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Drama que pretende levar ao máximo os efeitos de terror e piedade que a tragédia clássica procurava despertar no espectador. O seu aparecimento, que podemos datar de 1768, quando Horace Walpole, o criador do romance gótico, escreveu The Mysterious Mother, que circulou manuscrito até 1791, ano da sua publicação, coincide com a voga desse tipo de romance, nos finais do século XVIII. Nele o cenário era elemento fundamental: representava um castelo ou abadia medievais, supostamente palco de atrocidades praticadas numa época que se supunha bárbara. Inicialmente coincidentes, em breve o mesmo cenário foi utilizado para enredos modernos. Do mesmo modo o sobrenatural passou a ser “explicado”, ou seja, os acontecimentos aterradores e estranhos eram apenas uma encenação capaz de causar arrepios tanto nos personagens como no público. De origem inglesa, como resultado do exagero do teatro isabelino, utilizou como elemento tipicamente ibérico a Inquisição. Tal como aconteceu com o romance, este género de teatro evoluiu para o drama social, onde as cenas de crueza e maldade eram geralmente mais chocantes que as que pretendiam levar o espectador a uma época violenta já demasiado longínqua.

{bibliografia}

Bertrand Evans: Gothic Drama From Walpole to Shelley (1947); Paula Backscheider: “Gothic Drama and National Crisis” in Spectacular Politics: Theatrical Power and Mass Culture in Early Modern England (1993)