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Termo da prosódia, originário da música, onde designa a harmonia de sons que se combinam entre si, e que se aplica em poesia para descrever a correspondência sonora de consoantes: “Ondas do mar levado, / se vistes meu amado!” (Martin Codax). Neste caso, porque a homofonia inclui vogais e consoantes, diz-se que a rima consonântica é completa. Se ocorrer apenas entre consoantes, diz-se então simplesmente consonântica (ou rima incompleta consonântica): “Do século das letras lusitanas, / e nas páginas férteis dos latinos.” (Almeida Garrett). Podemos falar ainda, em termos figurativos, de consonância de ideias, quando exista similaridade ou concordância entre duas ideias propostas. Tal como na música, pode combinar-se com a dissonância (ou desafinação de sons) para produzir efeitos de tensão na harmonia das composições. Mais vulgarmente, combina-se com a assonância (correspondência entre vogais em posição de rima) e com a aliteração (repetição de sons consonânticos no início das palavras). A consonância pode ocorrer no interior ou no final de um verso e traduz, regra geral, uma rima perfeita, porque inclui a correspondência entre consoantes e as vogais. Chama-se a este fenómeno rima soante (por oposição a rima toante ou exclusivamente vocálica). Conforme a rima recair sobre a última, penúltima ou antepenúltima sílabas da palavra final de um verso, assim se diz aguda, grave ou esdrúxula. Outra distinção diz respeito à natureza gramatical das palavras em posição de rima: se são desinências verbais comuns (“jogava”, “cantava”, “tratava”), adjectivos de terminações muito repetidas na língua (“corroído”, “destruído”, “vencido”), advérbios de modo, etc. diz-se que se trata de rima pobre; se as variações são menos comuns, explorando novos sons e relações de homofonia, diz-se que a rima é rica, como neste excerto de “O Sentimento de um Ocidental”, de Cesário Verde: “Triste cidade! Eu temo que me avives / Uma paixão defunta! Aos lampiões distantes, / Enlutam-me, alvejando, as tuas elegantes, / Curvadas a sorrir às montras dos ourives.”

{bibliografia}

Dwight Bolinger: “Consonance, Dissonance, and Grammaticality: The Case of Wanna”, Language and Communication: An Interdisciplinary Journal, 1:2-3 (1981); Kanavillil Rajagopalan: “Beyond Words”, Trabalhos em Linguística Aplicada, 4 (Campinas, 1984).