, é o resultado de uma acção ou do trabalho de um ou mais autores. Ao nível da literatura, considera-se obra uma composição unitária, que pode ou não fazer parte de um conjunto mais alargado (no qual constituirá um volume). Uma obra pode compreender um texto apenas, coeso e unitário, ou um conjunto organizado de produções textuais. Consequentemente, a sua extensão é variável, aspecto este que se prende com as próprias intenções do(s) autor(es). Embora a criação literária não se baseie na descrição do mundo físico e real, mas seja apenas criação, pelo facto de reflectir uma determinada realidade, a obra literária requer do leitor uma interpretação do tema ou assunto sobre o qual versa, acção através da qual são suscitados no primeiro pensamentos, ideias e sentimentos. No que diz respeito à intencionalidade da obra literária, esta reflecte habitualmente aspectos culturais, sociais, políticos, históricos, podendo ainda encontrar-se ao serviço da educação, ao assumir um papel moralizador (pelo facto de carregar consigo uma forte carga vivencial, tal como defende Jorge de Sena em “Amor da Literatura”, 1994). Quanto à estrutura da obra, podemos afirmar que apresenta uma organização mais ou menos rígida, já que pode ser constituída por um grupo bastante variável de componentes: capa, prefácio, preâmbulo, dedicatória, agradecimentos, introdução, desenvolvimento, conclusão, posfácio, bibliografia, glossário, índice e apêndice. Pode conter somente texto, ou incluir igualmente imagens, gráficos, fotografias ou até páginas propositadamente deixadas em branco, para que o leitor as preencha. Na literatura, ao conjunto (bastante restrito) de obras que se destacam de forma acentuada, tornando-se por isso património comum, dá-se a terminologia de cânone. Este é constituído por obras-primas (do Latim magnum opus): trabalhos de qualidade incomparável que se distingue de entre todos os do seu género ou categoria (não somente no campo da literatura, mas em qualquer campo artístico). Pode ser considerada obra-prima a melhor produção de um autor, a mais lida, a mais conhecida (por vezes, também a mais comercializada) ou a obra inicial de um determinado género. Segundo Jorge Luis Borges em “O Livro” (1999), a obra (=o livro) era vista na Antiguidade como a perpetuação da palavra e de tudo aquilo que era habitualmente difundido por via oral. Consequentemente, a sua necessidade advinha da limitação da memória, aspecto este que originou a passagem do oral a um registo escrito. Para a cultura oriental, o livro era considerado sagrado, já que se acreditava na existência de algo de dificilmente explicável no acto criativo, que assumia, dessa forma, uma certa aura mística. Na Idade Média, todo o artífice que aspirava a ascender à categoria de Mestre tinha que executar uma obra-prima, como meio de confirmação da qualidade do seu trabalho e exame das suas capacidades.{bibliografia}Douwe Fokkema: “A European Canon of Literature” in European Review, vol. I, nº1 (1993); Harold Bloom: O Cânone Ocidental (1998); Ítalo Calvino: Porquê ler os Clássicos? (1994); Jorge de Sena: “Amor da Literatura” in O Reino da Estupidez (1961); Jorge Luis Borges: “O Livro” in Obras Completas, vol. IV (1999). http://www.english.uiuc.edu/finnegan/1stday.htm.

CÂNONE, TEXTO
OBRA

Palavra cuja origem remonta ao latim (opĕra, ae) e que denomina qualquer produção de um agente ou indivíduo, no âmbito das letras, ciências ou artes, com maior ou menor relevo na área em que se insere. Assim, é o resultado de uma acção ou do trabalho de um ou mais autores. Ao nível da literatura, considera-se obra uma composição unitária, que pode ou não fazer parte de um conjunto mais alargado (no qual constituirá um volume). Uma obra pode compreender um texto apenas, coeso e unitário, ou um conjunto organizado de produções textuais. Consequentemente, a sua extensão é variável, aspecto este que se prende com as próprias intenções do(s) autor(es). Embora a criação literária não se baseie na descrição do mundo físico e real, mas seja apenas criação, pelo facto de reflectir uma determinada realidade, a obra literária requer do leitor uma interpretação do tema ou assunto sobre o qual versa, acção através da qual são suscitados no primeiro pensamentos, ideias e sentimentos. No que diz respeito à intencionalidade da obra literária, esta reflecte habitualmente aspectos culturais, sociais, políticos, históricos, podendo ainda encontrar-se ao serviço da educação, ao assumir um papel moralizador (pelo facto de carregar consigo uma forte carga vivencial, tal como defende Jorge de Sena em “Amor da Literatura”, 1994). Quanto à estrutura da obra, podemos afirmar que apresenta uma organização mais ou menos rígida, já que pode ser constituída por um grupo bastante variável de componentes: capa, prefácio, preâmbulo, dedicatória, agradecimentos, introdução, desenvolvimento, conclusão, posfácio, bibliografia, glossário, índice e apêndice. Pode conter somente texto, ou incluir igualmente imagens, gráficos, fotografias ou até páginas propositadamente deixadas em branco, para que o leitor as preencha. Na literatura, ao conjunto (bastante restrito) de obras que se destacam de forma acentuada, tornando-se por isso património comum, dá-se a terminologia de cânone. Este é constituído por obras-primas (do Latim magnum opus): trabalhos de qualidade incomparável que se distingue de entre todos os do seu género ou categoria (não somente no campo da literatura, mas em qualquer campo artístico). Pode ser considerada obra-prima a melhor produção de um autor, a mais lida, a mais conhecida (por vezes, também a mais comercializada) ou a obra inicial de um determinado género. Segundo Jorge Luis Borges em “O Livro” (1999), a obra (=o livro) era vista na Antiguidade como a perpetuação da palavra e de tudo aquilo que era habitualmente difundido por via oral. Consequentemente, a sua necessidade advinha da limitação da memória, aspecto este que originou a passagem do oral a um registo escrito. Para a cultura oriental, o livro era considerado sagrado, já que se acreditava na existência de algo de dificilmente explicável no acto criativo, que assumia, dessa forma, uma certa aura mística. Na Idade Média, todo o artífice que aspirava a ascender à categoria de Mestre tinha que executar uma obra-prima, como meio de confirmação da qualidade do seu trabalho e exame das suas capacidades.{bibliografia}Douwe Fokkema: “A European Canon of Literature” in European Review, vol. I, nº1 (1993); Harold Bloom: O Cânone Ocidental (1998); Ítalo Calvino: Porquê ler os Clássicos? (1994); Jorge de Sena: “Amor da Literatura” in O Reino da Estupidez (1961); Jorge Luis Borges: “O Livro” in Obras Completas, vol. IV (1999). http://www.english.uiuc.edu/finnegan/1stday.htm.

2009-12-24 06:36:44
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