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Dysphemia era para os gregos a palavra de mau agoiro, acto de pronunciar palavras de mau agoiro, palavras más, de desgraça. Considera-se disfemismo o uso de palavras ou expressões de carácter rude, repugnante, desagradável, agressivo ou horrível. O disfemismo, contrariamente ao eufemismo que suaviza e atenua o que é considerado obsceno ou de mau gosto, visa ferir determinados tabus de ordem religiosa, moral e social. É por tal motivo que as expressões (dis)femísticas são consideradas formas de desbragamento linguístico. Deve-se sublinhar o facto de, porque o disfemismo está intimamente ligado a factores de natureza sociocultural e ideológica, o que em dada época é entendido como eufemístico, pode mais tarde ser considerado disfemístico.

Vários são os processos utilizados para intensificar a conotação negativa de palavras ou expressões: Fialho de Almeida alude metaforicamente à estupidez em «Oh meu camelo! Pois não vês que tudo isso são bonecos de cordéis?» (Os Gatos, 1958); Alexandre Herculano descreve em pormenor o processo de decomposição do corpo depois da morte através da perífrase «Enquanto os vermes iam roendo esses cadáveres amarrados pelos grilhões da morte» (Eurico, o Presbítero, 1844); Vitorino Nemésio recorre à sinonímia em «À saída dos toiros […] atirei um cravo a ua [sic] culatrona de mantilha … uma mulher de vida, sim, mãis desimbaraçada [sic] e escorreita.» (“O Mistério do Paço do Milhafre”, Contos, 1949).

{bibliografia}

Heinz Kröll, O Eufemismo e o Disfemismo no Português Moderno (1984).