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Venda ambulante de impressos “em papel”, ou seja, não encadernados, contendo normalmente textos de literatura popular ou de circulação clandestina. Os colporteurs começaram por ser, no século XV, agentes dos primeiros impressores, encarregados de difundir as novas publicações pelas feiras da Europa. Consigo, levavam panfletos publicitando títulos e casas impressoras. Quando a venda de impressos passou a ser assumida por livreiros estabelecidos, a literatura de colportage tornou-se exclusivamente um produto económico, vendido por cegos e mendigos, presumivelmente destinado a responder a um gosto popular: constava de cartilhas, almanaques, calendários, estampas, orações, hagiografias, autos, novelas, relações, gazetas… Com o movimento ideológico da Reforma, os colporteurs tiveram um papel importante, na Alemanha sobretudo, ao divulgarem literatura panfletária protestante. Em França, durante todo o Antigo Regime, estiveram associados à venda de textos heréticos ou contrários ao poder real. Em Portugal, vários foram chamados a testemunhar junto da Inquisição por estarem a vender textos não autorizados pela censura. Quando a literatura popular se incorporou totalmente no mercado livreiro, os colporteurs tornaram-se apenas gazeteiros; hoje, são cauteleiros.

bibliografia

Lucien Febvre e Henri-Jean Martin: L’Apparition du livre (1958).