EDIÇÃO CRÍTICA

Publicação de um texto, de tradição ou génese complexas, segundo os métodos da crítica textual. A edição crítica de uma obra exige-se sobretudo para os textos cuja autenticidade seja discutível. Hoje em dia, tal problema quase deixou de se colocar, com a aplicação rigorosa dos direitos de autor e com os modernos processos de edição, que envolvem o respeito integral pela figura do autor-criador. Contudo, até há algumas décadas atrás, nem sempre o autor dispôs de todas as condições legais e técnicas para rever cuidadosamente a sua obra. Em muitos casos, os próprios autores deixaram a sua obra quase ou totalmente inédita (Cesário Verde, Fernando Pessoa, F. Kafka, por exemplo), o que obriga hoje a recorrer a um tipo de dição que seja cientificamente correcta, o mais próxima possível do estado original dos autógrafos. Uma edição crítica pode também ajudar a corrigir erros e deturpações introduzidos pelos editores à revelia dos próprios autores, como aconteceu, por exemplo, com a obra romanesca de Eça de Queirós. Nos textos antigos, as dificuldades aumentam por não existirem edições diversas do mesmo texto revisto pelo autor, pois a maior parte da bibliografia que constitui o legado clássico literário existe a partir de cópias que se acreditam ser autênticas tanto quanto possível. Uma edição crítica de textos antigos exige, naturalmente, apurados conhecimentos filológicos e históricos para que seja possível uma aproximação à versão original. O texto editado criticamente pode ser um original (o autógrafo ou texto manuscrito ou digitado efectivamente por um autor), um arquétipo (o texto tal como que nos foi legado, conhecendo a sua identidade ou não — particularmente significativo nos textos clássicos e arcaicos, cujos arquétipos são tardios, entre o século I a.C. e o século V d.C.) ou um pré-arquétipo (um novo texto que precede no tempo o exemplar conhecido e datado até ao momento). Uma edição crítica segue diferentes fases, que incluem 1) a recolha de todos os elementos disponíveis pela chamada tradição diplomática, isto é, o conjunto de manuscritos ou impressos que permitiram a transmissão do texto editado (recensio); 2) comparação de todos esses elementos disponíveis (collatio); 3) localização e eliminação de todas as versões de que se comprova serem apenas cópias (eliminatio); 4) organização dos elementos válidos de forma a reconstituir o original (classificação); 5) correcção dos erros paleográficos e caligráficos que se encontram no texto (emendatio). Como o objectivo de uma edição crítica é a reprodução do texto original, é necessário, quando este não existir, reconstruir a árvore genealógica ou Stemma de todas as versões legítimas, para se conseguir aquilo que seria o arquétipo dos textos existentes.{bibliografia}A. Blecua: Manual de crítica textual (Madrid, 1983); Artur Anselmo: História da Edição, vol. 1 (1991); Judith Butcher: Copy-editing: The Cambridge Handbook, 2ª ed. (1981); Leituras : Revista da Biblioteca Nacional de Lisboa, 5 : « Arquivística Literária e Crítica Textual» (1999); Miguel Ángel Pérez Priego: La edición de textos (1997); Philippe Lejeune et al. (eds.): L’ Auteur et le manuscrit (1991); Ronald Gottesman (org.): Art and Error: Modern Textual Editing (1970).

APARATO CRÍTICO, CRÍTICA FILOLÓGICA, CRÍTICA TEXTUAL, STEMMA
EDIÇÃO CRÍTICA

Publicação de um texto, de tradição ou génese complexas, segundo os métodos da crítica textual. A edição crítica de uma obra exige-se sobretudo para os textos cuja autenticidade seja discutível. Hoje em dia, tal problema quase deixou de se colocar, com a aplicação rigorosa dos direitos de autor e com os modernos processos de edição, que envolvem o respeito integral pela figura do autor-criador. Contudo, até há algumas décadas atrás, nem sempre o autor dispôs de todas as condições legais e técnicas para rever cuidadosamente a sua obra. Em muitos casos, os próprios autores deixaram a sua obra quase ou totalmente inédita (Cesário Verde, Fernando Pessoa, F. Kafka, por exemplo), o que obriga hoje a recorrer a um tipo de dição que seja cientificamente correcta, o mais próxima possível do estado original dos autógrafos. Uma edição crítica pode também ajudar a corrigir erros e deturpações introduzidos pelos editores à revelia dos próprios autores, como aconteceu, por exemplo, com a obra romanesca de Eça de Queirós. Nos textos antigos, as dificuldades aumentam por não existirem edições diversas do mesmo texto revisto pelo autor, pois a maior parte da bibliografia que constitui o legado clássico literário existe a partir de cópias que se acreditam ser autênticas tanto quanto possível. Uma edição crítica de textos antigos exige, naturalmente, apurados conhecimentos filológicos e históricos para que seja possível uma aproximação à versão original. O texto editado criticamente pode ser um original (o autógrafo ou texto manuscrito ou digitado efectivamente por um autor), um arquétipo (o texto tal como que nos foi legado, conhecendo a sua identidade ou não — particularmente significativo nos textos clássicos e arcaicos, cujos arquétipos são tardios, entre o século I a.C. e o século V d.C.) ou um pré-arquétipo (um novo texto que precede no tempo o exemplar conhecido e datado até ao momento). Uma edição crítica segue diferentes fases, que incluem 1) a recolha de todos os elementos disponíveis pela chamada tradição diplomática, isto é, o conjunto de manuscritos ou impressos que permitiram a transmissão do texto editado (recensio); 2) comparação de todos esses elementos disponíveis (collatio); 3) localização e eliminação de todas as versões de que se comprova serem apenas cópias (eliminatio); 4) organização dos elementos válidos de forma a reconstituir o original (classificação); 5) correcção dos erros paleográficos e caligráficos que se encontram no texto (emendatio). Como o objectivo de uma edição crítica é a reprodução do texto original, é necessário, quando este não existir, reconstruir a árvore genealógica ou Stemma de todas as versões legítimas, para se conseguir aquilo que seria o arquétipo dos textos existentes.{bibliografia}A. Blecua: Manual de crítica textual (Madrid, 1983); Artur Anselmo: História da Edição, vol. 1 (1991); Judith Butcher: Copy-editing: The Cambridge Handbook, 2ª ed. (1981); Leituras : Revista da Biblioteca Nacional de Lisboa, 5 : « Arquivística Literária e Crítica Textual» (1999); Miguel Ángel Pérez Priego: La edición de textos (1997); Philippe Lejeune et al. (eds.): L’ Auteur et le manuscrit (1991); Ronald Gottesman (org.): Art and Error: Modern Textual Editing (1970).

2009-12-30 17:44:59
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