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Refere-se à relação entre unidades de sentido contrário. Essas unidades pertencem à mesma categoria sintáctica e opõem-se no interior de uma classe semântica, ou melhor, possuem traços semânticos comuns, mas ao mesmo tempo apresentam outros traços que se opõem entre si. Por exemplo, o par subir e descer tem em comum o traço deslocação, mas subir implica para cima, enquanto descer implica para baixo.

A relação de antonímia pode estabelecer-se entre palavras de radicais diferentes como bom e mau, entre palavras com a mesma raiz, tendo uma, um prefixo negativo que cria a oposição, como acontece com contente e descontente e ainda entre palavras com a mesma raiz às quais se acrescentam prefixos de significação contrária, como é o caso de incluir e excluir.

No que respeita à relação lógica entre antónimos alguns autores, como Lyons, optam por distinguir antonímia de complementaridade e reciprocidade. Na antonímia a afirmação do primeiro termo implica a negação dos segundo, mas não o inverso. Neste caso inclui-se a oposição gradual onde, entre dois termos opostos, como frio e quente se pode encontrar fresco e tépido. Aqui nem sempre há implicação recíproca já que não quente nem sempre implica frio. Na complementaridade, a negação do primeiro termo implica a afirmação do segundo e a afirmação do segundo implica a negação do primeiro, não permitindo uma oposição gradual como acontece no caso anterior. No par casado/solteiro, a afirmação de que o João é casado implica que o João não é solteiro e vice-versa. Por último, como terceira categoria, a reciprocidade: vender é o termo recíproco de comprar e comprar o termo recíproco de vender (O Pedro comprou a casa ao João e o João vendeu a casa ao Pedro). A generalidade dos autores defende que complementaridade e reciprocidade são uma só categoria já que na complementaridade há sempre reciprocidade. Tendo em conta a dificuldade em destinguir os diferentes tipos de oposições de sentido, uma vez que as fronteiras são muito ténues e que uma relação nem sempre exclui as outras, tende-se a reuni-las sob o nome de antónimos.

{bibliografia}

Catherine Kerbrat-Orecchioni, La Connotation, 1977; Gregrory L. Murphy e Jane M. Andrew, “The Conceptual Basis of Antonymy and Synonymy in Adjectives”, in Journal of Memory and Language, nº. 32/3, 1993; Guilbert, “Les Antonymes”, in Cahiers de Lexicologie, nº. 4, 1964; Horst Geckler, “Considerations sur les Relations entre Synonymie e Lántonymy”, in Actes du XVIII Congres International de Linguistique et de Philologie Romaine, 1989; Jacques Roggers, “Antonymie et Polysemie”, in Sigma, nº.6, 1981; John S. Justeson e Slava M. Katz, “Redefining Antonymy: The Textual Structure of a Semantic Relation”, in Literary and Linguistic Computing, nº. 7/3, 1979; John Lyons, “Antonymy, Complementarity and Converseness”, in Introduction to Theorectical Linguistics, 1985; Magnus Lying, “Some Remarks on Antonymy”, in Language, nº. 50, 1974; Mário Vilela, “A Antonímia como Relação Semântica Lexical”, in Biblos, nº. 58, 1982.