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Termo proposto por Jean Dubuffet na década de 1940 para a arte feita por indivíduos sem educação artística, ignorantes (consciente ou inconscientemente), geralmente crianças, reclusos, desenhadores de graffiti, doentes mentais, esquizofrénicos. Não existe qualquer preocupação em realizar uma obra de arte segundo um padrão conhecido. A comunicação artística faz-se em moldes tradicionais, espontâneos, sem referências estéticas, de forma a deixar livre de preconceitos a escrita do inconsciente. O conceito é paralelo ao de texto bruto (écrit brut, segundo a terminologia de Michel Thévoz, in La Langage de la rupture, 1979). Um texto bruto não é reconhecido por nenhuma instituição literária, ou por editores e leitores especializados. Se tal forma crua de expressão literária tem de ficar de fora da literatura e da arte (também ocorre a designação de outside art), não significa que se apresente como crítica da própria literatura. Não se trata de uma forma de expressão que desafie qualquer cânone, pois caracteriza-se pela indiferença total à arte e ao artístico. Trata-se, sim, de verdadeira escrita marginal.

{bibliografia}

Jean Dubuffet: A Retrospective (Nova Iorque, 1973); Jed Rasula: “Brutalities of the Vanguard”,  Contemporary Literature, 35, 4, 1994; Michel Thevoz: L’Art brut (1981); N. F. Karlins: ”A Visit to L’Aracine: A Museum of Art Brut”, Folk Art, 17. 4, 1992-1993.