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Conceito construído e articulado por Raymond Williams, o mais influente crítico e teórico cultural britânico deste século (1921-88), no fim dos anos 60, ao estudar o romance inglês de oitocentos e início de novecentos, para descrever a relação comunicativa complexa da escrita romanesca, entendida como forma e prática de significação, com os meios e as condições da sua produção no quadro de uma cultura, i.e., um sistema de significados por meio do qual uma ordem social é comunicada, reproduzida, experimentada e explorada. A construção e articulação do conceito nos anos 70 é parte integrante da constituição da teoria cultural de Williams (a que deu o nome de materialismo cultural, a “teoria das especificidades da produção cultural e literária material” e a “análise de todas as formas de significação no interior dos meios e condições concretos da sua produção”) e da crítica fundamental do conceito de literatura prevalecente na Grã-Bretanha e no Eurocentro e da teoria que o sustentava (que Williams caracterizou como teoria de consumo – contrapondo-lhe a noção multifacetada de escrita como prática cultural e o entendimento dos meios de comunicação como meios de produção).

Qual a natureza da relação da escrita romanesca com os meios e as condições da sua produção e com a cultura em que se inscrevia? E qual a estrutura dessa relação? Eis as duas questões a investigar para avaliarmos a importância do conceito e esclarecermos as possibilidades teóricas e críticas por ele inauguradas.

Notemos a proposta williamsiana: “A maior parte dos romances são em certo sentido comunidades conhecíveis. Faz parte de um método tradicional – de uma posição e uma abordagem subjacentes – que o romancista se proponha mostrar-nos pessoas e as relações entre elas de modos essencialmente conhecíveis e comunicáveis. A dimensão plena do génio de Dickens só pode assim ser compreendida quando notarmos que para ele, na experiência da cidade, muito do que era importante, decisivo até, não podia ser conhecido de forma simples ou comunicado de forma simples, mas tinha de ser revelado, forçado a apresentar-se à consciência. E seria então possível estabelecer um contraste entre a ficção da cidade e a ficção do campo. Na da cidade a experiência e a comunidade seriam essencialmente opacas; na do campo, essencialmente transparentes. Enquanto primeiro modo de pensar este contraste pode ser útil. Não pode haver dúvida de que, por exemplo, identidade e comunidade se tornaram mais problemáticas, como matéria de percepção e como matéria de avaliação, à medida que aumentaram a escala e a complexidade da organização social característica. Até esse ponto a transição do campo para a cidade – de uma sociedade predominantemente rural para uma predominantemente urbana – é transformadora e significativa. O crescimento das cidades, e em especial das grandes cidades e de uma metrópole; as cada vez maiores divisão e complexidade do trabalho; a mudança, que se torna crítica, nas relações entre as classes sociais e no seio delas: é em mudanças como estas que se torna cada vez mais difícil manter qualquer assunção de uma comunidade conhecível – de uma comunidade inteira inteiramente conhecível. Mas isto é apenas uma parte da questão e ao compreendermos o facto novo da cidade, há que insistir, temos de ter o cuidado de não idealizar os factos velhos e novos do campo. Porque o que é conhecível não é apenas uma função dos objectos – do que aí está para se conhecer. É também uma função dos sujeitos, dos observadores – do que se deseja e do que é preciso conhecer. E o que temos então de perceber, aqui e ao longo de todo o processo, na escrita sobre o campo, não é só a realidade da comunidade rural; é a posição do observador nela e em relação a ela, posição essa que é parte integrante de a comunidade ser conhecida.” (Williams 1973; 165)

A natureza e a estrutura da comunidade conhecível como relação cultural, uma relação culturalmente significativa, estão aqui condensadas. A sua natureza, histórica e socialmente concreta e experimentada, é em primeiro lugar representacional; a sua estrutura, como se revela na oposição a comunidade conhecida, é a da complexa organização da experiência e do conhecimento no plano individual e no plano social.

Para Williams o problema de conhecer uma comunidade é o de encontrar uma posição, uma posição convincentemente experimentada, a partir da qual se possa começar a conhecer essa comunidade (Williams 1970; 17). A primeira consequência teórica é que uma posição torna conhecível uma comunidade se for social e culturalmente plausível e permitir representar uma experiência social como experiência humanamente conexa, i.e., ordenada e significativa, coerente e satisfatória, segundo uma estrutura de significados e de valores vigente numa sociedade e numa cultura. Mas o conceito de comunidade conhecível tem uma segunda consequência: tornar uma sociedade conhecível é representá-la de modo a fazer dela uma comunidade. E este é um aspecto central da articulação do conceito: não existe a comunidade sem a conhecibilidade, e a conhecibilidade não existe sem o conhecido – pois só o conhecido pode dar plausibilidade comunicativa ao que se deseja ou precisa de conhecer.

Dois exemplos históricos viabilizarão aqui a abordagem à problemática da comunidade conhecível nas narrativas que organizam as culturas. Naquele que Williams evoca, o da primeira metade do séc. XIX inglês, as transformações societais ocorridas geram, como ele escreveu, “a crise da comunidade conhecível”, a crise na representação de experiências e relações tornadas opacas para as posições culturais herdadas da Inglaterra rural, pré-industrial. A sociedade inglesa mudou profundamente, e dessa mudança faz parte a lenta constituição de duas formações sociais novas, a formação burguesa (que reconfigura as classes médias) e a formação proletária (que reconfigura as classes trabalhadoras). O que Dickens fez, na sua escrita romanesca, foi produzir comunicativamente uma representação da sociedade inglesa que dissipou as opacidades a partir de uma posição construída sobre três estruturas conhecidas de significados e de valores: o romance inglês setecentista de autoria masculina, o Cristianismo do Evangelho de Mateus e a poesia de Wordsworth segundo a recepção vitoriana em constituição. Esta posição deu a Dickens a possibilidade de criar, produzindo e comunicando, uma imagem da sociedade inglesa que a tornou comunidade conhecível nos seus romances – que fez do seu romance a comunidade inglesa urbana e metropolitana conhecível. Sem pôr em causa o génio do romancista, há que insistir também na fonte de plausibilidade assegurada pelas três estruturas de significados e de valores que Dickens seleccionou para a sua escrita, e ao mesmo tempo na experiência cultural que partilhava com as classes médias reconfiguradas pela hegemonia da nova formação social burguesa. O que é conhecível não é apenas uma função dos objectos, é também uma função do sujeito que conquista e promove a subjectividade mais plausível e mais satisfatória na construção da experiência social enquanto comunidade humana.

O segundo exemplo escolhido é o do neo-realismo português. As mudanças societais profundas que se desenrolam em Portugal nos finais do séc. XIX e na primeira metade do séc. XX, em que temos de incluir os processos arrastados e conflituosos da constituição de formações sociais novas nas cidades e nos campos, e da muito difícil reconfiguração das classes médias e, se bem que com maiores atrasos e obstáculos, das classes trabalhadoras, abrem na cultura portuguesa uma crise da comunidade conhecível. Por um lado, os processos sociais tornam opacos as relações sociais e os sentidos de uma experiência nacional partilhável e as perspectivas de uma comunidade vivida; por outro lado, as transparências viabilizadas, p. ex., pelas escritas romanescas de Júlio Dinis e de Eça de Queiroz deixam de mobilizar narrativas conexas e imagens vivíveis do quotidiano. A questão central, e de fundo, da cultura portuguesa nos anos 30 é a da construção de posições que, parcialmente desvendando ou ocultando os conflitos e os dinamismos societais, suportem uma nova imaginação da sociedade enquanto comunidade e do quotidiano como quadro coerente de significados e valores humanos. O que o neo-realismo faz, com êxito, nos anos 30 e 40 (e com um êxito ainda maior na viabilização e plausibilização de novas e renovadas possibilidades culturais para todo o séc. XX e para o futuro) é oferecer uma solução para a crise da comunidade conhecível – não da sociedade portuguesa, mas dos modos e formas de representação da sociedade portuguesa. Para esse fim construiu uma posição, narrativa, e um sujeito, de percepção.

Como Williams esclareceu, o que é conhecível não é apenas uma função dos objectos, é também uma função dos sujeitos, dos observadores – do que se deseja e do que é preciso conhecer. Face às respectivas crises da comunidade conhecível, o romance inglês em meados de oitocentos e o romance português do neo-realismo criaram e validaram as posições subjectivas a partir das quais os objectos, os processos e as relações sociais, puderam ser representados. Com os seus meios de significação diferentes, e em condições de significação diversas, ambas as escritas romanescas tornaram narráveis as respectivas sociedades; e ao fazerem destas comunidades conhecíveis, tornaram-se também comunidades conhecíveis. Foi o próprio Williams que reconheceu que os romances são, na maioria dos casos, comunidades conhecíveis.

Precisemos, pois, a natureza e a estrutura da relação cultural para a qual Williams criou a designação de comunidade conhecível. A sua natureza, sempre histórica e socialmente concreta e experimentada, é representacional, e por consequência partilhável e partilhada. A escrita romanesca, o romance, representa experiências individuais e sociais num quadro de valores e significados que as integra, articula, conecta e hierarquiza. Representar é, simultaneamente, organizar a percepção e construir a compreensibilidade desta, organizar a percepção tornando-a compreensível, com recurso a formas e modos culturais acessíveis e activos num sistema cultural. É assim imprescindível, em especial mas não exclusivamente em fases ou períodos de crise da comunidade conhecível, ter em conta as estruturas de significados e valores a que a escrita romanesca recorre, assimilando e incorporando. No processo cultural histórica e socialmente específico, e percorrido por tensões ideológicas, do neo-realismo português há que pôr em evidência, entre essas estruturas de significados e valores, o romance naturalista/realista dos decénios finais de oitocentos, que é a ponte de conexão com a comunidade conhecível anteriormente vigente, escritas romanescas estrangeiras contemporâneas, formações e formas de resistência e oposição ao regime político dominante e os projectos e formas da produção cultural, e especialmente literária, portuguesa modernista.

A estrutura da relação cultural comunidade conhecível é sempre complexa e a sua análise requer uma consideração exaustiva dos meios de produção cultural disponíveis e das condições do exercício comunicativo dessa produção. Esses meios e condições variam de sistema cultural para sistema cultural, e no interior de cada cultura com o desenvolvimento do próprio exercício comunicativo. Há, no entanto, um certo número de elementos estruturais verdadeiramente constitutivos da comunidade conhecível que podemos identificar, tendo porém sempre em conta que a realidade de cada um desses elementos estruturais constitutivos é social e culturalmente específica e característica. Vamos aqui identificar cinco.

O primeiro elemento a referir é a pressão da necessidade, sentida e partilhada numa formação social ou num agrupamento mais ou menos estável de formações sociais, de uma posição subjectiva, de um ponto de vista, constituinte da transformação dum conjunto de práticas de conhecibilidade num projecto cultural de produção ou reprodução duma comunidade. Sem a experiência vivida e partilhada dessas práticas materiais no quotidiano dum grupo, por muito precárias e desarticuladas que sejam na sua expressão e nos seus efeitos, não se pode entender a premência comunicativa do desejo ou da necessidade que esse grupo ou formação tem de conhecer a sua comunidade, e por conseguinte de ler e escrever a representação duma sociedade inteligivelmente percebida enquanto comunidade conhecível. Por outras palavras, sem a presença e o exercício das condições (socialmente produzidas em comportamentos e em protonarrativas de legitimação desses comportamentos) para a produção da comunidade conhecível esta não pode surgir no horizonte de plausibilidade duma cultura.

Para introduzir o segundo elemento é necessário deixar claro que o primeiro não coincide nem se confunde com a leitura da sociedade humana em termos da velha fórmula marxista de base e superstrutura. A necessidade de uma posição de conhecibilidade não é determinada pela base económica ou pela estrutura de relações económicas; é parte integrante e indissociável da prática social do grupo ou formação que a protagoniza. Ora, a produção da comunidade conhecível é parte integrante e indissociável do processo cultural de protagonização duma sociedade ou dum mundo por uma formação social, seja ela uma classe, fracção de classe ou grupo. Assim, a posição a partir da qual um sujeito, individual e social, começa a conhecer a comunidade é a posição que permite ao sujeito, uma classe ou um grupo, protagonizar as suas relações com outras classes, outras posições, outros programas societais.

O terceiro elemento, sempre muito difícil de apreender e definir com rigor na análise cultural, decorre do segundo, mas é distinto dele: a constituição duma comunidade conhecível engloba (e valida-se sobre) a representação de grupos ou classes sociais no desempenho de papéis e na encenação de valores que confirmam e legitimam a formação que protagoniza a conhecibilidade e o projecto cultural que a realizará. A dificuldade da análise revela-se muitas vezes na distinção incontornável a estabelecer entre o papel atribuído a uma personagem ou a um conjunto de personagens numa encenação de valores e o papel, com graus variáveis de autonomia, desempenhado na sociedade pela formação de que essa personagem ou esse grupo de personagens são representativos (sendo factor de dificuldade acrescida a variável de experiência pessoal e de vida do ser individual que é autor/a da escrita romanesca). No seu livro de 1970 Williams orienta a análise para a exploração das divergências e convergências entre o discurso da narração e o das personagens das classes trabalhadoras, procurando seguir um rumo crítico de apreensão de possibilidades de estas terem voz no discurso da narração. No caso do neo-realismo português, que pelas condições sociais e culturais da sua produção é um projecto de sectores das classes médias em busca de autoconfiguração por meio da representação (que é encenação e interpretação) das relações entre classes dominantes e classes trabalhadoras, estas últimas servem o objectivo estratégico de proporcionar às classes médias uma configuração alternativa à das classes dominantes, por um lado, e à de outros sectores das classes médias que procuravam identificá-las por referência às elites intelectuais das grandes metrópoles, protagonistas do modernismo. A questão cultural de fundo que a comunidade conhecível com este seu elemento estrutural aqui confronta (e ajuda a elucidar) é a do poder cultural e sua distribuição desigual entre as formações que constituem uma sociedade, uma vez que a distribuição desigual do poder cultural se traduz nos diferentes graus de plausibilidade das respectivas comunidades conhecíveis ou conhecidas.

E por via deste reconhecimento chegamos ao quarto elemento estrutural da relação, o elemento que torna perceptível a articulação da comunidade conhecível com a comunidade conhecida. Há aqui dois momentos a distinguir: um é o da transformação do conhecível em conhecido no processo de instituição e reprodução dum programa cultural que alcança aceitação e credibilidade; o outro é o da constituição, num período de crise, de uma comunidade conhecível, constituição sempre problemática pelos conflitos activados nas selecções e incorporações do conhecido que hão-de viabilizar a comunicação do conhecível. Mas se os momentos históricos particulares da comunicação e dos seus meios e condições inevitavelmente geram diferentes reconhecimentos e implicam ênfases de análise e crítica diversas, o elemento estrutural é o mesmo. Um projecto de comunicação (p. ex. um romance, uma telenovela, uma reportagem, uma produção de publicidade) tem como condição essencial o encontro de autor/a e receptor/a no terreno comum da inteligibilidade da experiência; sem uma comunidade conhecida partilhada por quem escreve (produz) e por quem lê (ou visiona) não é possível a comunicação (e por conseguinte a produção) de conhecibilidades. Assim, um projecto de comunidade conhecível inscreve-se sempre num sistema cultural e é no interior deste que se comunica, mesmo quando tem por objectivo estratégico e constituinte vencer, ultrapassar ou desarticular limites impostos por esse sistema à comunicação do conhecível. A comunidade conhecível, só comunicável no interior e segundo modos conhecidos de funcionamento dum sistema cultural a partir duma posição subjectiva comum, está sempre vinculada aos modos de conhecibilidade viabilizados por esse sistema – por outras palavras, é sempre já conhecida e sempre já configurada pela cultura dominante. Talvez resida aqui uma explicação para o facto multiplamente verificado de a escrita romanesca (mesmo enquanto prática cultural alternativa, de dissidência ou de oposição) não conseguir ser independente da ordem cultural que assegura o poder e o domínio dum sistema significativo. Tal como no séc. XIX o romance inglês vitoriano ficou sempre contido nos limites da ordem social vigente e dos seus dinamismos de adaptação e incorporação, também no séc XX o romance do neo-realismo português ficou sempre contido dentro dos limites e dinamismos sociais e culturais da ordem dominante – na qual as classes médias se configuram sempre por referência às outras (e por mediação entre elas).

O quinto elemento estrutural da comunidade conhecível é o que permite apreender a possibilidade efectiva de uma prática cultural alterar os equilíbrios estabelecidos no interior do sistema de significados e valores dominante. A alteração pode ser superficial e efémera, e facilmente incorporável, ou mais profunda e duradoura, e obrigar o sistema dominante a manobras de adaptação aos processos de mudança desencadeados pela constituição duma comunidade conhecível. É este quinto elemento que revela e comprova que as práticas culturais não têm necessariamente de ficar confinadas e encarceradas no quadro de um sistema, ainda que poderoso e eficaz. Williams escreveu, numa formulação decisiva para a eficácia operativa do seu modelo teórico, que começaria “por dizer que em qualquer sociedade, num qualquer período, existe um sistema central de práticas, de significados e valores, a que podemos com propriedade chamar dominante e efectivo. Isto não implica nenhuma presunção quanto ao seu valor. Tudo o que afirmo é que é central. (…) O que tenho em vista é o sistema central, efectivo e dominante de significados e valores, os quais não são meramente abstractos mas são organizados e vividos. É por isso que a hegemonia não pode ser entendida ao nível da mera opinião ou da mera manipulação. Ela é todo um corpo de práticas e expectativas; a canalização das nossas energias, o nosso entendimento ordinário da natureza do ser humano e do seu mundo. É um conjunto de significados e valores que, experimentados enquanto práticas, aparecem a confirmar-se reciprocamente. Ela constitui assim um sentido de realidade para muitas das pessoas numa sociedade, um sentido de realidade absoluta porque experimentada para além da qual é muito difícil muitos dos membros duma sociedade passarem em muitos dos âmbitos da sua vida” (1980; 38). Ora, entre as práticas duma sociedade, a comunidade conhecível constitui-se como prática alternativa, conjunto de significados e valores capaz de motivar e mobilizar um sentido alternativo de realidade vivida e experimentada, e capaz, por conseguinte, de motivar e mobilizar novas práticas e de abrir novos âmbitos de vida. Como Williams sublinhou, “seria um erro neglicenciar a importância de obras e ideias que, embora por um lado claramente marcadas por limites e pressões hegemónicos, são por outro pelo menos em parte rupturas significativas que vão para além desses limites e pressões, que podem ser de novo em parte neutralizadas, reduzidas ou incorporadas, mas que, não obstante, nos seus elementos mais activos resultam independentes e originais” (1977; 114).

O que o modelo teórico de Raymond Williams nos propõe é o desenvolvimento de modos de análise que em vez de reduzirem as obras a produtos acabados e as actividades a posições fixas sejam capazes de discernir a abertura finita mas importante de muitas iniciativas concretas e de muitas obras de arte enquanto formas significativas, uma abertura que possibilita e exige respostas significativas persistentes e variáveis. A comunidade conhecível é, neste modelo, um contributo importante para a análise das práticas culturais romanescas; a sua importância revela-se principalmente no confronto com muitas das categorias instituídas na academia para o estudo da literatura em geral e da narrativa em particular.

{bibliografia}

Raymond Williams: The English Novel from Dickens to Lawrence (1970); The Country and the City (1973); Marxism and Literature (1977); Problems in Materialism and Culture (1980); Culture (1981); Writing in Society (1983).