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[Termo grego que provém de ana – contra e chronostempo] Quando nos referimos ao anacronismo referimo-nos a um erro que consite em situar um ser, objecto ou acontecimento num tempo em que ainda não existe ou que, pelo contrário, já deixou de existir. Pode ser usado deliberadamente para distanciar acontecimentos e sublinhar uma verosimilhança e intemporalidade universal. O anacronismo ocorre geralmente quando se escreve sobre uma época anterior. São exemplos disso Júlio César (1599) de Shakespeare, que coloca na obra um relógio, e do mesmo autor Rei João(1598), onde há referências a canhões num tempo anterior à utilização de artilharia em Inglaterra: “Clock stikes. / BRU. Peace! Count the clock. / CAS. The clock hath striken three.” (Julius Caeser, II, 1, 192); “BRU. Caeser, ‘tis struken eight.” (ibid., II, 2, 114); “POR. What is’t a clock?” (Julius Caeser, II, 4, 22); “The cannons have their bowels full of wrath” (King John, II, 210); “Our cannons malice vainly shall be spent” (King John, II, 251).