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Tradução do francês chanson de geste, para designar um tipo de composição de carácter épico, cujo tema respeita aos feitos históricos de povos ou heróis, às guerras históricas e aos dramas lendários. O género nasceu e desenvolveu-se na França medieval, desde o século XI até ao século XIII, quase sempre concentrando a acção nos feitos ilustres de Carlos Magno (século VIII). A estas canções de gesta deu-se o título de geste du Roi, subgénero que inclui uma das mais famosas composições, a Chanson de Roland (c.1100). Os três grandes ciclos conhecidos são: Gestas de Carlos Magno, Gestas de Garin de Monglane e Gestas de Don de Mogúncia. Sobreviveram apenas cerca de oitenta composições, privilegiando o decassílabo e as estrofes de quinze versos. Eram geralmente declamadas por jograis, que acompanhavam os textos com música. A matéria dos textos costuma incluir não só a narração de factos históricos mas também lendas e ficções poéticas. Essa matéria, designadamente a da Bretanha, forneceu inspiração à literatura ibérica, sobretudo nas novelas de cavalaria e nos romances tradicionais.

{bibliografia}

Italo Siciliano: Les Chansons de geste et l’épopée (Turin, 1968; reed., Slatkine, 1981); J. Rychner: La Chanson de geste: Essai sur l’art épique des jongleurs (1955); M. de Riquer: Les Chansons de geste françaises (1957); R. Lejeune: Les Chansons de geste et l’historie (1948); R. Menendez Pidal: La Chanson de Roland et la tradition épique des Francs (1960); W. Calin: Chanson de geste und höfischer Roman (1963).