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Expressão latina, significa literalmente “deus da máquina” ou "deus de dentro da máquina "; alude a um instrumento mecânico utilizado na tragédia clássica e que permitia a uma divindade ou ser sobrenatural descer sobre o palco, oferecendo dessa forma uma saída para uma situação aparentemente irresolúvel; hoje em dia a expressão é geralmente utilizada num sentido mais lato, para designar uma resolução forçada ou fácil dos acontecimentos numa obra. A Tragédia é porventura a forma dramática privilegiada pra explorar a relação entre os planos divino e humano. O quase obrigatório destino infeliz do herói trágico – a catastrophe -, ainda que dependente de forças para lá do seu controlo, tem tradicionalmente o seu motor inicial num erro ou falta (hamartia) do próprio. Mesmo que se encare o protagonista como fundamentalmente inocente – ou seja, que se aponte a contingência do erro e o absurdo do castigo, cuja desproporção define em grande medida o trágico -, o desenrolar dos acontecimentos não deve depender, de acordo com a teoria clássica da tragédia, de um capricho divino. A contingência estará presente no erro, mas não no castigo, que depende de uma ordem, mesmo que injusta. O mecanismo do deus ex machina foi criticado pelo mais influente teórico da tragédia, Aristóteles, que insiste no “liame da necessidade e verosimilhança” como vector essencial da mesma (Poética, ed. p.116) – isto é, numa causalidade sem falhas no desenrolar da trama, única forma de provocar o desejado “efeito trágico”.

{bibliografia}

Aristóteles, Poética, ed. Eudoro de Sousa, Imprensa-Nacional Casa da Moeda (1998) .