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Termo francês da teoria gramatológica de Jacques Derrida, que significa uma clivagem ou fractura num dado texto. Por outras palavras, falamos de brisure para uma qualquer parte de texto que ofereça ambiguidade ou duplicidade de sentido, condição elementar para a consecução de uma análise desconstrutivista. As brisures de um texto obrigam o leitor a refazer as suas próprias regras de raciocínio analítico. Em francês, a palavra tem ainda o sentido técnico de articulação por charneira de duas partes de uma obra de carpintaria. Derrida joga com este duplo de sentido de brisure como fractura e como articulação. Na crítica pós-estruturalista de expressão inglesa, a brisure é equivalente à expressão hinge-word ou “palavra-charneira”. O conceito pode ser entendido em referência às descontinuidades da linguagem. Segundo Derrida, a brisure “marca a impossibilidade para um signo, para a unidade de um significante e de um significado, de produzir-se na plenitude de um presente e de uma presença absoluta.” (Gramatologia, Editora Perspectiva, São Paulo, 1973, p.85). Ler um texto segundo as regras da desconstrução é fazer com que as brisures desse texto subvertam o sistema de valores tidos por seguros nesse texto, é mostrar como as brisures nos ensinam a ler de forma diferente o próprio funcionamento da linguagem.