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Sendo a última fase da acção dramática, o D. ocorre após o clímax e a peripeteia. Trata-se da fase descendente da acção, em que se assiste às consequências resultantes dos acontecimentos entretanto ocorridos.

Consoante se trate de uma tragédia ou de uma comédia, variável é a configuração assumida pelo D. Assim, e no caso da tragédia, o D. ou desfecho adquire a forma de catástrofe, consubstanciada, na maioria dos casos, na morte do herói, que muitas vezes arrasta consigo a morte de outras personagens. Nalgumas tragédias, a catástrofe inclui ainda aquilo que Aristóteles designou como anagnorisis (reconhecimento). É o momento em que ao herói são reveladas algumas verdades (sobre si próprio ou sobre outrem), num rasgo de iluminação que precede a assomo da morte. Esta e o exílio constituem, na visão trágica, as mais recorrentes formas de exorcizar o desconcerto do mundo, viabilizando a emergência de uma nova ordem social, só exequível através do aniquilamento do herói.

No caso da comédia, a peripeteia ou mudança do rumo dos acontecimentos encaminha-os para uma resolução festiva. Esta adquire, por via de regra, a forma de um ou mais casamentos, além da reconciliação entre as personagens, que finalmente resolvem os conflitos geradores da desordem, reintegrando-se numa sociedade que assim se consagra vitoriosa, pela reposição da harmonia e do equilíbrio entre os seus membros.

Também é possível falar de desenlace num romance de intriga, por exemplo, mas neste caso é mais correcto falar-se de desfecho, de que desenlace é sinónimo.

{bibliografia}

Clifford Leech, Tragedy (1969); E. Dipple, Plot (1970); Gilles Girard e R. Ouellet, O Universo do Teatro (1980); Marjorie Boulton, The Anatomy of Drama (1960); Moelwyn Merchant, Comedy (1972); S. W. Dawson, Drama and the Dramatic (1970).