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Genericamente, apropriação é o acto segundo o qual um sujeito toma posse de algo que não lhe pertencia e o torna próprio. Do mesmo modo, o acto de enunciar implica um processo de apropriação da língua em que o locutor/enunciador constrói um universo de referência discursiva que é parte integrante da enunciação (Benveniste).

Para Roland Barthes, a enunciação contém em si a apropriação do discurso e as ciências humanas deverão ter em conta que a linguagem deverá ser perspectivada em tudo o que faz o real do homem (trabalho, cultura, história, instituições, etc.).

A apropriação é um acto dinâmico na história literária que, no âmbito da produção e da recepção, supõe uma relação entre os discursos e o mundo da história. A apropriação literária implica a renovação de tradições literárias que evoluem num ritmo de continuidade, rupturas, retornos e reactualizações discursivas. É uma apropriação consciente e transformativa dos discursos (das estruturas lexicais, semânticas e imagéticas).Segundo Robert Weimann, a apropriação como um acto na história literária terá de ser definido não só como “actividade de apropriação do texto” mas também como “actividade de apropriação do mundo”. A linguagem actualiza historicamente a existência humana mas também é afectada pelo processo de historicidade enquanto “modo de actualização” da existência humana na sua historicidade específica. Para Paul Ricouer, a apropriação é o processo pelo qual o leitor torna próprio aquilo que em princípio lhe era alheio, actualizando a sua historicidade ou significado do texto.

Em teologia, apropriação designa a atribuição preferencial a uma das pessoas divinas de predicados ou acções comuns a toda a trindade devido a uma afinidade maior entre essa pessoa e tal predicado. Assim, as acções que são obra de poder são atribuídas através da apropriação ao Pai; As acções relativas à inteligência são atribuídas ao Filho; e as acções que são obra de amor são atribuídas ao Espírito Santo.

{bibliografia}

Arturo Araújo Diáz: Apropriação e Representação na Poesia de Cesariny e Rimbaud (1996)

http://www.cirp.es/res/dt/dic/

http://gradeng.en.iup.edu/mhayward/terms.htm