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Conceito proposto por Gilles Deleuze e Félix Guattari, em O Anti-Édipo: Capitalismo e Esquizofrenia (Lisboa, 1995), para descrever o processo de fuga das estruturas sociais e intelectuais coercivas, que podemos entender como análogo ao processo de descentralização do sujeito narrado nas teorias pós-estruturalistas. O conceito implica a ideia de uma “unidade primitiva, selvagem, do desejo e da produção” que é a terra. O processo de arrepio desta máquina territorial primitiva produz a desterritorialização, fenómeno que Marx, no Capital, mostrou ser um permanente conflito na sociedade: “dum lado, o trabalhador desterritorializado, transformado em trabalhador livre e nu, tendo para vender a sua força de trabalho; do outro, o dinheiro descodificado, transformado em capital e capaz de a comprar.” (p.233). Para os dois filósofos franceses, a esquizofrenia — “o limite exterior do próprio capitalismo” (p.256) — é a desterritorialização por excelência e pode até funcionar como uma forma de escapar da teia do capitalismo. Este é considerado “inseparável do movimento de desterritorialização, mas esconjura este movimento através de re-territorializações fictícias e artificiais. Ergue-as sobre as ruínas das representações territoriais e despóticas, míticas e trágicas, que, todavia, restaurará para seu serviço próprio e com uma outra forma — a de imagens do capital.” (p.316).

{bibliografia}

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D. Emily Hicks: “Deterritorialization and Border Writing”, in
Robert Merrill (ed.): Ethics/Aesthetics: Post-Modern
Positions
(1988); Eugene W. Holland: “Deterritorializing ‘Deterritorialization’
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Substance: A Review of Theory and Literary Criticism, 20:3
(1991); Samir Amin: L’Accumulation à l’échelle mondiale
(1970).