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Obra que reúne alfabeticamente os vocábulos e respectivas explicações, classificação gramatical, pronúncia e correspondência noutras línguas. Esta fórmula de dicionário é geralmente válida para os dicionários de língua, que podem ainda incluir outras informações relevantes como a sinonímia, a etimologia ou as variações dialectais. Distinguem-se facilmente este tipo de dicionários, que constituem, em regra, o léxico de uma língua, de outro tipo igualmente comum: o dicionário técnico-científico, que reúne terminologias específicas de uma determinada área científica, por exemplo, dicionários de termos literários, de termos filosóficos, de psicologia, de direito, de informática, etc.

Dos primeiros dicionários modernos desenvolvidos pelos humanistas (em português, em 1562, D. Jerónimo Cardoso lega-nos um primeiro Dictionarium ex lusitanico in latinum sermonem, 2ªed., 1570), às actuais bases de dados multimedia em CD-Rom ou online, afirma-se uma já rica tradição lexicográfica que tem praticamente o mesmo objectivo: fixar (hiper)textualmente a memória linguística de uma comunidade. Os dicionários de língua podem variar em termos de tratamento da informação lexical: distinguimos, assim, por exemplo, dicionário de sinónimos (os que descrevem os sinónimos, aproximando semanticamente os termos de entrada e os seus correlatos) e thesaurus (os que listam os sinónimos sem os explicitarem). Em ambos os casos, existe um trabalho não especulativo sobre a língua. Um dicionário técnico de um determinado campo epistemológico procede de forma diferente, fixando não só o sentido primário dos termos de entrada mas também explicitando todas as possibilidades de aplicação e contextualização desses termos. As novas possibilidades multimedia e o desenvolvimento da hipertextualidade permitem hoje conceber dicionários abertos, isto é, susceptíveis de permanente e personalizada actualização e capazes de suportar dados complementares de diferentes padrões. Neste capítulo, os dicionários enciclopédicos têm conhecido notável desenvolvimento com actualizações globais que incluem possibilidades de consulta quase ilimitadas através do recurso à Internet, como no caso da Britannica online, por exemplo.

{bibliografia}

AAVV: “Os dicionários que temos e os que deveríamos ter”, in Actas do XI Encontro Nacional da A.P.L. (1996); Luis Fernando Lara: “El discurso del diccionario”, in Estudios de lexicologia y metalexicografia del espanol actual, ed. por Gerd Wotjak (1992); Francisco da Silva Borba e Beatriz Nunes de Oliveira Longo: “Ciência & Arte & Técnica: A Delimitação dos Sentidos num Dicionário”, Alfa, São Paulo, 40 (1996); Josette Rey Debove: “Léxico e Dicionário”, Alfa, São Paulo, 28, supl. (1984); Mário Vilela: Definição nos Dicionários Portugueses (1993).

 

http://www.ced.ufsc.br/~uriel/signo.htm