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Designação para o tipo de teatro que sucedeu em Atenas às chamadas comédia antiga e comédia média, e que vigorou durante os anos 336 a 250 a.C. . A comédia nova é mais elaborada do que as precedentes, preenchendo o enredo com acções diversificadas e bem estruturadas, mais próximas da realidade. O trabalho de caracterização das personagens também é mais cuidado e demorado. A trama prende-se, quase invariavelmente, com desavenças de amor, com soluções finais que jogam com o factor de supresa pela revelação da verdadeira identidade dos protagonistas. A diferença de classes sociais, a pobreza ou a oposição paterna são alguns dos factores que determinam as situações iniciais em que se encontram os heróis. É a comédia nova que vai servir de modelo às suas versões posteriores, nomeadamente a comédia romana. Os principais autores que sobreviveram na comédia nova são Filémon, Dífilo, Filípides e, sobretudo, a referência maior, Menandro (c. 342-c. 292 a.C.), de que nos resta uma comédia completa: Díscolo (ou Misantropo) e fragmentos que permitem creditar-lhe mais quatro obras. Criador de personagens-tipo que se celebrizaram, como o velho avarento, o velho tolo mas bondoso, a cortesã simpática, etc… Em termos técnicos, a comédia nova continua a diminuir a importância do coro, agora visível apenas em cenas lúdicas de dança e canto; adopta o prólogo, como o faz Eurípides na tragédia; e divide a peça em cinco actos, o que se tornará uma regra doravante.

A comédia nova desenvolve-se no século IV, numa sociedade também “nova”, de hábitos menos rústicos e procurando uma maior refinação dos costumes e da moral, a que não é alheio o desenvolvimento da reflexão filosófica. Na Ética a Nicómaco, Aristóteles comenta assim a diferença entre as duas fases da comédia: “É característico do homem sensato dizer e escutar senão o que convém a um homem livre e distinto; (…) podemos ver isso comparando a comédia antiga com a nova; para os autores da primeira, a indecência na linguagem era divertida, para os da segunda, as meias palavras são suficientes para fazer rir; e estas duas maneiras são em si muito diferentes.” (1128a1).

{bibliografia}

Albin Lesky: História da Literatura Grega (Lisboa, 1995); António Freire: O Teatro Antigo (1985); Elder Olson: The Theory of Comedy (1968); K. Reckford: Aristophanes’s Old-and-new Comedy (1987); Leonard James Potts: Comedy (1948); Maurice Charney: Comedy High and Low (1978); M. Corvin: Lire la comédie (1994); Paul Lauter (ed.): Theories of Comedy (1964); Pierre Grimal: O Teatro Antigo (Lisboa, 1986).