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CAFÉ-TEATRO
FRINGE THEATRE
CAFÉ-TEATRO

Tipo de teatro popular que nasceu com o Café Royal (1966), em Paris. Difundiu-se de imediato por toda a Europa, por se tratar de um acontecimento cultural que aproxima a arte teatral do público comum. Não é, pois, um género dramático específico, mas uma nova forma de conceber o espectáculo teatral, abrindo-o ao público que procura uma alternativa às representações clássicas. Sem obedecer a convenções preestabelecidas, o café-teatro pode incluir-se naquela tradição que vem dos goliardos medievais, dos cafés dos filósofos do século XVIII e das tertúlias literárias do século XIX. As condições técnicas da representação deste tipo de teatro são, naturalmente, limitadas ao espaço escolhido, reduzindo o número de actores e de cenários, e escolhendo um repertório adequado a uma atmosfera intimista. Os textos representados são, geralmente, breves, promovendo o contacto directo com o público. O espaço em que decorre o café-teatro permite combinar a representação dramática com outros tipos de espectáculo, utilizando a música ou os recursos multimédia, por exemplo.{bibliografia} http://www.cm-porto.pt:8081/fcd/tca_espacos_cafeteatro.php http://www.copacabanaonline.com.br/Arena.htm

2009-12-29 14:14:34
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CALEIDOSCÓPIO
PÓS-MODERNISMO, ROMANCE POLICIAL
CALEIDOSCÓPIO

Aparelho óptico para fins lúdicos que consiste num jogo de figuras simétricas multicores e variáveis reflectidas à medida que se desloca o aparelho. Aplicada metaforicamente à literatura, a ideia de caleidoscópio serve para caracterizar certas composições literárias complexas, quer formadas por colagens de múltiplos efeitos quer constituídas por acções variadas que se sucedem em catadupa. O romance pós-moderno, de uma forma geral, e os romances policiais, por exemplo, são ricos em imagens caleidoscópicas.

2009-12-29 14:15:56
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CALEMBUR
CALEMBUR
PARONOMÁSIA, PUN, TROCADILHO
CALEMBUR

Termo francês para um jogo de palavras a partir de um equívoco fonético ou semântico que permite explorar o duplo sentido de algumas palavras. Trata-se de um artifício muito utilizado no texto publicitário. Por exemplo, “acreditar a formação, acreditar na formação” (“acreditar” no sentido de “dar crédito a” e no sentido de “crer em”).

2009-12-29 14:16:53
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CALIGRAFIA
CALIGRAFIA

Arte de bem escrever à mão; escrita desenhada com perfeição; maneira de escrever. Uma boa caligrafia depende não só da arte do escrevente mas também das condições de escrita como aquilo com que se escreve, aquilo sobre que se escreve e aquilo com que se ilustra o que se escreve (nas iluminuras, por exemplo). Desde a Antiguidade que a caligrafia é objecto de estudo, nas só nas civilizações do Antigo Egipto e da Grécia como nos povos orientais. A época áurea da caligrafia pode ser considerada a Idade Média, quando se desenvolveu uma intensa actividade de copistas calígrafos. A invenção da tipografia relegou naturalmente a prática caligráfica para segundo plano se exceptuarmos certas escritas como a chinesa, cujos caracteres são ainda uma verdadeira arte caligráfica. http://www.caligrafia.com.br/ http://www.profdefranco.com.br/caligrafia.html http://www.ippar.pt/sites_externos/bajuda/htm/opusc/fclcal.htm

2009-12-29 14:17:41
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CALIGRAMA
CALIGRAMA
POESIA CONCRETA, POESIA EXPERIMENTAL
CALIGRAMA

Texto que dispõe tipograficamente as suas palavras de forma a obter uma sugestão figurativa semelhante ao tema tratado. Os primeiros caligramas foram os hieróglifos. Símias de Rodes (séc.III a.C.) terá sido o primeiro a ter utilizado versos figurados. Este tipo de composição também é costume designar-se por carmen figuratum, pattern poem, Bildergedicht ou poema figurativo. O inglês Puttenham descreveu com pormenor o género no seu tratado The Art of English Poesie (1589). Foi seu cultor o poeta metafísico inglês do século XVII George Herbert que desenvolveu caligramas que sugerem formas litúrgicas como sinos e altares. O seu poema “The Altar” ilustra, pois, uma espécie particular de caligrama: o poema-altar (altar poem):

A broken ALTAR, Lord, thy servant reares,
Made of a heart, and cemented with teares,
Whose parts are as thy hand did frame;
No workman’s tool hath touch’d the same.
A HEART alone
Is such a stone
Thy power doth cut,
Wherefore each part
Of my hard heart
Meets in this frame,
To praise thy name.
That if I chance to hold my peace
These stones to praise thee may not cease.
O let thy blessed SACRIFICE be mine,
and sanctifie this ALTAR to be thine.
 

Ficaram também célebres os Calligrammes (1918) de Guillaume Apollinaire, cujo poema “Il pleut” sugere a queda de lágrimas numa página e o poema “Paysage” sugere uma árvore:

 
CET
ARBRISSEAU
QUI SE PRÉPARE
A FRUCTIFIER
TE
RES
SEM
BLE
 

Aquilo a que o poeta francês, inspirado no cubismo, chamou “lirismo visual” acabou por fazer escola nas gerações seguintes. Várias formas modernas de poesia como a surrealista, a experimentalista, a concreta e a visual, exploraram as possibilidades de figurativização textual propondo caligramas como o seguinte “Pêndulo” (1962), de E. M. de Melo e Castro:

P
P
P Ê N
P Ê N D
P Ê N D U
P Ê N D U L
P Ê N D U L O
 

O poeta americano e. e. cummings (1894-1962) também se notabilizou com a sua poesia figurativa inovadora. Embora se utilizem caligramas na poesia concreta dos anos 60, esta distingue-se das formas convencionais da poesia figurativa porque, por vezes, não é possível fazer a sua leitura em voz alta sem se perder o sentido do texto, o que não deve acontecer num caligrama, cujo grafismo não deve impedir a leitura expressiva do texto. As experiências conduzidas por estes poetas dos anos 60 ampliaram o campo lexical do caligrama com as variantes: “visopoema”, “audiovisopoema”, “poema fílmico”, “kinetofonia”, etc. Veja-se, por exemplo, as propostas de PO. EX: Textos Teóricos e Documentos da Poesia Experimental Portuguesa (Lisboa, 1981), org. por E. M. de Melo e Castro.

 

{bibliografia}

Jean Gerard Lapacherie: “Ecriture et lecture du calligramme”, Poétique, 12, 50 (1982); J. Peignot: Du Calligramme (1978); Jean Pierre Goldenstein: “Pour une semiologie du calligramme”, Que Vlo ve? Bull. de l’Assn. Internat. des Amis de Guillaume Apollinaire, 9, 29 (1981); Nicole Marie Mosher: Le Texte visualise: Le Calligramme de l’epoque alexandrine a l’epoque cubiste (1990); Penelope Sacks: “La Mise en page du calligramme”, Que Vlo ve? Bull. de l’Assn. Internat. des Amis de Guillaume Apollinaire, 9, 29 (1981); Segolene Le Men: “Calligraphie, calligramme, caricature”, Langages, 75 (Montrouge, França, 1984).

2009-12-29 14:18:44
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CAMPO ASSOCIATIVO OU CONCEITUAL
ISOTOPIA

Conjunto de palavras agrupadas a partir de um termo-chave, segundo uma lógica de associação de sentido. Por exemplo, um campo associativo para o termo mar deve incluir água, barco, peixe, pescador, praia, sal,… . A noção de isotopia sobrepõe-se a este conceito. Num campo associativo, realizam-se laços associativos entre as palavras consideradas nesse campo. Saussure chamou relação associativa à ligação formal ou semântica que se estabelece entre uma palavra e outras por ela evocadas. A teoria dos campos associativos apenas considera as palavras na sua realidade individual. A teoria dos campos semânticos vai propor que o mais importante é a estrutura do campo como um todo.

2009-12-29 14:20:04
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CAMPO LEXICAL
CAMPO SEMÂNTICO, ISOTOPIA, LÉXICO
CAMPO LEXICAL

Conjunto de palavras cuja formação partiu de um radical comum. A composição e derivação são os processos de formação das palavras de um mesmo campo lexical. A noção de campo lexical é sinónima da de família de palavras. Por exemplo, para a palavra carro, podemos formar um campo lexical com as seguintes palavras: carrinha, carrão, carrossel, carruagem, carroça, carripana,… Os campos lexicais não estão fixos numa língua, porque estamos sempre a criar novos lexemas e a mudar a relação entre os lexemas que formam um campo. O conceito de campo lexical foi introduzido nos anos 20 e 30 por linguistas como Trier, Porzig e Weisberger. A diferença entre um campo lexical e um campo semântico, generalizada nos manuais de linguística e crítica literária, não é radical, porque um campo lexical é necessariamente também um campo semântico (de relações significativas), e vice-versa. Daqui resulta que muitos lexicógrafos preferem a designação de campo léxico-semântico.

2009-12-29 14:21:03
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CAMPO LITERÁRIO
CAMPO LITERÁRIO

Ao que nos parece, somente a fisica emprega a palavra campo como termo técnico especializado, isto é, sujeito a definição rigorosa e por isso veículo de um conceito. Assim, nessa disciplina, "Se da el nombre de campo a toda magnitud A que queda descrita en un dominio espacial en función de las coordenadas. Ejemplos: campo de potencial, campo gravitatorio, campo eléctrico, campo de fuerzas, campo de ondas eletrónicas, campo mesónico, etc." (Franke, 1967, v. 1, p. 188‑9). Fora da física, porém, campo constitui apenas uma metáfora mais ou menos evidente, passível de algum aproveitamento epistemológico menos como conceito do que como mera noção. Tentemos, pois, alcançar uma possível caracterização epistemológica da noção de campo, para verificar depois sua eventual pertinência aos estudos literários. Como uma quase-metáfora — como noção aproximativa que a ninguém ocorre definir melhor — fala‑se com freqüência em campo de estudos. Trata‑se de idéia tangente à de objeto, mas dela distinta. Se quisermos exercer nosso empenho de rigor, podemos dizer que o primeiro termo nomeia algo mais fluido e amplo, ao passo que o segundo se refere a um recorte mais limitado e preciso que se pode operar no interior do campo. Nesse sentido, um campo de estudos se estabelece pela intervenção do elemento teoricamente primário do método cientifico, isto é, a observação, primeiro ato metodologicamente orientado no sentido de circunscrever certa região da realidade a fim de submetê‑la a investigação. Assim, a observação compõe um campo — dito de estudos, ou mesmo campo de observação (a expressão é empregada por Roland Barthes: A retórica antiga. In: Jean Cohen et alii. Pesquisas de retórica. Petrópolis [Rio de Janeiro]: Vozes, 1975. p. 148) —, constituído por um conjunto de dados por ela protocolados. Esse conjunto de dados produzidos pela observação, por sua vez, pode ser alvo de apropriações conceituais diversas e mais elaboradas, o que se viabiliza mediante a eleição de certo centro de interesse, ou, em outros termos, mediante a intervenção de elementos do método posteriores à singeleza da observação. Os dados constitutivos do campo, em princípio evidências observáveis mas que não apresentam maiores interconexões imediatamente visíveis, conduzem então à formulação de problemas, como, por exemplo, modos mais racionais e econômicos de ordená‑los visando à sua apresentação intersubjetiva, inter‑relações que possam contrair uns com os outros — do tipo causa e efeito, antecedente e conseqüente, complementaridade, implicação mútua, etc.—, processos de integração entre eles, explicações para seu funcionamento isolado ou integrado, utilidades práticas que possam revelar, etc. Ora, essa manipulação problematizante dos dados, segundo interesses variáveis e aparelhamentos conceituais específicos, é que permite, a partir de um campo de estudos (ou de observação), a construção de objetos. Para que a explicação fique menos aérea, sejamos temerariamente amplos numa ilustração. Digamos que a natureza seja um campo de estudos; sua vastidão e fluidez, no entanto, impõem uma problematização segmentada, que permite o recorte de objetos construídos segundo interesses distintos e instrumentos conceituais apropriados. Assim, o campo de estudos natureza se decompõe em problemas propostos e equacionáveis em limites conceituais a que chamamos disciplinas, donde, no caso em apreço, a física, a química e a biologia com seus respectivos objetos específicos, embora recortados no mesmo campo (objetos sempre mais delimitados, por certo, são passíveis de construção no interior do macro‑objeto de uma disciplina; um biólogo, por exemplo, no interior do macro‑objeto vida pode fixar‑se no objeto reino vegetal e, daí, em níveis crescentemente específicos, na fisiologia, no desenvolvimento, na reprodução, etc.). Segundo o entendimento ora exposto, um campo de estudos não coincide com uma disciplina, dando margem — isto sim — à constituição de diversas. Assim, pode‑se admitir que a expressão campo literário seja útil para designar um conjunto de dados estabelecido mediante observação de certos fenômenos da linguagem e suas implicações adjacentes. Esse campo tem sido recortado por diversas disciplinas, cada qual constituindo um objeto próprio a partir de seus específicos interesses e aparato conceitual, a saber: retórica Þ verossimilhança ou mimesis persuasiva; poética Þ verossimilhança ou mimesis catártica; estética Þ sensibilidade e beleza; história da literatura Þ origens e evolução; teoria da literatura Þ literariedade. É claro que a relação de disciplinas ora apresentada pressupõe simplificações imprescindíveis para a viabilidade da presente exposição, segundo seus limites e objetivos, donde a necessidade das seguintes ressalvas: 1 ‑ para as designações utilizadas, teve‑se em conta o caráter corrente dos termos nas várias línguas ocidentais (assim, por exemplo, não se incluiu ciência da literatura, termo equivalente ao alemão Literaturwissenchaft, mal aclimatado em outros idiomas); 2 ‑ o termo crítica literária foi também preterido, não obstante seu amplo curso para nomear disciplina — cremos que sobretudo em inglês —, pois preferimos entender por crítica menos uma disciplina e mais uma espécie de atitude de interesse na questão do valor, atitude onipresente sob diversas formas nas mais variadas explorações do campo literário: 3 ‑ as disciplinas listadas sugerem uma série histórica evolutiva, bem como limites nitidos a separá‑las; no entanto, é indispensável considerar sobrevivências residuais de umas nas outras, como também uma rede complexa de interferências recíprocas aproxiamando‑as entre si; 4 ‑ o objeto ou interesse apontado para cada uma (por exemplo, "verossimilhança ou mimesis persuasiva" para retórica) pode certamente ser bem mais detalhado, ou ainda formulado em outros termos; 5 ‑ na expressão campo literário, o adjetivo deve ser entendido como derivado não de literatura — palavra que veicula conceito mais circunscrito, pelo menos segundo usos técnicos atuais —, e sim de letras — termo que se refere a espaço mais amplo e difuso constituído pelas questões do discurso em geral; por esse raciocício, não há sobreposição entre as idéias de literatura e de campo literário, sendo preferível que se compreenda aquela como um dos recortes possíveis deste (assim, por exemplo, a retórica se exerce sobre o campo literário, mas seu objeto não é propriamente a literatura). Além desse delineamento do campo literário como espaço recortado por disciplinas da mesma área — nesse sentido, por assim dizer, "autóctones" desse campo —, outros rendimentos epistemológicos podem esperar‑se dessa noção. Imediatamente, o campo literário pode suscitar o interesse de outras disciplinas — sociologia, antropologia, lingüistica, história, psicanálise, etc. —, que nele poderão encontrar questões transformáveis em objetos de suas respectivas alçadas. Juntamente com essa possibilidade, o caráter menos determinado da idéia de campo permite viabilizar certa relativização das especialidades disciplinares correlativas do destaque concedido à idéia limitadora de objeto. A noção de campo, desse modo, favorece o que se tem chamado interdisciplinaridade, ou, mais apropriadamente, transdisciplinaridade: “Interdisciplinaridade quer dizer, para mim, em primeiro lugar, capacidade de diálogo entre cientistas, os eruditos provenientes de horizontes diversos, trabalhando sobre um tema comum, através da metodologia específica de sua matéria. É esta faculdade de compreender os outros e, por esse viés, de se questionar, que é determinante. Para fazer isto, a condição sine qua non é possuir um conhecimento profundo e sólido de sua própria disciplina. Seria muito mais apropriado, aliás, falar em transdisciplinaridade, em lugar de interdisciplinaridade, uma vez que nos referimos à faculdade de pensar além de sua própria disciplina” (Berchen, 1990, p. 21-2).{bibliografia} Berchen, Theodor. A missão da universidade na formacão e no desenvolvimento culturais: a diversidade dentro da universidade. Cadernos Plurais; série Universidade, Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 5: 7‑29, 1990; Danziger, Marlies K. & Johnson, W. Stacy. Frames of reference. In: —. An introduction to the study of literature. Lexington/Toronto/London: D. C. Heath, 1965. p. 129-56; Franke, H. Campo. In: ‑‑‑, org. Diccionário de física. Barcelona: Labor, 1967. V. 1, p. 188‑9; Khéde, Sônia Salomão, coord. Os contrapontos da literatura; arte, ciência, filosofia. Petrópolis [Rio de Janeiro]: Vozes, 1984; Lerner, L. The frontiers of literature. 1988; Reis, Carlos. O conhecimento da literatura; introdução aos estudos literários. 1995; Souza, Roberto Acízelo de. Formação da teoria da literatura. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico; Niterói: EDUFF, 1987; -‑‑‑­‑‑. Teoria da literatura. In: Jobim, José Luís, org. Palavras da crítica. Rio de Janeiro: Imago, 1992. p. 367‑89; ‑‑‑‑‑‑. Teoria da literatura e ciência. Cadernos do Mestrado/Literatura, Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 4: 7‑15, 1993; ——. Teoria da literatura. São Paulo: Ática, 1996.

2009-12-29 14:22:05
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CAMPO SEMÂNTICO
SEMÂNTICA
CAMPO SEMÂNTICO

Conjunto de palavras unidas pelo sentido. Por exemplo, o campo semântico de mãe inclui: mãe-de-família, mãe-de-santo, mãe solteira, terra-mãe, mãe-de-água,… Deve-se evitar a confusão entre campo semântico e campo associativo ou conceptual, porque este não dá conta das relações linguísticas entre os termos considerados. O campo semântico é, pois, toda a área de significação de uma palavra ou de um grupo de palavras. Se quisermos descrever o campo semântico da palavra luva, por exemplo, incluiremos nele todas as possibilidades semânticas como: luvaria, luveiro, assentar como uma luva, atirar a luva, de luva branca, deitar a luva, macio como uma luva. Foi Jost Trier quem desenvolveu a teoria dos campos semânticos. Não é possível demonstrar que todo o vocabulário esteja coberto por campos semânticos. A teoria dos campos semânticos tem-se concentrado apenas em alguns grupos bem definidos como as cores, as relações de parentesco, as experiências religiosas, etc. Segundo Stephen Ullman, “a teoria dos campos fornece um método valioso para abordar um problema difícil mas de crucial importância: a influência da linguagem no pensamento. Um campo semântico não reflecte apenas as ideias, os valores e as perspectivas da sociedade contemporânea; cristaliza-as e perpetua-as também; transmite às gerações vindouras uma análise já elaborada da experiência através da qual será visto o mundo, até que a análise se torne tão palpavelmente inadequada e antiquada que todo o campo tenha que ser refeito.” (Semântica, 4ªed., Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1977, p.523).{bibliografia}A. P. Ushenko: The Field Theory of Meaning; J. Lyons: Semantics (1977); J. Trier: Der deutsche Wertschatz im Sinnbezirk des Verstandes (1931); L. Weisgerber: Vom Weltbild der deutschen Sprache, 2 vols. (1953-54); Suzanne Öhman: Wortinhalt und Weltbild (1951).

2009-12-29 14:23:53
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CAMPUS DRAMA
DRAMA ACADÉMICO
CAMPUS DRAMA

Verbete por redigir

2009-12-31 13:41:58
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