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Processo retórico da oratória barroca que consiste na interpretação fantástica de um passo da Sagrada Escritura, com base em associações de ideias próximas ou dissemelhantes, e devidamente fundamentadas por uma autoridade teológica confirmada. Os sermões de António Vieira são o melhor exemplo desta prática oratória. Segundo António Sérgio: “Desenvolver um ‘conceito predicável’ significa inculcar uma proposição moral, não com o auxílio de argumentos válidos (isto é, por meio de relações verdadeiramente lógicas, a partir de factos da observação psicológica, ou da história, ou da experiência vulgar, ou então de princípios de natureza ética, ou filosófica ou teológica), senão que pelo artifício de uma simples imagem, recorrendo a um facto ou a uma frase da Bíblia que pelo uso habilidoso de uma ‘agudeza do engenho’ se decide apresentar como sendo uma alegoria, uma figura, um símbolo, daquela proposição que se deseja avançar.” (“Salada de conjecturas a propósito de dois jesuítas”, Ensaios V, 2ªed., Liv. Sá da Costa, Lisboa, 1981, p.96). Na época, publicaram-se em Portugal, em Espanha e em Itália várias compilações de conceitos predicáveis que pretendiam servir de referência a todos os oradores.

{bibliografia}

Aníbal Pinto de Castro: Retórica e Teorização Literária em Portugal: Do Humanismo ao Neo-Classicismo (1973); Margarida Vieira Mendes: A Oratória Barroca de Vieira, p.156 (1989) e “Apresentação crítica”, in Sermões do Padre António Vieira (1982).