ÍCONE

ÍCONE

Figuração simbólica de um objecto ou de uma pessoa, de forma a manter-se uma relação de similitude com o referente real. Ao estudo dos ícones chamou Erwin Panofsky iconologia; à similitude formal estabelecida entre um conceito ou significado e o seu objecto referente ou significante chama-se, na semiótica de Charles S. S. Peirce, iconicidade. Nos estudos sobre cinema, estabelecem-se diferenças entre ícone (representação quase exacta de um objecto), índice (representação de um aspecto de um objecto para sugerir o todo ou o conceito que ilustra; por exemplo, as pegadas de um animal ou certos marcadores linguísticos como os pronomes demonstrativos com usos especiais) e símbolo (representação de uma ideia, conceito ou sentimento com um sentido fixo; o objecto significa-se por meio de uma associação de ideias). A distinção entre ícone é símbolo deve fazer-se pela completa representação analógica do objecto no caso do símbolo e por uma selecção de qualidades desse objecto no caso do ícone. O conceito de ícone pode ser estudado logo desde os primeiros textos da Bíblia, onde se argumenta que o homem foi concebido à imagem de Deus (imago dei). Em Platão, o conceito de eikon liga-se ao de eikasia, o estudo da percepção das imagens, aparências e reflexões (República, 509e) e na teoria sobre a arte mimética República, 598e-599a). Aristóteles usa o conceito de eikon quer para traduzir uma comparação quer um símile (Retórica, 3.4). Quintiliano chama-lhe uma espécie de comparação que traduz a aparência das coisas e das pessoas (Institutio oratoria, 5, 11, 24). Modernamente, o conceito teve larga discussão a partir dos trabalhos semióticos de C. S. Pierce, que faz incluir na lista de signos icónicos não só imagens verbais mas também equações matemáticas, diagramas, correspondências fonéticas, etc. Para Pierce, um ícone é um dos três tipos de signos, para além do símbolo e do índice, em todos os casos retratando o tipo de relação que o signo estabelece com o mundo extralinguístico. No caso do ícone, a relação estabelecida determina-se pela similitude: um ícone contém as mesmas características que o objecto que representa. O New Criticism norte-americano, através de W. K. Wimsatt, propôs também que o poema fosse entendido como um “icone verbal”, não como a representação de uma similitude mas como uma representação verbal de um aobjecto concreto. E. H. Gombrich propôs que a iconologia se definisse como uma ciência das imagens, que permitiria não só investigar a função das imagens em figuras como a alegoria e a metáfora como permitiria fundar um sistema complexo de relações entre as imagens capazes de formar uma espécie de linguística, retórica ou gramática dos signos. De notar que o conceito de iconicidade é válido também para a crítica literária que preste atenção particular ao ritmo e à prosódia, à versificação e à estrutura de superfície do texto. Destacamos neste campo os estudos de W. J. T. Mitchell sobre a relação da iconologia com a ideologia, a partir das questões sobre género, raça e classe. Nas sociedades pós-industriais, o estudo cultural dos ícones ganhou lugar de destaque, perante a superabundância de imagens (cinema, Internet, publicidade, televisão, etc.) que percorre o quotidiano e que são manipuladas de acordo com princípios ideológicos que podemos inquirir.{bibliografia}AAVV: “Icon and Reversibility: Literary Creation and the Question of Sense/ Icone et reversibilité: Creation litteraire et question du sens”, Proc. of IVth Internat. Cong./Actes du IVe Cong. Mondial, Internat. Assn. for Semiotic Studies/Assn. Internat. de Semiotique, Barcelona/Perpignan (1989); C. S. Pierce: “The Icon, Index, and Symbol”, in Collected Papers, ed. por C. Hartshorne and P. Weiss, vol.2 (1935-1958); E. H. Gombrich: “Icones Symbolicae: The Visual Image in Neo-Platonic Thought”, JWCI, 11 (1948); Id.: The Image and the Eye: Further Studies in the Psychology of Pictorial Representation (1982); Erwin Panofsky: Renaissance and Renascences in Western Art (1960); Paul Bouissac et al. (eds): Iconicity: Essays on the Nature of Culture (1986); Umberto Eco: "Introduction to a Semiotics of Iconic Signs", Versus, 2 (1972); W. J. T. Mitchell: Iconology: Image, Text, Ideology (1986); W. K. Wimsatt: The Verbal Icon (1954).

EKPHRASIS, IMAGEM, MIMESIS, SEMIÓTICA, SÍMBOLO HTTP://WWW,ES,UNIZH,CH/ICONICITY/
ÍCONE

Figuração simbólica de um objecto ou de uma pessoa, de forma a manter-se uma relação de similitude com o referente real. Ao estudo dos ícones chamou Erwin Panofsky iconologia; à similitude formal estabelecida entre um conceito ou significado e o seu objecto referente ou significante chama-se, na semiótica de Charles S. S. Peirce, iconicidade. Nos estudos sobre cinema, estabelecem-se diferenças entre ícone (representação quase exacta de um objecto), índice (representação de um aspecto de um objecto para sugerir o todo ou o conceito que ilustra; por exemplo, as pegadas de um animal ou certos marcadores linguísticos como os pronomes demonstrativos com usos especiais) e símbolo (representação de uma ideia, conceito ou sentimento com um sentido fixo; o objecto significa-se por meio de uma associação de ideias). A distinção entre ícone é símbolo deve fazer-se pela completa representação analógica do objecto no caso do símbolo e por uma selecção de qualidades desse objecto no caso do ícone. O conceito de ícone pode ser estudado logo desde os primeiros textos da Bíblia, onde se argumenta que o homem foi concebido à imagem de Deus (imago dei). Em Platão, o conceito de eikon liga-se ao de eikasia, o estudo da percepção das imagens, aparências e reflexões (República, 509e) e na teoria sobre a arte mimética República, 598e-599a). Aristóteles usa o conceito de eikon quer para traduzir uma comparação quer um símile (Retórica, 3.4). Quintiliano chama-lhe uma espécie de comparação que traduz a aparência das coisas e das pessoas (Institutio oratoria, 5, 11, 24). Modernamente, o conceito teve larga discussão a partir dos trabalhos semióticos de C. S. Pierce, que faz incluir na lista de signos icónicos não só imagens verbais mas também equações matemáticas, diagramas, correspondências fonéticas, etc. Para Pierce, um ícone é um dos três tipos de signos, para além do símbolo e do índice, em todos os casos retratando o tipo de relação que o signo estabelece com o mundo extralinguístico. No caso do ícone, a relação estabelecida determina-se pela similitude: um ícone contém as mesmas características que o objecto que representa. O New Criticism norte-americano, através de W. K. Wimsatt, propôs também que o poema fosse entendido como um “icone verbal”, não como a representação de uma similitude mas como uma representação verbal de um aobjecto concreto. E. H. Gombrich propôs que a iconologia se definisse como uma ciência das imagens, que permitiria não só investigar a função das imagens em figuras como a alegoria e a metáfora como permitiria fundar um sistema complexo de relações entre as imagens capazes de formar uma espécie de linguística, retórica ou gramática dos signos. De notar que o conceito de iconicidade é válido também para a crítica literária que preste atenção particular ao ritmo e à prosódia, à versificação e à estrutura de superfície do texto. Destacamos neste campo os estudos de W. J. T. Mitchell sobre a relação da iconologia com a ideologia, a partir das questões sobre género, raça e classe. Nas sociedades pós-industriais, o estudo cultural dos ícones ganhou lugar de destaque, perante a superabundância de imagens (cinema, Internet, publicidade, televisão, etc.) que percorre o quotidiano e que são manipuladas de acordo com princípios ideológicos que podemos inquirir.{bibliografia}AAVV: “Icon and Reversibility: Literary Creation and the Question of Sense/ Icone et reversibilité: Creation litteraire et question du sens”, Proc. of IVth Internat. Cong./Actes du IVe Cong. Mondial, Internat. Assn. for Semiotic Studies/Assn. Internat. de Semiotique, Barcelona/Perpignan (1989); C. S. Pierce: “The Icon, Index, and Symbol”, in Collected Papers, ed. por C. Hartshorne and P. Weiss, vol.2 (1935-1958); E. H. Gombrich: “Icones Symbolicae: The Visual Image in Neo-Platonic Thought”, JWCI, 11 (1948); Id.: The Image and the Eye: Further Studies in the Psychology of Pictorial Representation (1982); Erwin Panofsky: Renaissance and Renascences in Western Art (1960); Paul Bouissac et al. (eds): Iconicity: Essays on the Nature of Culture (1986); Umberto Eco: "Introduction to a Semiotics of Iconic Signs", Versus, 2 (1972); W. J. T. Mitchell: Iconology: Image, Text, Ideology (1986); W. K. Wimsatt: The Verbal Icon (1954).

2009-12-29 08:09:00
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