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MADRIGAL
MADRIGAL
CANÇÃO, CANTIGA, MONODIA, POLIFONIA, TEATRO MUSICAL, VERSIFICAÇÃO
MADRIGAL

[Do it. madrigale (A. Coelho), M. Lübke 5;290, que tira do it. a forma espanhola e a do francês antigo, rejeita o étimo de Diez, Dic.,109, mandriale, canto de pastor. Outros (Delâtre) derivam do esp. madrugar, canto da manhã; outros, de martegal, canto dos provençais (Larousse) ] 1. Na lição de Wolf, “El madigal, la ballata y la caccia son las formas que estos maestros italianos del trecento cultivaron preferentemente llevándolas a un grado de alta perfección; el madrigal es una canción que la madre canta a sus hijos o una canción de pastor: la ballata una canción de danza, como lo indica su nombre; la caccia, o caza, una canción narrativa en la que los aconteciementos se desenvuelven con rapidez. Muy especialmente interesantes son aquellas caccias que se adornan com los gritos de vendedores callejeros, en los que con seguridad está fielmente reproducida la cantilena com que anunciarían sus mercaderías estos vendedores ambulantes. Hacen un bonito pendant con los gritos de los vendedores de París, que Jannequin, en el siglo XVI empleó en uno de sus motetes (Voulez ouyr les cris de Paris).” Quando a música estava em pleno apogeu na escola holandesa quando a arte nacional da Itália, fins do século XV, tem grande aceitação com uma arte da canção totalmente popular. Mário de Andrade escreve “ de Veneza, o madrigalismo itálico penetra na Canção alemã. Na Espanha, se originando dos Hinos latinos e dos cantos árabes, surge o Romance, desmembrado em Cantigas, Tonadas, Vilhancicos e outras formas, desenvolvendo o emprêgo nacional da Vilhuela, e, do século XVII em diante, da Guitarra. Inspirado nos diálogos do Romance, Juan del Encina funda o teatro musical ibérico. Na Inglaterra a Canção também se impregnou de Madrigalismo.” (Pequena História da Música, São Paulo, Livraria Martins Ed., Obras Completas, vol. VIII, pp.68-72, 1946). Os ingleses são mais intimistas, menos luminosos e tão perfeitos como os itálicos do tempo. M. de Andrade lembra que o conceito harmônico já estava estabelecido na península itálica desde o século XV, com as canções profanas. “Destas, a Frottola, amorosa, com estrofe e refrão. Surgida diretamente da fonte popular solista, os artistas que fixaram a Frottola na música erudita, lhe deram uma polifonia simples, no geral nota contra nota, provàvelmente instrumental (alaúde, címbalo, harpa), já tipicamente função acompanhante, desprovida de canto-firme circulatório, e com a melodia no agudo, pra ser distinguida bem.” Mário enfatiza ser curioso o fato de que os músicos mais notados criadores do Madrigal, forma típica da polifonia racial italiana, são todos flamengos ou franceses, vivendo então por lá. Afirma, também, que no côro de cinco partes, as vozes movem inteiramente livres, sem canto-firme, cada parte com seu tema. “Por momentos aparece a escritura acordal. Isso é raro. Mas o conceito monódico predomina com a prevalência, não só natural, mas procurada da voz superior. É a “ monodia na polifonia”, utilizando a espressão de Alfredo Einstein. Praticamente polifônico, acena já para a harmonia, e é um dos teóricos dêle, Zarlino, quem prega pela primeira vez a excelência da Tríade Tonal, base da Tonalidade, base da Harmonia.” 2. Peças sensíveis, na maioria em três vozes, letras claras, estilo mais harmônico do que contrapontístico. Aparece, primeiramente, em Padua e Veneza, depois em Mantua e em Ferrara nas cortes de Gonzaga e nas do Leste. Cresce paralelamente com “uma nova forma poética de nome frottola. Wolf ensina: Compõe-se de octosílabos trocaicos y reproduce al final de la estrofa una parte del estribillo.” A frottola cresce em importância cantada em sociedade, no fim do século XV. Ao período dos frottolistas segue o dos madrigalistas. Pietro Cerone, diz que o madrigal outra coisa não é, senão, uma frottola elevada a uma categoria artística superior, assim como um madrigal de pouco valor artístico seria uma frottola. “La forma literaria del madrigal del cinquecento, con su estructura libre de 5 a 16 versos de 7 a 11 sílabas, se prestaba de modo estraordinario para la composición.” A produção madrigalesca começa no primeiro terço do século, e sua invenção é atribuída a Adrián Willaert (1490-1562). Este maestro foi quem deu um magnífico vôo à música de Veneza. Harmonia e cromatismo convertem-se em elementos essencialmente expressivos. Os madrigais de Willaert do ano de 1536 apresentam a característica de exata declamação musical e de brilhantes efeitos de sonoridade vocal. Foi superado por seu discípulo Cipriano de Rore. Este em completa concordância com as correntes renacentistas, a caracterização musical da palavra e o que mais importa. Exemplificamos com o seu madrigal Dalle belle confrade. Foi chamado pelos teóricos de precursor de Monteverdi, o maestro da ópera veneziana. O madrigal cromático tinha como objetivo reviver a teoria musical dos gregos. Surge uma forma intermédia entre a profana e a religiosa, o madrigali sirituali, sobre textos italianos de Filipo Neri, do qual nasceu o oratorio em Roma. Joaquim Zamacois, em Curso de Formas Musicales, Diretor do Conservatório Municipal de Barcelona, explica, toda canção realizada dentro das característica de música polifônica é uma canção polifônica. Porém, quando é escrita para um conjunto de vozes humanas (estilo = a capella) que floresceu nos séculos XV e XVI, mas quando se converteu em polifonia profana, acrescida de uma manifestação mais refinada, tem-se o Madrigal. Acrescenta: “La denominación Madrigal expresa, en la terminologia poética, una forma de poesía lírica debida a los clásicos italianos de siglo XIV.” (p.239). Se é difícil separar canção polifônica e madrigal, este ao simplificar sua escrita e orientar- se para o popular ( para distanciar-se da peça litúrgica Motete), aproximou-se da Canção. Mas, ensina-nos o Maestro Zamacois, o Madrigal deve ser logicamente considerado “como posterior a ella y representando su continuación en la historia de la polifonía profana. El Madrigal consiste en una composición para voces “ a capella ‘, sobre poesía de asunto profano, que la música procura expresar com la mayor fidelidad posible. Palestrina escreveu alguns Madrigais espirituais – gênero intermédio entre o profano e o religioso – sobre textos de San Felipe Neri.” Afrânio Coutinho, no verbete MADRIGAL (Enciclopédia de Literatura Brasileira. Rio de Janeiro, MEC / FAE, 1990. V. 2, pp. 842), registra: “no Brasil como na Espanha, é uma composição em decassílabos e hexassílabos livremente dispostos e rimados: neles se expõe um pensamento delicado (Tomás Navarro). Os exemplos mais flagrantes em nossas letras são o de Manuel Botelho de Oliveira que tem vários madrigais em suas rimas portuguesas, castelhanas e italianas; em português 23, todos com o dístico final, e o de Silva Alvarenga que em sua Glaura compôs 57 madrigais, de 8 a 11 versos mesclados de 10 e 6 sílabas, com esquemas rítmicos variados, mas na grande maioria ostentando um dístico final. Em nossa poesia simbolista surge como título de composição num poema – figura de Da Costa e Silva “ Madrigal de um louco”, e modernamente em Manuel Bandeira, com forma e verso livres, ou em Mário de Andrade (“Madrigal do Truco”), algumas quintilhas com uma sextilha, todas em versos de 7 sílabas e rimas em geral escassas”. {bibliografia}Dr. Johannes Wolf: Historia de la Música com Estudio Critico de «Historia de la Musica Española», por Mn. Higinio Anglês, 4ªed. ver. y ampliada por José Subira (1965, 1ª ed. 1943). Mário Andrade: Pequena História da Música (1946).

2009-12-29 11:58:37
2009-12-29 11:58:37
MAGAZINE
MAGAZINE
CHAPBOOK, REVISTA LITERÁRIA
MAGAZINE

Termo que designa uma publicação periódica, de carácter generalista, com uma capa não cartonada e dirigida, em regra, a um público não especializado. É impresso semanal ou mensalmente. Este tipo de livro costuma conter artigos escritos, fotografias e anúncios sobre um determinado assunto. Também pode ser de interesse apenas para grupos de pessoas que se interessam por determinado assunto (The British Medical Journal). O primeiro magazine apareceu em França, entre 1665 e 1792, editado por Sieur de Hedouville (Jourbal des scavans). Na Alemanha, os periódicos apareceram no final do século XVIII como magazines de informação, evoluindo aos poucos para periódicos literários e científicos. Por altura da II Guerra Mundial, os periódicos serviam como veículos de propaganda ao regime nazi e os tradicionais magazines foram proibidos e destruídos. Na Inglaterra, os magazines apareceram por volta de 1710, tendo o primeiro sido editado por Sir Richard Steele (Tatler, 1709-1711). O primeiro periódico a utilizar o vocábulo magazine, como periódico de entretenimento, terá sido o Gentleman’s Magazine (1731-1868). Durante o século XIX, assiste-se a um aumento deste tipo de periódicos: Household Words (1850-1859) e All the Year Round (1859-1895), editados por Charles Dickens; The Cornhill Magazine (1860-1975), editado por W. M. Thackeray; The Yellow Book (1894-1897), editado por Aubrey Beardsley e Henry Harland. Nos Estados Unidos da América, por volta de 1740, já existiam alguns periódicos que tinham como média de vida apenas dez meses: American Magazine (1741), editado por Andrew Bradford; General Magazine and Historical Chronicle (1741), editado por Benjamim Franklin e Monthly Chronicle (1757-1758), editado por William Bradford, eram os mais conhecidos. Durante a Revolução americana, apareceram outros de grande importância como o Pennsylvania Magazine (1775-1776) e o United States Magazine (1779). Depois da guerra, os periódicos apareceram em grande número. Antes de 1800, já existiam 70 periódicos, sendo os mais notáveis o Columbian Magazine (1786-1792), The Massachusetts Magazine (1789-1786) e o New York Magazine (1790-1797). O magazine americano mais conhecido do princípio do século XIX era a Port-Folio (1801-1827). De entre os magazines americanos que tiveram um período de publicação mais longo, encontra-se Atlantic Monthly (1871-1881), editado por William Dean Howells, Harper’s Magazine e Century Illustrated Magazine (1881). No final do século XIX, encontramos outros magazines que foram consideradas de grande importância devido à sua importante intervenção em campos como a injustiça social, política e económica: McClure’s (1893-1928), Hampton’s Magazine (1898-1912), Cosmopolitan (1886) e Collier’s (1880-1957). Durante o século XX, destacam-se algumos magazines importantes, tais como Life (1936) e Look (1937). No entanto, apesar das suas elevadas publicações, estes magazines, nos anos 60 e 70, perderam alguma da sua importância, devido aos custos de produção e ao aumento das transmissões de televisão. Apesar disto, o magazine Life, voltou a aparecer, em 1978, como magazine mensal. No campo da literatura actual, são hoje referências fundamentais Magazine littéraire (França) e Ler (Portugal), por exemplo.

2009-12-29 12:00:55
2009-12-29 12:00:55
MAGNUM OPUS
OBRA
MAGNUM OPUS

Expressão latina que significa « uma obra de arte de valor excepcional » e que muitas vezes é utilizada para identificar a melhor obra de um autor, por exemplo, Os Lusíadas, de Luís de Camões, ou D. Quixote, de Miguel de Cervantes. É, neste caso, sinónima de obra-prima. Os critérios para decidir a magnum opus de um escritor não se podem fixar, mas são sempre tidos em consideração elementos como a frequência com que a obra é citada e resiste ao tempo, a universalidade e a originalidade do texto, a competência linguística e estilística do autor e a comparação com outras obras do mesmo género e a comparação com todas as obras do mesmo autor. Por vezes, a expressão é utilizada para referir exactamente o seu sentido oposto, em reparos irónicos sobre uma determinada obra de um autor.

2010-06-20 21:34:26
2010-06-20 21:34:26
MAL DU SIÈCLE
DECADENTISMO, SPLEEN
MAL DU SIÈCLE

Na segunda metade do século XIX, sob o signo do espírito decadente que transformou a poesia numa arte de desencanto perante a vida, muitos artistas declararam sofrer do mal du siècle (mal do século), especialmente aqueles que seguiram à letra a mensagem pessimista de Baudelaire. O sentido pejorativo que foi atribuído a todas as formas de decandentismo era assumido como um motivo de orgulho para o artista que pretendia divorciar-se das convenções do ultra-romantismo e do sentimentalismo individual que ainda prevalecia na lírica. Todos sentiam que o seu século estava doente e que o artista era a maior vítima dessa doença global. O jornal Le Décadent, a filosofia de Schopenhaeur e Nietzsche, a música de Wagner, a poesia de Baudelaire, Verlaine e todos aqueles que a história catalogou como poetas malditos, sofrem do mal du siècle, que uma antítese da alegria de viver, bem ilustrada na história trágica que Baudelaire conta de uma mãe que acabara de dar à luz, para seu infortúnio, um poeta. Sentir-se melancólico, entediado, vencido pela vacuidade da vida (ennui), nostálgico ou terrivelmente aborrecido, ser boémio ou andar perdido de tédio são condições necessárias para o diagnóstico do mal du siècle. Os poetas portugueses que mais sofreram desta doença terão sido António Nobre e José Duro.

2009-12-29 12:02:04
2009-12-29 12:02:04
MALANDRAGEM
MALANDRAGEM

a redigir

2015-05-12 20:35:54
2015-05-12 20:35:54
MALAPROPISMO
MALAPROPISMO

verbete por redigir

2011-04-20 22:44:34
2011-04-20 22:44:34
MALLAKA
MALLAKA
CÁSIDA
MALLAKA

Verbete por redigir

2010-01-01 17:01:29
2010-01-01 17:01:29
MALVERSAÇÃO POÉTICA
MISPRISION
MALVERSAÇÃO POÉTICA

Verbete por redigir

2010-01-01 17:02:11
2010-01-01 17:02:11
MAN STUDIES
ANDROCRÍTICA
MAN STUDIES

Verbete por redigir

2010-01-01 17:02:47
2010-01-01 17:02:47
MAN STUDIES
ESTUDOS SOBRE OS HOMENS
MAN STUDIES
2013-12-10 12:27:51
2013-12-10 12:27:51