GENO-TEXTO/FENO-TEXTO

Conceito da semiótica de Julia Kristeva, que publica em 1969 um livro fundamental (e dos mais complexos) para a história do estruturalismo (embora muitos aceitem que é mais correcto situar a sua obra numa fase dita “pós-estruturalista”): Séméiotikè, onde concebe o texto como o espaço de um trabalho autógeno que consiste em desarticular a língua natural, baseada na representação, que é substituída por uma multiplicidade de sentidos que o leitor (ou mesmo o autor) pode gerar a partir de uma cadeia aparentemente fixa. Kristeva chama a esse trabalho do texto significância, que, ao contrário da significação, não poderia ser reduzida à comunicação, à representação, à expressão. Kristeva chega a uma dupla articulação fundamental dessa produtividade do texto: a de feno-texto e a de geno-texto, a primeira recobrindo o plano do enunciado concreto, o discurso manifesto, a segunda englobando todos os jogos subjacentes a essa estrutura aparente. Kristeva faz questão de se demarcar de qualquer comparação entre estes níveis textuais e a oposição estrutura profunda/estrutura de superfície da gramática generativa de N. Chomsky (os termos de Kristeva recordam antes a distinção genótipo/fenótipo de S. K. Saumjan). Segundo Kristeva, “le géno-texte opère avec des catégories analytico-linguistiques (pour lesquelles nous devrions trouver à chaque fois dans le discours théorique des concepts analytico-linguistiques) dont la limite n’est pas de générer pour le phéno-texte une phrase (sujet-prédicat), mais un signifiant pris à différents stades du processus du fonctionnement signifiant. Cette séquence peut être dans le phéno-texte un mot, une suite de mots, une phrase nominale, un paragraphe, un ‘non-sens’ etc. " (Séméiotikè, Seuil, Paris, 1969, p.221). A conclusão de Kristeva aponta para a definição do geno-texto como um "significante infinito" e não como uma estrutura. É aí que o sujeito se “eclipsa”, para num dado momento poder oferecer um produto finito, que é o enunciado com sentido que constitui o feno-texto.{bibliografia} http://www-ditl.unilim.fr/ART/phenotexte.htm http://www-ditl.unilim.fr/ART/genotexte.htm

ESTRUTURALISMO, SEMIÓTICA
GENO-TEXTO/FENO-TEXTO

Conceito da semiótica de Julia Kristeva, que publica em 1969 um livro fundamental (e dos mais complexos) para a história do estruturalismo (embora muitos aceitem que é mais correcto situar a sua obra numa fase dita “pós-estruturalista”): Séméiotikè, onde concebe o texto como o espaço de um trabalho autógeno que consiste em desarticular a língua natural, baseada na representação, que é substituída por uma multiplicidade de sentidos que o leitor (ou mesmo o autor) pode gerar a partir de uma cadeia aparentemente fixa. Kristeva chama a esse trabalho do texto significância, que, ao contrário da significação, não poderia ser reduzida à comunicação, à representação, à expressão. Kristeva chega a uma dupla articulação fundamental dessa produtividade do texto: a de feno-texto e a de geno-texto, a primeira recobrindo o plano do enunciado concreto, o discurso manifesto, a segunda englobando todos os jogos subjacentes a essa estrutura aparente. Kristeva faz questão de se demarcar de qualquer comparação entre estes níveis textuais e a oposição estrutura profunda/estrutura de superfície da gramática generativa de N. Chomsky (os termos de Kristeva recordam antes a distinção genótipo/fenótipo de S. K. Saumjan). Segundo Kristeva, “le géno-texte opère avec des catégories analytico-linguistiques (pour lesquelles nous devrions trouver à chaque fois dans le discours théorique des concepts analytico-linguistiques) dont la limite n’est pas de générer pour le phéno-texte une phrase (sujet-prédicat), mais un signifiant pris à différents stades du processus du fonctionnement signifiant. Cette séquence peut être dans le phéno-texte un mot, une suite de mots, une phrase nominale, un paragraphe, un ‘non-sens’ etc. " (Séméiotikè, Seuil, Paris, 1969, p.221). A conclusão de Kristeva aponta para a definição do geno-texto como um "significante infinito" e não como uma estrutura. É aí que o sujeito se “eclipsa”, para num dado momento poder oferecer um produto finito, que é o enunciado com sentido que constitui o feno-texto.{bibliografia} http://www-ditl.unilim.fr/ART/phenotexte.htm http://www-ditl.unilim.fr/ART/genotexte.htm

2009-12-24 10:41:10
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