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Termo inglês da gíria dos estudos de comunicação social, proposto inicialmente por David Manning White, em 1950, que literalmente remete para a guarda de um portão, significando uma espécie de depuração de todas as informações veiculadas num noticiário. O indivíduo responsável por este trabalho de selecção da informação noticiosa chama-se gatekeeper, que em português do Brasil costuma ser traduzido por pauteiro. Para de alguma forma garantir o interesse público, protegendo-o de informações eticamente inadequadas, ou de acordo com critérios exclusivamente jornalísticos, é costume filtrar os dados sobre um acontecimento que merece ser noticiado, de forma a evitar certas opiniões, interpretações ou explicações que possam não corresponder àquilo que os responsáveis pela edição do noticiário entendem dever convir ao seu público. Na prática, é uma forma de censura ética e deontológica, institucionalizada mas sempre discutível, pois parte do princípio de que uma notícia pode ignorar certos factos com o pretexto de não ferir susceptilidades.

Nos estudos literários, podemos falar de gatekeeping na construção de um currículo universitário ou na formação de um cânone literário, por exemplo, onde é possível tomar certas decisões de inclusão e exclusão que envolvem sempre o poder de ser discricionário. Uma tal actividade é normalmente fundamentada recorrendo à defesa de uma política educativa ou de uma filosofia literária que se rege por uma ideologia assumida.