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DEÍCTICOS
ENUNCIAÇÃO, REFERENTE
DEÍCTICOS

Termo gramatical utilizado nas teorias estruturalistas da narrativa para aquelas palavras que funcionam como indicadores referenciais da enunciação (eu, tu, aqui, agora, depois, etc.). Actuam como deícticos os pronomes pessoais, os pronomes demonstrativos (o termo deriva do grego deiktikós, que significa "demonstrativo"), os advérbios, etc.

2009-12-30 05:43:09
2009-12-30 05:43:09
DEÍXIS
DEÍXIS
DEÍXIS

A relação da deíxis com a linguagem está patente na etimologia do termo, uma vez que a raiz deik-/dik- é comum a várias palavras gregas e latinas, entre as quais se encontra o latim dicere, “designar, dizer”. Às formas linguísticas que remetem e apontam para determinadas identidades designam-se por deícticos, cuja referência varia no tempo e no espaço, não se fixando no mesmo sentido, como acontece com outras palavras referenciais. Bühler ao estabelecer a distinção entre nomear («nennen») e mostrar («zeigen»), duas formas básicas e complementares da significação linguística, reforça a especificidade da significação deíctica. Torna-se, então, evidente a coexistência de signos designativos («Zeigzeichen») e signos conceptuais («Nennwörter») nas línguas naturais. Desta forma, os deícticos passam a ser também signos linguísticos, integrados em sistemas semióticos específicos, as línguas naturais, sendo o seu funcionamento inseparável do da totalidade. Os principais tipos da deíxis são a pessoal, a temporal e a local. A deíxis pessoal diz respeito à identidade do interlocutor, o que se traduz nos pronomes eu, tu, ele, nós, etc. Os pronomes pessoais, sujeito e complemento da primeira e da segunda pessoas gramaticais, constituem os deícticos por excelência. Em termos da teoria formal enunciativa, eu marca a localização com valor de identificação e tu marca a mesma localização, mas com valor de diferenciação – só se sabe a quem se refere, tendo conhecimento da situação de comunicação. A deíxis temporal diz respeito à orientação do tempo, estando presente nos advérbios temporais, como hoje, ontem, amanhã, etc., a deíxis local refere-se à orientação espacial do interlocutor. As expressões deícticas de local encontram-se nos advérbios de lugar como aqui, ali, além, etc.; nas preposições de lugar como à frente, atrás e nos pronomes demonstrativos (este, aquele). Dentro desta temática, V. Ehrich distingue ainda o sistema de referência posicional (aqui, ali, além) e o dimensional (à frente, atrás, à esquerda, à direita, em baixo). A diferença reside no facto de apenas na deíxis dimensional a orientação desempenhar um papel, tendo ambos os sistemas em comum o facto da referência deíctica ser dependente da posição do falante e do ouvinte. E. Bechara distingue outros tipos de deíxis, como a anafórica e a catafórica, a deíxis ad locus e a contextual. A deíxis anafórica remete para um elemento já enunciado ou concebido; na deíxis catafórica o elemento ou não foi referido ou está ausente no discurso. Por sua vez, a deíxis contextual aponta para um elemento inserido no contexto, como os pronomes relativos. Sempre que um elemento seja presente ao falante fala-se em deíxis ad locus. Nesta perspectiva, torna-se relevante referir K. Brugmann, que, em 1904, estabeleceu quatro tipos de deíxis em relação à posição do falante, nomeadamente, ‘este-deíxis’, ‘eu-deíxis’, ‘tu-deíxis’ e ‘aquele-deíxis’. K. Bühler acrescenta ainda uma deíxis espacial, a ‘deíxis em fantasma’, que refere indicadores do reino ausente ou da fantasia (mas recordado pelo narrador e transmitido ao ouvinte). Assim, o ouvinte consegue ver e/ou ouvir os indicadores que o narrador está a transmitir. Devido às dúbias interpretações que as expressões deícticas suscitam, muitos são os equívocos que surgem na comunicação (escrita ou oral). De modo a evitar tal ocorrência, tem de ser garantida a informação precisa ao leitor/ouvinte quanto à situação de comunicação para poder localizar os referentes dessas expressões. Na terminologia linguística portuguesa, Herculano de Carvalho foi o introdutor dos termos «deíxis» e «deíctico»: “Temos finalmente a significação deíctica ou mostrativa (a deixis), a qual consiste na significação realizada por certas formas linguísticas que equivalem a um gesto ou, melhor ainda, o acompanham ou esclarece, mostrando um objecto pertencente ao contexto real (extra-verbal), ou que já foi ou vai ser imediatamente mencionado no contexto verbal.” (Teoria da Linguagem, Tomo I, Atlântica Editora, Coimbra, 1967, p.209). Apesar do rigor da definição, a mesma erra por não lhe identificar o papel de sui-referencialidade da linguagem numa teoria de significação linguística. {bibliografia}Herculano de Carvalho: Teoria da Linguagem (1967); H. C. Campos e M. F. Xavier: Sintaxe e Semântica do Português (1991); Fernanda Irene Fonseca: Deixis, Tempo e Narração (1992); V. Ehrich: Hier und Jetzt. Studien zur lokalen und temporalen Deixis im Deutschen (1992); Monika Schwarz e Jeannette Chur: Semantik (1993); Peter Rolf Lutzeier: Lexicologie (1995); Angelika Linke: Studienbuch Linguistik (1996); Jörg Meibauer: Pragmatik (2001); http://www.sil.org./linguisticos/GlossaryofLinguisticsTerms/What]sDeixis.htm http://www.gxnu.edu.cn/Personal/szlin/deixis.html

2009-12-30 05:44:00
2009-12-30 05:44:00
DELIMITAÇÃO
DELIMITAÇÃO

Processo de redução, numérica ou não, de uma classe de referentes de um signo. Um exemplo de delimitação não numérica é a redução de mesas a algumas mesas ou poucas mesas. Neste exemplo, a delimitação numérica obrigaria a uma definição exacta do número de mesas (duas mesas, cinco mesas, etc.).

2009-12-30 05:45:29
2009-12-30 05:45:29
DENOTAÇÃO
CONOTAÇÃO
DENOTAÇÃO

Se denotação pode ter uma definição simples, podemos dizer que se trata do uso da palavra em seu sentido usual ou literal. O valor referencial ou denotativo da linguagem ocorre, portanto, quando lhe atribuem o sentido dos dicionários, quando designa determinado objeto, referindo-se à realidade palpável.
Para compreender melhor o exposto, é preciso nos determos rapidamente nos conceitos de significante e significado. O signo linguístico é constituído por duas partes distintas: uma perceptível, constituída de sons e outra parte inteligível, constituída de um conceito. A primeira parte é o significante, a segunda é o significado. É a relação existente entre esses dois planos que chamamos significado. O significado  denotativo é aquele conceito que um certo significante evoca no receptor.
A linguagem denotativa é informativa, ou seja é informação bruta com o objetivo de informar, encontrada, por exemplo, em bulas de remédios, como vemos a seguir:
“Uso oral adultos: 1 colher das de chá (5g) de Eno dissolvida em 2/3 de um copo de água (200ml). Crianças: entre 4 e 6 anos, 1/3 da dose para adultos; acima de 6 anos, a metade. (Posologia do Antiácido sal de fruta Eno constante nos rótulos do produto)
Reparemos nas especificações, pois na linguagem denotativa não deve haver espaço para duplo sentido: a colher é de chá, com medida especificada; o copo é de 200 ml; a idade das crianças está detalhada, tudo porque a bula busca objetividade de expressão da mensagem.
Embora na teoria dizemos que, assim como a bula, o jornal utiliza a linguagem no sentido denotativo – pois seu objetivo é informar – ocorre cada vez mais o uso conotativo (figurado) em um espaço antes privilegiado da denotação.
Em manchete sobre jogo, jornal afirma: “Raposa joga para ter 1ª colocação geral”. Reparemos que o título fez uso de conotação ao utilizar a metonímia raposa – animal símbolo e mascote do time de futebol  Cruzeiro Esporte Clube – em vez do nome do time. O jogo será disputado na realidade pelo time do Cruzeiro. (Jornal Super Notícias, número 3259, quarta-feira, 13 de abril de 2011, pág. 28).
Voltando à denotação, duas palavras podem ter a mesma denotação. É o caso de professor e docente. As duas palavras são significantes diferentes, mas com significados parecidos, por isso dizemos que denotam o mesmo significado. É preciso, no entanto, atentar para o caráter cultural da linguagem. As palavras senhora, esposa e mulher denotam praticamente o mesmo significado, mas possuem conteúdos conotativos diversos se pensarmos no prestígio que cada uma evoca.
Podemos afirmar que denotação é o sentido literal, aquele que consta nos dicionários, mas com a ressalva importante: cada vez mais os dicionários modernos contemplam também os sentidos conotativos dos verbetes, numa demonstração clara de que a língua e a linguagem são flexíveis, mutáveis e evoluem no tempo e no espaço.
{bibliografia}
FIORIN, José Luiz; SAVIOLI, Francisco Platão, Para entender o texto: leitura e redação. Editora Ática: São Paulo, 8ª ed. Pág. 110-119.

2010-01-01 12:35:52
2010-01-01 12:35:52
DÉNOUEMENT (ANTICLÍMAX)

Termo francês que traduz uma espécie de anticlímax ou momento de pausa no desenrolar da acção principal, o constituiu uma involução de efeitos secundários na economia de um texto teatral, onde é habitual o seu uso, por oposição ao momento mais intenso da acção, conhecido por clímax. Pode ser utilizado na narrativa, quando o desenvolvimento da acção principal é interrompido por episódios fugazes, digressões ou descrições secundárias ou qualquer outro elemento de involução. Em regra, fala-se de dénouement quando o narrador preparou o leitor para um ponto culminante que não se chega a revelar, sendo a conclusão (em Inglês, é normalmente traduzido por outcome), previsível, sem qualquer tensão dramática.

2009-12-30 05:46:30
2009-12-30 05:46:30
DESAUTOMATIZAÇÃO
ACTUALIZAÇÃO, ESTRANHAMENTO, FORMALISMO RUSSO
DESAUTOMATIZAÇÃO

Conceito do formalismo russo e da Escola Estruturalista de Praga que traduz o conjunto de procedimentos que a linguagem literária efectua para produzir o estranhamento (ostranenie) da mensagem, cuja apreensão fica assim desligada dos automatismos que dominam o uso comum da língua. Dentro de uma determinada tradição literária e recorrendo a certos artifícios verbais, um escritor procura dar um sentido particular à linguagem comum, não permitindo que ela fique sujeita a automatismos que impedem a boa comunicação (interrupções do discurso, pausas, gestualização, ruídos de fundo, etc.). Depois de desautomatizar a linguagem, o escritor procurará colocar a ênfase na forma das frases, sem deixar que prevaleça a sua referencialidade. O processo de desautomatização não está circunscrito a uma regra universal e intemporal, pois está intimamente relacionado com o contexto em que ocorre: a desautomatização que os poetas barrocos fizeram para produzir textos poéticos rebuscados e herméticos já não faz sentido para os poetas românticos,que buscaram modos diferentes de construção da mensagem poética. O termo desautomatização serve hoje também para traduzir um outro conceito do estruturalista checo Jan Mukarovský: aktualisace ou "actualização", de sentido análogo ao conceito dos formalistas russos, tal como o conceito de desfamiliarização ou estranhamento. A actualização fica restrita aos efeitos estilísticos que ocorrem na literatura, no nível fonético e no nível semântico. Segundo Mukarovský, o que distingue a actualização, desfamiliarização ou desautomatização (termo traduzido muito cedo para inglês por foregrounding) do processo de automatização é o seguinte: "foregrounding may occur in normal, everyday language, such as spoken discourse or journalistic prose, but it occurs at random with no systematic design. In literary texts, on the other hand, foregrounding is structured: it tends to be both systematic and hierarchical. That is, similar features may recur, such as a pattern of assonance or a related group of metaphors, and one set of features will dominate the others" (Mukarovský, 1964, p. 20). Na literatura, onde a comunicação verbal não é o principal objectivo do uso referencial da linguagem, o processo de desautomatização serve para anular os automatismos da linguagem quotidiana: "Foregrounding is the opposite of automatization, that is, the deautomatization of an act; the more an act is automatized, the less it is consciously executed; the more it is foregrounded, the more completely conscious does it become. Objectively speaking: automatization schematizes an event; foregrounding means the violation of the scheme." (1964, p. 19). Isto pressupõe que a literatura seja avaliada apenas pela sua realidade estilística e não como um acto de comunicação simples. Esta tese é similar à defendida anteriormente por Viktor Shklovsky, o formalista russo que também se pronunciou sobre os efeitos do estilo no leitor, em última análise efeitos que nos permitem ter uma "visão" perceptiva do objecto literário. É a esta "visão" singular que também chamamos desautomatização. Para Shklovsky, a arte existe para apreendermos a vida: "it exists to make one feel things, to make the stone stony. The purpose of art is to impart the sensation of things as they are perceived and not as they are known. The technique of art is to make objects "unfamiliar," to make forms difficult, to increase the difficulty and length of perception because the process of perception is an aesthetic end in itself and must be prolonged. (1917/1965, p. 12). {bibliografia}J. Mukarovský: "Standard language and poetic language" (1932), in P. L. Garvin (ed.), A Prague School Reader on Aesthetics, Literary Structure, and Style (1965); id.: The Word and Verbal Art (1977); T. Todorov: Teoría de la literatura de los formalistas rusos (1965; 6ªed., 1991); V. Erlich: Russian Formalism: History — Doctrine (1981); V. Shklovsky: "Art as technique" (1917), in L. T. Lemon & M. J. Reis (eds. e trads.): Russian Formalist Criticism: Four Essays (1965); W. Van Peer: Stylistics and Psychology: Investigations of Foregrounding (1986) http://www.ualberta.ca/~dmiall/reading/foregrd.htm

2009-12-30 05:47:19
2009-12-30 05:47:19
DESCENTRALIZAÇÃO DO SUJEITO (1)
ALTERIDADE, DESCONSTRUÇÃO, DETERMINAÇÃO / INDETERMINAÇÃO, JOGO (1), PÓS-ESTRUTURALISMO, SENTIDO, SUJEITO

Termo de aplicação universal nas ciências humanas e sociais, mas com um significado particular nas teorias pós-estruturalistas da literatura, onde serve para traduzir a distância que separa o sujeito do texto. A conferência que Jacques Derrida pronunciou em 1966, na Johns Hopkins University, “La structure, le sign et le jeu dans le discours des sciences humaines”, pode funcionar como ponto histórico de referência na discussão do conceito. De notar que essa conferência marca não só o primeiro momento do pós-estruturalismo nos Estados Unidos como se trata do primeiro texto de crítica ao estruturalismo literário e cultural, que claramente aponta um novo caminho e que, por pretender ultrapassar o estruturalismo e por não se ter encontrado melhor termo até à data, se convencionou chamar pós-estruturalismo. A esse ensaio juntaríamos um outro: “Force et signification”, ambos os textos incluídos na colectânea: L’Écriture et la différence (1967). Noutro livro fundamental aparecido no mesmo ano, De la grammatologie, Derrida continua a sua crítica ao estruturalismo observando que, no pensamento ocidental e particularmente no pensamento francês, o discurso dominante continuava a ser o estruturalismo, permanecendo preso da sua estratificação dentro da metafísica, caracterizada pelo logocentrismo. A figura tutelar da estrutura centralizada e o triunfo do conceito de centro ajudaram a fazer desta ideia um lugar comum, porque jamais se aceita que uma estrutura não possua um centro. No pensamento de Derrida, esta ideia do centro representa uma contradição esgotada: para concebermos um centro que constitua um ponto estável de uma estrutura, o centro que ser ao mesmo tempo parte dessa estrutura e estar fora dela. Qualquer que seja a forma que esse centro tomou na cultura ocidental o resultado foi sempre o de uma profunda contradição. {bibliografia}Earl G. Ingersoll: "The Decentering of Tragic Narrative in
George Orwell’s Nineteen Eighty Four", Studies in the
Humanities, 16, 3 (1989);Jacques
Derrida: L’Écriture et la différance (1967);

Kronfeld, Chana: On the Margins of Modernism: Decentering
Literary Dynamics (1996); Linda
Frost: "The Decentered Subject of Feminism": Postfeminism and
Thelma and Louise" in Michael Bernard-Donals e
Richard R. Glejzer (eds.): Rhetoric in na Antifoudantional
World: Language, Culture, and Pedagogy (1998);

Paul B. Dixon: " ‘Decentering’ a Discipline: Recent
Trends in Latin American Literary Studies", Latin American
Research Review, 31, 3 (1996); Perry Meisel: "Decentering
Heart of Darkness", Modern Language Studies, 8, 3
(1978).

2009-12-30 05:48:30
2009-12-30 05:48:30
DESCENTRALIZAÇÃO DO SUJEITO (2)
HIPERTEXTO, PÓS-MODERNISMO, PÓS-ESTRUTURALISMO, SUJEITO

Uma aplicação pós-moderna da ideia de descentralização do sujeito é o conceito e a prática do hipertexto ou texto electrónico: um texto não é mais um alinhamento linear/horizontal/hierárquico de palavras — agora, um texto é um espaço aberto a outros textos entrelaçados e interligados, que podemos navegar, des-construir, re-construir ou abandonar de várias formas. O tempo e o espaço de vida de um texto são marcados hoje pela instabilidade. O sujeito inscrito num hipertexto não mais funciona como o seu centro estável e referenciável, como acontece num texto impresso tradicionalmente. A virtualidade de um texto é então sinónimo do processo de descentralização do sujeito desse texto com o produto criado. O facto desse texto poder ser manipulado electronicamente por qualquer outro sujeito (leitor, autor ou ambos ou mesmo nenhum) conduz à possibilidade (não virtual) de simples destruição da marca de subjectividade original — o leitor de um dado hipertexto pode superar a marca de subjectividade nele anteriormente inscrita e colocar a sua própria marca, e assim indefinidamente. Este fenómeno acentua, naturalmente, a ideia de uma distância irreversível do sujeito com o texto. {bibliografia} http://tempest.english.purdue.edu/NA/na.5.subjectivity.html

2009-12-30 05:56:08
2009-12-30 05:56:08
DESCENTRALIZAÇÃO DO SUJEITO (3)
DESTERRITORIALIZAÇÃO, TEORIA CRÍTICA

Na teoria
cultural de Habermas, o conhecimento é determinado pelas
condições socio-históricas que o enformam. O indivíduo é parte
de uma vivência universal e pertence a uma tradição cultural e
linguística na qual está obrigado a participar. Esta vivência
universal possui três dimensões: 1) o mundo objectivo dos factos
que existem independentemente do homem e que constituem a
referência fundamental para a determinação da verdade; 2) o
mundo social das relações intersubjectivas; 3) o mundo
subjectivo das experiências privadas. Para Habermas, a
descentralização do sujeito conquista-se quando o indivíduo
consegue diferenciar-se destes três modos de existência. A
descentralização permite então compreender a diferença entre
certos valores como a justiça, a verdade e o gosto, em vista das
suas concretizações sociais e culturais.

Comentando esta tese, Benjamin Endres, em "Habermas and Critical
Thinking," (1997) (http://www.ed.uiuc.edu/PES/96_docs/endres.html),
resume assim as limitações da teoria de Habermas: "Yet there
seems to be a tension in Habermas’s theory surrounding the
concept of decentering. On the one hand, Habermas recognizes
people as embedded in their personal and social history. On the
other, his theory seems to ask that rational and moral people
give up these prior commitments and consider them hypothetically
when arguing with others about the acceptance of a norm. Yet how
far does Habermas think people can go in giving up personal and
cultural identities in favor of "the force of reason?" In some
places, he is adamant about the historically and culturally
defined nature of human action. Habermas sees himself clarifying
everyday intuitions that are themselves socialized and
historically grounded. (…) Though he does not sacrifice the
primacy of social-historical contexts in determining our
knowledge, he places especially rigorous expectations on
individuals within particular contexts to achieve a
disinterested perspective. Furthermore, he proposes informal
logic as a model for human reasoning, which combines the
consideration of substantive content with the requirements of
logical validity. By adopting this formal methodology, he
believes that participants in argumentation are able to assume
the perspectives of everyone else affected by the practice. This
universal exchange of roles requires that individuals step
outside of their own perspectives to consider the needs of
others while attuning themselves to the requirements of logical
reasoning.".
Para a
continuação deste debate, ver o artigo de Mark Weinstein "Decentering
and Reasoning", em resposta a Endres (http://www.ed.uiuc.edu/PES/96_docs/weinstein.html).{bibliografia}Jürgen Habermas, The Theory of Communicative Action, vol. 2: Lifeworld and System: A Critique of Functionalist Reason (1987)

2009-12-30 05:58:30
2009-12-30 05:58:30
DESCONSTRUÇÃO
APORIA, BRISURE, DIFFÉRANCE, DISSEMINAÇÃO, GRAMATOLOGIA, LOGOCENTRISMO, MARCA, MISREADING, PÓS-ESTRUTURALISMO, SUPLEMENTO
DESCONSTRUÇÃO

Termo proposto pelo filósofo francês Jacques Derrida, nos anos sessenta, para um processo de análise crítico-filosófica que tem como objectivo imediato a crítica da metafísica ocidental e da sua tendência para o logocentrismo, incluindo a crítica de certos conceitos (o significado e o significante; o sensível e o inteligível; a origem do ser; a presença do centro; o logos, etc.) que tal tradição havia imposto como estáveis. Do ponto de vista da análise textual, a desconstrução (termo que deve traduzir o original francês “déconstruction”, evitando a tradução por “desconstrucionismo”, porque não representa nenhuma proposta de escola de pensamento, movimento ou estética literária em particular e marcando-se assim a diferença com o movimento a que se chama desconstrutivismo na arquitectura contemporânea) tornou-se sinónima de leitura cerrada de um texto (literário, filosófico, psicanalítico, linguístico ou antropológico) de forma a revelar as suas incompatibilidades e ambiguidades retóricas, demonstrando que é o próprio texto que as assimila e dissimula. A desconstrução começa por ser uma crítica do estruturalismo, tornada pública numa célebre conferência de Derrida na Universidade de Johns Hopkins, nos Estados Unidos, em 1967, com o título “La structure, le signe et le jeu dans le discours des sciences humaines”. Se o estruturalismo pretendia construir um sistema lógico de relações que governaria todos os elementos de um texto, a desconstrução pretendia ser uma crítica do estruturalismo, que não passava apenas de um dos episódios da tradição metafísica ocidental que merecia ser revisto. Partindo do método especulativo de Nietzsche, da fenomenologia de Husserl e da ontologia de Heidegger, Derrida apresenta a tese inicialmente nas obras L´Écriture et la différence (1967) e De la gramatologie (1967), e tem rejeitado desde então qualquer definição estável ou dicionarizável para aquilo que se entende por desconstrução. A própria compreensão da desconstrução como método crítico ou modelo de análise textual nunca foi reconhecida por Derrida. A divulgação das ideias de Derrida nas Universidades de Johns Hopkins e de Yale, nos Estados Unidos, onde o filósofo francês conferenciou, contribuiu para o alargamento da discussão aos estudos literários, impondo-se internacionalmente como um método de análise textual, apesar das reservas de Derrida. A obra colectiva Deconstruction and Criticism (1979), que inclui ensaios programáticos de Jacques Derrida, J. Hillis Miller, Harold Bloom e Geoffrey Hartman, assegurou a obra de referência que faltava para tal divulgação internacional.
A desconstrução foi enquadrada no chamado pós-estruturalismo, primeiro movimento de auto-crítica e depois movimento de ruptura com o estruturalismo, e divulgou-se de forma mais insistente nos meios universitários norte-americanos, onde conheceu amplos debates nas décadas de setenta e oitenta, sobretudo.
Desconstruir um texto é fazer com que as suas palavras-charneira subvertam as próprias suposições desse texto, reconstituindo os movimentos paradoxais dentro da sua própria linguagem. Derrida fez repensar a forma como a linguagem opera. Desconjuntando os valores de verdade, significado inequívoco e presença, a desconstrução aponta para a possibilidade de escrever não mais como representação de qualquer coisa, mas como a infinitude do seu próprio “jogo”. Desconstruir um texto não é procurar o seu sentido, mas seguir os trilhos em que a escrita ao mesmo tempo se estabelece e transgride os seus próprios termos, produzindo então um desvio [dérive] assemântico de différance. Todo o signo só significa na medida em que se opõe a outro signo, por isso se pode dizer que é essa condição da linguagem que constantemente diferencia e adia os seus componentes que concede significância ao signo. Estas teses foram consolidadas por Roland Barthes numa fase já pós-estruturalista, que começa com o artigo “A morte do autor” (1968) e continua nos livros S/Z (1970) e O Prazer do Texto (1973). A teoria de Barthes aproxima-se da de Derrida: a leitura crítica de um texto literário não objectiva um sentido único mas a descoberta da sua pluralidade de sentidos.
O interesse de Derrida no texto literário advém do facto de certos textos transgredirem os limites tradicionais de representação da literatura. A perspectiva do crítico literário em relação à desconstrução é um pouco diferente, pois não está imediatamente preocupado com o facto de certos textos postergarem as categorias da metafísica ocidental mas preocupa-se antes com as propriedades singulares da escrita em si. Quer se seja contra ou a favor de Derrida, há que aceitar que, enquanto método de análise textual, o modelo desconstrucionista que ele propõe funciona efectivamente, obrigando-nos a repensar a forma como o texto é formulado. Se tomarmos em consideração as proposições dissimuladas ou impronunciadas no texto, se revelarmos os buracos negros do texto e os seus suplementos ou contradições internas de maior subtileza, o texto pode significar algo muito diferente daquilo que a princípio parecia querer dizer. Em dadas circunstâncias, um texto pode não querer dizer algo em particular mas várias coisas muito diferentes entre si e em relação ao sentido assumido à partida, eventualmente, pelo autor desse texto. Mostrando os efeitos de différance (o sentido é constantemente diferido e distinguido, inscrevendo-se na cadeia infinita de significados que constitui o texto), marca (nenhum signo é completo em si mesmo, pois remete infinitamente para outro signo através das marcas — conotações, por exemplo — que lhe são inerentes) e disseminação (ou difusão ou propagação dos sentidos num texto, não sendo possível agrupá-los num só nem exercer qualquer espécie de controlo sobre todos os sentidos encontrados ou por encontrar), Derrida mostrou-nos que o texto pode dizer a sua própria história, deixando então entrever um novo texto, que, por sua, está sujeito a idêntico trabalho desconstrucionista, permitindo um retorno dialéctico infinito ao texto. Nesta técnica de leitura, não se valida o antigo pressuposto do New Criticism dos anos 40 e 50 de que o sentido está contido no texto e pode ser controlado, pois ele coexiste e participa no jogo linguístico, que não pode nunca garantir o absolutismo (ou presença) de um sentido (ou interpretação) em relação a outros sentidos (interpretações). A intenção do autor fica sempre dissolvida no jogo diferencial/protelador (jogo da différance) dos significantes.
A proposta de desconstrução do texto introduzida por Derrida foi particularmente bem recebida nos Estados Unidos, como se disse atrás. A chamada Escola de Yale, onde Derrida ensinou, revelou nos anos 70 alguns dos principais teóricos da literatura de hoje: Paul de Man, Harold Bloom, J. Hillis Miller e Geoffrey Hartman. A Escola de Yale desenvolveu não só a filosofia desconstrucionista mas também os estudos freudianos aplicados à literatura. Duas obras iniciais marcaram a actividade e afirmação dos críticos de Yale: Blindness and Insight (1971), de Paul de Man, e The Anxiety of Influence (1973), de Harold Bloom. Paul de Man, que contribuiu decisivamente para um novo rumo para a desconstrução de Derrida, toma o texto literário como um conjunto de potenciais oposições internas que hão-de conduzir irremediavelmente a uma aporia ou impasse; nesse momento, o texto obriga a uma tomada de decisão crítica perante as duas leituras opostas e, quase paradoxalmente, uma leitura desconstrucionista será aquela que não deixar que tal decisão penda para qualquer dos lados. Um outro livro de Paul de Man, Allegories of Reading (1979), dá melhor conta desta engrenagem técnica, assumindo que toda a leitura é necessariamente retórica, por isso sujeita a diferentes interpretações. Estudando a linguagem simbólica romântica, de Man conclui que o figurativo não é um exclusivo da linguagem poética mas de toda a linguagem, que é, por definição, alegórica, portanto, irrepresentável estruturalmente.
A tese de Harold Bloom em The Anxiety of Influence resume-se a uma polémica perspectiva que prevê que um poeta ou escritor age sempre em função de um modelo literário que lhe é anterior, um grande “precursor”, que ele tem que “enfrentar”, para resolver a angústia dessa influência, a qual, em termos radicalmente freudianos, exige igualmente a substituição do próprio modelo inspirador ou “pai”. Desta forma, também não existem interpretações desubjectivadas, mas sim tergiversações ou misreadings de leituras anteriores.
Em Saving the Text – Literature/Derrida/Philosophy (1981), Geoffrey Hartman procurou fazer vingar a desconstrução de Derrida, explorando as potencialidades das leituras cerradas no estilo derridiano, destancando o(s) livro(s) inqualificável(eis) e intraduzível(eis): Glas, que considera um acontecimento ímpar na história literária. Contudo, as leituras que noutras obras faz de Wordsworth ou Shakespeare, por exemplo, revelam que Hartman não perdeu totalmente de vista uma forma de abordagem textual mais directamente interpretativa do que desconstrucionista.
J. Hillis Miller, que só na década de 80 publicará um livro de referência como Fiction and Repetition: Seven English Novels (1982), divergiu do dogma estruturalista da possibilidade de um conhecimento sistemático do texto. Miller usou recorrentemente a noção de abyss structure (ou mise en abyme) para mostrar como a linguagem está permanentemente sujeita aos jogos linguísticos. Além disso, a desconstrução não é tanto um método de análise literária, mas algo que o texto já fez a si próprio. O texto já está de alguma forma desconstruído quando o vamos ler. Resta ao crítico descobrir e usar a engrenagem retórica que o texto esconde. Alguns críticos derridianos defendem que a desconstrução é uma associação entre interpretação e semiótica, para determinar como é que um texto significa, mais do que uma prática hermenêutica que vise determinar o que é que significa. Mais recentemente, em The Linguistics Moment – From Wordsworth to Stevens (1985), Hillis Miller tentou distanciar-se de certas aproximações da desconstrução à hermenêutica, considerando a prática desconstrucionista ou interpretação retórica como uma prática crítica, que não se identifica nem com uma hermenêutica nem com uma poética.
Depois de Gadamer e na esteira de Paul de Man, Paul Ricoeur e William V. Spanos, editor de uma das mais radicais revistas pós-estruturalistas, boundary 2, tem-se descrito igualmente a desconstrução como uma hermenêutica negativa, isto é, um projecto que não vise restaurar o sentido de um texto perdido na história, mas antes recorrer a conceitos modernos para abalar ou questionar criticamente tal sentido histórico. Ricoeur, um filósofo fenomenologista que virá a ter grande influência na mais recente teoria literária — autor de La Métaphore vive (1975), Temps et récit, 3 vols. (1983-85) e Soi-même: Comme un autre (1990); em tradução portuguesa, destacamos: O Conflito das Interpretações: Ensaios de Hermenêutica (1ªed., 1969) e Do Texto à Acção: Ensaios de Hermenêutica II (1986) —, reclama uma hermenêutica que não mais se reduza à idolatração deste autor ou daquele texto.
A relação do que se entende por pós-estruturalismo com a questão da interpretação textual está, pois, longe de ser mais consensual do que antes, durante as discussões no seio do New Criticism norte-americano e do estruturalismo francês sobre o valor da interpretação na teoria literária. No ensaio “Tradition and Difference” (Diacritics, 2, 1972), Hillis Miller, seguindo a lição de Nietzsche já salientada por Derrida na conferência de 1966, na Johns Hopkins University, repete que o mesmo texto permite várias interpretações e que nenhuma interpretação pode ser absoluta ou “correcta”. M. H. Abrams, crítico da tradição historicista, manifestou a sua discordância quer em relação a Derrida quer a Hillis Miller, no ensaio “The Deconstructive Angel” (Critical Inquiry, 3, 1977), sustentando que tal premissa era falsa, pois implica que toda e qualquer interpretação histórica e racional esteja errada à partida. Frederic Jameson, um crítico do marxismo literário, no livro The Political Unconscious, salienta que a actividade hermenêutica ou interpretativa é um dos principais objectivos do pós-estruturalismo de origem francesa. Jonathan Culler, inicialmente estruturalista convicto e, depois de On Deconstruction (1983), continua contrário à interpretação, tal como procedia enquanto estruturalista. David Lodge, num artigo importante, “Deconstruction”, publicado no Guardian (8-4-1988), concorda que a desconstrução abre o texto a múltiplas interpretações. Publicando The Critical Difference: Essays in the Contemporary Rhetoric of Reading (1980) e A World of Difference (1987) , uma das mais recentes teóricas da desconstrução aplicada à literatura, Barbara Johnson, assumida discípula de Paul de Man, ofereceu-nos uma série de leituras desconstrucionistas de Roland Barthes, Herman Melville, Edgar Allan Poe, Jacques Lacan e Jacques Derrida, que se tornaram clássicas no género, alargando o âmbito da desconstrução a outras questões como a crítica feminista, as políticas do género ou as diferenças raciais e sexuais.
Os críticos da desconstrução de Derrida têm fundamentado as suas observações sobretudo no estilo hermético e excessivamente retórico do filósofo francês, que se entretém com complexos jogos de linguagem e engenhosos conceitos. Mas Derrida defende que o jogo faz parte da própria natureza da linguagem. Outra crítica comum consiste no grau de arbitrariedade que a desconstrução implica: se a linguagem e a metafísica são estruturadas pelas diferenças, não é possível fundar nenhum tipo de critério ou criar uma referência que sirva de orientação no processo de interpretação de uma obra de arte, por exemplo, o que significará sempre que tudo é aparentemente permitido e nada permanece: nem o sentido do texto, nem o autor, nem a autoridade do leitor. Esta posição deriva de um entendimento da desconstrução como mera destruição do texto, correlação que os desconstrucionistas se têm esforçado por negar.
{bibliografia}
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2009-12-30 05:59:42
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