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Na introdução da obra intitulada Trauma and Literature (2018), Roger Kurtz frisou que o trauma se trata de uma ferida. Tal se verifica a origem grega do vocábulo, o qual caracteriza uma ferida física causada por um factor externo. Por exemplo, no Evangelho segundo Lucas conta-se o caso do samaritano, que, ao se deparar com o corpo de um homem deitado na estrada, teve pena dele e tratou das suas τραυματα ou traumata, ou, por outras palavras, das mazelas que o molestavam. Presentemente, emprega-se a palavra a que se aludiu anteriormente para referir problemas emocionais e psicológicos, ao contrário de chagas corpóreas. Se alguém se apresenta traumatizado, parte-se do pressuposto que tal pessoa passou por um acontecimento assustador ou aterrorizante, mas enfatiza-se o impacto emocional do episódio. Assim, o trauma prova-se um estado emocional, uma chaga que condiciona a psique, causada por eventos catastróficos.

As feridas indicadas exigem interpretação, afirmou o autor. O que o trauma constitui para os indivíduos e para as comunidades, bem como a forma de criar uma cura para estas feridas, tratam-se das principais preocupações das teorias em torno do trauma. O campo tem crescido durante a passada centúria e o léxico ligado ao trauma encontra-se enraizado na psicologia, na medicina, no direito, na teologia, nas belas-artes e nas ciências da comunicação, entre outras áreas de estudo. Adicionalmente, os estudos literários exibem ligações ao exame do trauma desde a década de 90 do século XX.

Ainda que os estudos literários apenas se tenham averiguado entusiasmados com o trauma a partir do período previamente estipulado, a aurora da associação entre as duas áreas apresenta-se muito anterior. Kurz indicou alguns antecedentes importantes que ajudaram a moldar o vocabulário, as abordagens e os métodos das teorias em torno do trauma. Os antecedentes apontados apresentam-se a psicanálise, o modernismo, a desconstrução, o Holocausto e a criação da síndrome de stress pós-traumático como uma categoria médica.

Em primeiro lugar, os termos subjacentes ao modelo moderno do trauma surgiram há mais de um século, especificamente nas terapias tecidas por neurologistas europeus como Jean-Martin Charcot (1825-1893), Pierre Janet (1859-1947), Josef Breuer (1842-1925) e Sigmund Freud (1856-1939). Tais conceitos continuam a determinar o corrente comportamento para com o trauma. Estes terapeutas desenvolveram diversas teorias que pretendiam perceber os comportamentos dos seus pacientes, nenhum dos quais exibia qualquer escoriação física.

Debruçando-se sobre os escritos de Charcot, em 1892, Freud tratou o trauma como “an accretion of excitation in the nervous system, which the latter has been unable to dispose of adequately by motor reaction”. (Vl. 1: 137) O tratamento psicanalítico do trauma explica-o como um evento tão exacerbante que não pode ser processado normalmente no momento em que se passa, pelo que a memória do evento se encontra bloqueada, ainda que volte para assombrar a vítima até que seja apropriadamente enfrentada.

Em 1894, ao examinar os escritos de Breuer, Janet e Freud, na primeira edição de Psychological Review, William James (1842-1910) comparou aquilo a que os autores chamavam trauma com um espinho no espírito. Kurz explicou que considera esta comparação conveniente, equacionando o trauma com um objecto estranho que se encontra encerrado na psique, como uma chaga coberta e invisível que continua infectada e a causar incómodo, só podendo ser solucionada se encontrada e extraída.

Em Beyond the Pleasure Principle (1920), Freud enfatizou o feitio exacerbante do trauma e o facto do trauma funcionar como uma fraqueza na parede que protege a psique, razão pela qual o trauma representa “excitations from outside which are powerful enough to break through the protective shield”. (Vl. 18: 29) Aqui, Freud empregou o exemplo de Tancredo e Clorinda, extraído do poema épico La Gerusalemme Liberata (1581), de Torquato Tasso (1544-1595). O conto indicado constitui uma ilustração icónica do modo como o trauma psicológico se manifesta e da ligação da literatura às teorias em torno do trauma. Posteriormente, em Moses and Monotheism (1939), Freud posicionou alguns dos seus pensamentos para com o trauma no plano cultural.

Tais conceitos, assim como outros que não foram abordados, tratam-se dos alicerces da abordagem psicanalítica do trauma.

Em segundo lugar, ao considerar o desenvolvimento do conceito de trauma em The Trauma Question (2008), Roger Luckhurst mostrou que existe um elo entre o trauma e a modernidade. O autor afirmou que o trauma se averigua “responsive to and constitutive of modernity”. (20) Esta crença dá a entender que, mesmo que as mazelas psicológicas não sejam algo que apenas apareceu na modernidade, algo sem precedentes se averigua nas alterações sociais que ocorreram na altura do Iluminismo e que atingiram a sua maior intensidade aquando da Revolução Industrial. Tais alterações revelam uma ampla relevância para o trauma e ajudaram a compor os contornos dos conceitos que se aplicam actualmente para compreender o trauma.

De entre estas alterações destacam-se a emergência de alinhamentos políticos nunca antes vistos, do estado-nação e de relações económicas com um carácter cada vez mais capitalista, bem como o câmbio das relações e tradições do campo pelas das cidades. Convirá, ainda, mencionar os avanços tecnológicos e o aparecimento das máquinas, que alteraram as paisagens e a percepção que as pessoas possuíam do tempo, do espaço e das relações sociais. Cumpre, adicionalmente, constatar a chegada do cinema, da cinematografia e do telégrafo, que converteram os padrões de comunicação em algo sem precedentes. Tais marcadores da modernidade incluem um conjunto de intensos choques às sensibilidades dos sujeitos modernos e à consciência que os indivíduos conservam de identidade pessoal e de identidade comunitária. Tais choques convidam o emprego de expressões de carácter traumático.

Kurtz exibiu um dos exemplos esboçados pelo autor. Luckhurst enfatizou que existe um consenso entre os estudiosos de que a origem do conceito de trauma se encontra conectada à expansão das ferrovias. Assim que aquelas encetaram a sua expansão, durante a década de 60 de oitocentos, empeçaram os acidentes de comboio que expuseram os indivíduos a acidentes que envolviam níveis de energia até então ignorados. Consequentemente, o comboio revela-se concomitantemente representativo da modernidade e do trauma. Os médicos depressa começaram a diagnosticar aquilo a que chamaram railway shock ou railway spine, algo de que padeciam as pessoas que aparentavam sair destes acidentes sem problemas, mas que subsequentemente notavam sentir sintomas nervosos que surgiam meses ou anos mais tarde. Por estes padecentes procurarem compensações monetárias para os seus problemas psicológicos, a linguagem em torno do trauma tornou-se uma linguagem caracterizada pelo cruzamento da psicologia, da medicina, do direito e de outras disciplinas. Devido a esta promiscuidade disciplinar, Luckhurst caracterizou o trauma como “an exemplary conceptual knot”. (14)

Posicionado no terceiro ponto da enumeração elaborada por Kurtz, Dominick LaCapra transcreveu as suas considerações para Writing History, Writing Trauma (2001) e este texto tornou-se canónico para as teorias em torno do trauma. Aqui, o autor explicou que o trauma se trata de uma experiência disruptiva que desarticula o “Eu” e cria lacunas na existência. O trauma perturba as percepções presentemente possuídas do conhecimento e da verdade e, portanto, o estudo de eventos traumáticos coloca problemas complexos à representação e à escrita. Este tipo de caracterização do trauma e dos seus efeitos, relevando as contradições da representação, as quais copiam a forma como a linguagem funciona, conjugam-se adequadamente com a desconstrução. Dado que a desconstrução se debruça sobre e enfatiza estas lacunas representacionais e estas desarticulações, não é de espantar o elo que se estabeleceu entre o trauma e o discurso literário da desconstrução. Kurtz indicou aqui que a ideia mais importante a reter se revela a de que os sintomas traumáticos não surgem somente na mente, assombrando, ainda, a linguagem.

Em quarto lugar, dever-se-á destacar o Holocausto. A experiência do Holocausto tornou-se essencial para as teorias em torno do trauma, encontrando-se evidente nos escritos de Cathy Caruth, Shoshana Felman, Dominick LaCapra e Dori Laub (1937-2018). Para muitos pensadores, o Holocausto trata-se do principal trauma da História recente da humanidade. O modo como o Holocausto é mencionado e a linguagem que se emprega para o abordar encontram-se ligados à emergência do trauma como uma das categorias interpretativas chave da cultura e política contemporâneas, afirmou Kurtz através de Wulf Kansteiner. (Kurtz, 2018: 6; Kansteiner, 2004: 193) O Holocausto prova-se uma instância paradigmática dos principais assuntos relacionados com as representações literárias e artísticas de momentos traumáticos em massa, incluindo as implicações éticas e as limitações de exibir um evento como o Holocausto, especialmente por aqueles que não passaram por ele.

Em quinto lugar, Kurtz considera que o momento crucial para o conceito de trauma se manifestou em 1980, assim que a associação americana de psiquiatria incluiu uma descrição daquilo que designou como Post-Traumatic Stress Disorder (PTSD) na terceira edição do eminente Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. Tal reconhecimento traduziu-se na consolidação do modelo do trauma na medicina ocidental.

Após apresentar os antecedentes acima apontados, Kurz debruçou-se sobre alguns desenvolvimentos decorrentes da aliança do trauma com os estudos literários. Um destes desenvolvimentos demonstra-se o nexo trauma/ narrativa. Uma das crenças centrais das teorias em torno do trauma trata-se de a linguagem literária constituir uma ferramenta fundamental para trabalhar casos traumáticos de formas que a linguagem comum não consegue. Esboça-se concomitantemente a crença contrária, de que algo próprio ao trauma propicia a análise de questões associadas à significação e à representação, essenciais para os estudos literários. Como Kurtz constatou, os elos estabelecidos entre a linguagem literária e a linguagem do trauma são evidentes. Afinal, as mazelas mentais sempre compuseram uma característica das histórias humanas e, ademais, a literatura revela-se o relatar das respostas humanas às horrendas reviravoltas da vida. Muitas das mais memoráveis personagens literárias tratam-se de pessoas traumatizadas. As teorias em torno do trauma assentes na literatura também advogam que os processos narrativos partilham particularidades com os processos traumáticos, que existe uma ligação especial entre as palavras e as lesões e que a literatura facilita a percepção da relação estabelecida entre as feridas psíquicas e a significação.

Em “Trauma and Narrative” (2018), Joshua Pederson estudou especificamente os elos estabelecidos entre o trauma e a narrativa. O crítico começou o capítulo constatando que a história desta conexão é tão longa como a história do trauma, se se considerar que as narrativas que se contam concernentes às catástrofes pelas quais as pessoas passam constituem recursos cruciais para a recuperação. Se Beuer e Freud salientavam a “talking cure”, (Pederson, 2018: 97) sobreviventes do Holocausto, como Elie Wiesel (1928-2016), salientavam a responsabilidade dos que tinham sobrevivido em disseminar os seus relatos e os daqueles que não tinham subsistido. Depois, durante a década de 70 de novecentos, veteranos do Vietname e vítimas de violência doméstica começaram a reunir-se para partilharem os contos da crueldade que haviam presenciado e pela qual havia passado. Assim, pode-se perceber que o trauma e a narrativa se provam profundamente interligados. Como Pederson constatou, não parece pasmoso que, quando as teorias em torno do trauma desabrocharam na década de 90 de novecentos, se tenha procurado demonstrar que a literatura possuía o poder de descrever as mais profundas dores psíquicas. Geoffrey Hartman (1929-2016), por exemplo, frisou que a literatura favorecia a leitura da ferida. (1995: 537)

Adoptando a atitude de Pederson, convirá sublinhar a seguinte questão: porque é que a narrativa literária se prova pertinente para a comunicação do trauma?

Aqueles que crêem na capacidade da linguagem literária para comunicar o trauma também costumam concordar que a linguagem histórica não consegue capturar o acontecimento traumático, pois entorpece as pessoas perante os maiores horrores de que há memória. Caruth defendeu que as representações directas pecam por possuírem um carácter hipnótico ou sonífero. (Caruth e Hartman, 1996: 647) Hartman observou que a linguagem objectiva engana ao esperar comunicar verdade e compreensão. Para o pensador, “the ‘pointing’ or ‘bullseye’ pretension of language – our wish to achieve a perfect marker by way of language, a successful verbal fixative of the real, even a magical and animating evocative – (…) is always disappointed, always revived”. (1995: 541) Portanto, ainda que se ambicione que a linguagem não literária apresente a experiência traumática com exactidão, essa esperança encontra-se frequentemente frustrada, e os esforços para comunicar fielmente o trauma falham continuamente.

Para Hartman, a linguagem literária prova-se propícia à transmissão do trauma por evocar o trauma e por, por vezes, ter êxito em tal evocação. Por exemplo, a poesia evoca a perda, ainda que aquela se averigúe ininteligível. (Caruth e Hartman, 1996: 641-642) Já Felman indicou que a narrativa possui uma índole imaginativa, a qual auxilia o acesso ao trauma. Tanto os traumas pessoais como os traumas colectivos tratam-se de algo que se averigua para além das possibilidades imaginativas da psique. Porém, a literatura prova-se apta a imaginar, pelo que possui poder para antecipar traumas. (1992: 102) Seguidamente, LaCapra sublinhou que a narrativa consegue capturar a sensação do momento traumático, até quando não ambiciona reproduzir acontecimentos. O autor afirmou que “One might argue that narratives in fiction may (…) [provide] insight into phenomena such as slavery or the Holocaust, by offering a reading of a process or period, or by giving at least a plausible ‘feel’ for experience and emotion which may be difficult to arrive at through restricted documentary methods”. (2001: 13-14)

Os teóricos também advogam a adequação da narrativa para abordar o trauma por acreditarem que aquele e a linguagem se averiguam formalmente análogos. Tal procede das teorias literárias pós-estruturalistas que emergiram entre 1980 e 2000. O trauma, pensado por psicólogos como Judith Herman, Bessel van der Kolk e Freud, perturba a psique humana com tanta pujança que impossibilita o acesso da mente a memórias do momento traumático. Caruth pensou sobre esta questão na seguinte passagem: “The problem was that you didn’t always know what you were seeing until later, maybe years later, that a lot of it never made it in at all, it just stayed stored there in your eyes”. (1996: 10) Portanto, o acontecimento traumático apresenta-se inacessível ou apenas acessível indirectamente ao indivíduo. Para Caruth e para outros pensadores provenientes do pós-estruturalismo, a linguagem encerra uma estrutura equivalente. Tal como os pós-estruturalistas criam na cissura da palavra com o mundo, os teóricos que trabalhavam em torno do trauma frisam a fissura estabelecida entre a palavra e a ferida.

Agora que se ponderou o porquê da narrativa literária se provar pertinente para abordar o trauma, convirá considerar como é que o trauma molda os contos em que se manifesta, aspecto que também Pederson tentou analisar. Para Caruth, Felman, Hartman e LaCapra, tal tratamento do trauma regressa repetidamente a três tropos, nomeadamente a ausência, indirection ou a indirecção e a repetição.

Comece-se com a ausência, conectada a Caruth e à sua crença de que o trauma se trata de um evento cuja força se encontra caracterizada pela falta de registo. Por outras palavras, o evento traumático embate com tamanha energia contra quem o experiencia que o cérebro não consegue conservar a memória do episódio. Tanto a experiência traumática como a memória do evento traduzem-se em “radical disruption and gaps”. (1995: 4) Na memória e na narrativa, tais lacunas tratam-se de marcadores do momento traumático. Como Ruth Leys constatou, o trauma revela-se uma lacuna ou uma aporia, tanto na consciência como na representação. (2000: 266) Dado que o trauma não se demonstra disponível à consciência, a tentativa de o evocar transforma-se em silêncio ou em espaço textual em branco.

Proceda-se para a indirecção. Se o trauma pode marcar a narrativa com lacunas ou silêncios, noutros momentos a narrativa menciona indirectamente o momento impactante. Um exemplo emblemático encontra-se em La Peste (1947), de Albert Camus (1913-1960), que se relaciona com o Holocausto sem nunca o referir. A peste prova-se uma metáfora para o genocídio provocado pelos nazis. Perante a incapacidade de integrar o trauma, surge uma narrativa que tanto o esconde como o evoca.

Termine-se com o tratamento da repetição. A importância daquela já se encontra identificada nos escritos de Freud, para quem as vítimas voltavam a viver os seus traumas em sonhos e através daquilo a que se chamou repetition compulsion ou compulsão à repetição. Como Caruth constatou, “It is, interestingly, the story of a disappearance and return that lies at the heart of the twentieth century’s most profound thinking about trauma, Sigmund Freud’s notion of ‘repetition compulsion’ published in Beyond the Pleasure Principle after World War I”. (2013: 57) Para Hartman, a repetição traumática possui ramificações narrativas. As vítimas tanto revivem como recontam os traumas que vivenciaram. Como frisou o crítico, “Flashbacks compel the sufferer to involuntarily tell his story again and again”. (2003: 268) O exercício de contar conforta, mesmo que momentaneamente: “The repetitions, too, though cathartic, suggest an unresolved shock: a rhythmic or temporal stutter, they leave the storyteller in purgatory, awaiting the next assault, the next instance of hyperarousal”. (1995: 543)

Os mecanismos narrativos mencionados foram propostos por pensadores que formam a primeira vaga de teóricos em torno do trauma. Recentemente, surgiu um segundo conjunto de críticos que contestou o que havia sido inicialmente proposto, sobre os quais Pederson tentou pensar. De entre este conjunto de estudiosos destacar-se-á Stef Craps.

Para Craps, os autores a que se aludiu previamente apoiam-se profusamente em produtos modernistas e pós-modernos, os quais se apresentam aporéticos, atulhados em silêncios e amplamente fragmentados. Esta preferência por tais textos prova-se eurocêntrica e privilegia um entendimento essencialmente ocidental do trauma. O autor analisou The Memory of Love (2010), formulado por Aminata Forna, e chegou a duas conclusões distintas. Primeiro, nos escritos previamente expostos, o silêncio trata-se de um sintoma do trauma. Porém, aqui, a falta de palavras figura como uma forma de fazer frente à dor, uma escolha deliberada que é digna de respeito. O silêncio não indica a incapacidade de relatar, mas a resolução intencional de reunir forças e relembrar a ferida. Segundo, o autor contestou a crença de que apenas as narrativas fragmentadas conseguem comunicar o trauma e propôs que uma narrativa realista como a que ponderou pode testemunhar a perda produtivamente. O autor afirmou que The Memory of Love “is a fine example of literary realism, which [derives] (…) its haunting power from (…) its acknowledgement of the existence of vast silence spaces of unknown, ongoing suffering in the face of which narrative therapy (…) is an inadequate response”. (2014: 57) Nestes textos, a narrativa não se encontra perturbada pelo trauma e não o evita. Como constatou Pederson, “in such realistic texts, the trauma narrative passes straight through the landscape of pain, describing the difficult sights along the way”. (107)


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