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Termo que designa certas representações teatrais de cariz iminentemente popular e rural levadas a cabo nos três dias de Entrudo e que, de forma jocosa, retratam cenas da vida quotidiana tanto camponesa como citadina.

As cegadas, hoje em dia já quase por completo desaparecidas, têm as suas raízes nas formas medievais de escárnio e maldizer, nas quais, através de uma linguagem mordaz, se ridicularizavam e criticavam os vícios e males da sociedade. Escritas em verso pelo poeta da aldeia, que desempenhava também as funções de dramaturgo, eram representadas com coreografias muito movimentadas, acompanhadas de música algo rudimentar, daí também a sua designação de marchas.

Nestas paródias satirizantes recitavam-se longas histórias em linguagem chocarreira que punham a descoberto, exagerando, os escândalos ocorridos no lugar. Com o evoluir do tempo passaram da mera crítica social à crítica política, sobretudo nos bairros mais populares de Lisboa, razão pela qual foram reprimidas no Estado Novo.

Os actores (apenas homens) entravam em cena mascarados e vestidos de serapilheira, afim de caricaturarem as vestes das personagens de vulto que encarnavam, e no final da representação pediam dádivas aos espectadores para as despesas havidas com a figuração. Tal pedido fazia-se em tom lamuriento, imitando os cegos ao pedir esmolas, derivando daí o termo.

{bibliografia}

António de Oliveira Melo et al.: “Folguedos de Entrudo”, in O Concelho de Alequer: Subsídios para um Roteiro de Arte e Etnografia, Vol. 2 (1985); Maria Micaela Soares: “Cegadas”, in A Mudança na Cultura Rural Portuguesa (1984), “Diversões”, in Saloios (1990).