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Figura de retórica que consiste na repetição invertida de palavras numa mesma sequência. O esquema de repetição é: a b b a. É sinónima de antimetátese, antimetalepse e commutatio e pode ser entendida como uma forma de quiasmo. Exemplo clássico é a sentença de Quintiliano: “non ut edam vivo sed ut vivam edo” (“Não vivo para comer, mas como para viver”), que insiste na antimetábole como mera inversão de palavras repetidas anteriormente (Institutio oratoria, século I a.C., 9, 3, 85). O tipo de correspondência que se obtém no quiasmo é ligeiramente diferente do da antimetábole: esta depende de uma simples inversão de um par de palavras (que, regra geral, inverte também a morfologia dos termos repetidos); aquela envolve o cruzamento de dois pares de palavras não necessariamente repetidas. Para o primeiro caso, temos o exemplo de Keats, no final da conhecida “Ode on a Grecian Urn”: “Beauty is truth, truth is beauty”. A Bíblia regista este tipo de construção com frequência quando é necessário comunicar um pensamento mais profundo e corrector e que passa a funcionar como máxima: “O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado.” (S.Marcos, 2, 27).

 

Bibliografia:

 

Mario García-Page: “Reflexiones lingüísticas sobre la antimetábole”, Revista de Literatura, tomo LVII, nº114 (1995).