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Art Nouveau ou Arte Nova é um termo que deve a sua origem ao nome de uma galeria que abriu em Paris, na rua Provence, em Dezembro de 1895 e cujo dono era Sieglief (mais conhecido por Samuel Bing). A galeria chamava-se Maison de L’Art Nouveau e Bing era um comerciante de gravuras Japonesas que expandiu a sua galeria de modo a proporcionar um espaço permanente de exposições para tudo o que se relacionasse com a Art Nouveau para os melhores artistas do momento, tanto franceses como estrangeiros. Bing tinha como colaboradores artistas como Toulouse-Lautrec, Vuillard, Vallotton e Bonnard. Henry van de Velde desenhou-se quatro salas para a galeria onde exibia e comercializava jóias de Lalique e peças em vidro de Emile Gallé e de Louis Tiffany, entre outras peças de arte. A galeria tornou-se o centro nevrálgico deste novo estilo.

A origem do estilo suscita controvérsia. Pensa-se que resultará da fusão de diversas influências tais como Wiiliam Moris e o movimento Ats and Crafts, do movimento Pré-Rafaelita, do Historicismo do Romantismo do Barroco, do Revivalismo Gótico e Celta, da influência de William Blake e Walter Crane, das gravuras Japonesas , de Oscar Wilde, do ideal wagneriano de Gesamtkunstwerk, de Aubrey Beardsley, da poesia simbolista de Mallarmé e das pinturas de Toulouse-

-Lautrec, Munch, Whistler, Nabis e Seurat. Na Inglaterra, em 1870 e 1880, no meio frutífero do movimento de Arts and Crafts, apareceu a primeira forma do que se poderá chamar Early Art Nouveau e os seus expoentes maiores foram Crane, Dresser e Mackmurdo.

Durante meio século buscou-se um novo estilo. Já desde 1849 que John Ruskin dava conta da insatisfação generalizada que envolvia todos os artistas. Em 1890, no meio da sensação de décadence e de fin-de-siécle, todos procuravam alcançar uma “renascença”, uma nova forma de linguagem. Tendo a sua origem em Inglaterra rapidamente se espalhou para o resto da Europa e Estados Unidos, graças a periódicos especializadas, tendo sido adaptada por cada país de forma diferente mas com o facto unificador da procura do “novo”, do “moderno” que representava os novos desenvolvimentos sociais, as nova tecnologias e uma nova expressão espiritual. Procurou-se romper com a imitação Historicista que dominou grande parte do século XIX. Este movimento, demonstra, pela diversidade de termos que adquiriu, a sua popularidade, e, ao mesmo tempo a relutância em se aceitar esta nova concepção estilística. Na Bélgica adquiriu os nomes de Pling stijl, Style Nouille, Mouvement belge, Style 1900 e Modern Style; na França usou-se também o Style Moderne, Style de bouche de Métro; na Alemnha era o Jugendsstil, o Bandwurmstil; na Itália, Stile Liberty, Stile floreale ou Stile Inglese; em Espanha, o Modernismo e na Áustria, o Sezessionstill e Wiener Sezession.

Este estilo, eminentemente decorativo e ornamental, aplicava-se quase a todas as formas de arte desde o mobiliário, joalharia, escultura, pintura, arquitectura, literatura, etc.. É caracterizado pelo predomínio de linhas fluídas, melodiosas e ondulantes. A Art Nouveau, como estilo novo, destinava-se a fazer arte pela arte, ou seja, abria-se caminho para novas experiências, tudo em função da arte. Recusava-se a imitação, incentiva-se o toque pessoal, a originalidade, o simbolismo e desejava-se a unidade na estrutura. A noção de que um novo século se estava a aproximar, a sensação de que se aproximava uma nova era, encorajava a esperança de uma nova arte, liberta dos condicionalismos do passado e virada para o futuro. A Art Nouveau nunca se tornou universal como tinha desejado e tornou-se em expressão individual e nacional que dependia essencialmente no ornamento tendo tido o seu apogeu em 1900. O declínio demonstrado pelo Eeltschmertz, fin-de-siècle e nostalgie da la boue é intimamente ligado com a tendência literária. Simbolista na França e na Bélgica. Esta corrente literária era uma corrente consciente contra o Naturalismo e o Positivismo. Embora tivesse diferenças de país, tinha um sentido de sofisticação literária de procura do exótico e reflectia uma resignação intelectual própria do fim de um século. O objectivo da literatura deixou de ser a fiel reprodução de um motivo para ser uma “impressão”, uma selecção subjectiva, uma síntese da experiência humana demonstrada simbolicamente. Um dos principais percursores do estilo Art Nouveau na literatura foi o Revivalismo Celta, especialmente na Inglaterra, Escócia, Irlanda e Escandinávia. Com o crescente interesse nas culturas nacionais, os artistas voltaram-se para as épocas áureas de cada país. Não será exagero dizer que o Revivalismo Celta deu uma contribuição directa para a Art Nouveau com os seus motivos medievais de cavalaria. Havia, no entanto, um desejo da libertação do antigo e uma insaciável procura do povo. Isto reflectiu-se em movimentos como o Novo Paganismo ou o Novo Hedonismo enquanto que O retrato de Dorian Gray de Óscar Wilde caracterizava-se pela Nova Voluptuosidade.

Na Art Nouveau as ligações entre a pintura, a literatura a música e as artes decorativas eram muitas. Um dos exemplos é o periódico The Germ, que apareceu em 1850 e que tentava combinar arte e escrita. O subtítulo era Toughts towards Nature and Poetry, Literature and Art e expressava a ideia the enriquecer os vários géneros artísticos através da cooperação entre artistas e artesãos.

A art Nouveau teve uma influência considerável na produção literária, nomeadamente em livros e periódicos em 1890, década que viu centenas de produções apareceram por todo o lado tais como The Century Guild Hobby Horse (1884), The Studio (1893), The Dial (1889-97), The Yellow Book (1894-7) e The Savoy (1887-9) etc.. Os livros de Art Nouveau eram ilustrados por ilustradores de renome tal como Aubrey Breadsley (1872-98). A evolução do estilo Art Nouveau ficou sempre associada com o aparecimento de periódicos e por exemplo, The Yellow Book foi criado por um Americano estabelecido em Londres, Henry Hartland e que tinha Breadsley como editor artístico, sendo ele próprio o editor literário. A maioria dos colaboradores eram sobejamente conhecidos e respeitados e as quatro primeiras tiragens foram um sucesso embora tivesse, escandalizado a sociedade da época pelo arrojo dos seus artigos e ilustrações. The Savoy foi criado por Smithers, amigo pessoal de Breadsley pela inspiração do crítico e poeta inglês Arthur Symons, que sugeriu que um novo periódico deveria ocupar o lugar deixado pelo desaparecimento do The Yellow Book no que dizia respeito ao campo literário e artístico. Smiters tornou-se o editor, Symons o editor literário e Beardsley o editor de arte. O título foi sugerido por Breadsley e este periódico suplantou The Yellow Book em todos os aspectos, tendo Beardsley tornando-se também escritor e muitos dos seus trabalhos foram publicados juntamente com as suas ilustrações.

A entrada ousada no novo século foi mais o fim cintilante de uma época do que o nascimento de outra. A popularidade deste título desapareceu rapidamente. Um após outro, os artistas abandonaram o estilo, alterando a forma, a linguagem e utilizando uma linguagem mais simples e mais prática e menos decorativa. A Art Nouveau falhou no objectivo Europeu de criar um estilo mais internacional. Ao mesmo tempo, não ofereceu qualquer solução em como ligar a estética com a máquina pois as teorias estéticas da Art Nouveau privilegiavam o toque artístico individual. Esta estética baseava-se no “estilo do artista” e assim não podia satisfazer a exigência de um design próprio da produção em massa, para massa mas sim para elites.

O estilo, que se tornou fora de moda e ridículo depois de 1910 tornou-se respeitado em 1960, na Exposição de Paris, através de várias exposições que demonstraram a vontade de “reviver” um estilo tão fugaz.