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Cultivado no período neo-clássico, este género tem em Corneille o seu principal representante. De entre as inúmeras peças que escreveu, destacam-se Le Cid (1637), Horace (1640), Cinna (1641) e La Mort de Pompée (1643).

No que respeita à forma de expressão, trata-se de textos escritos em dísticos heróicos (pentâmetros jâmbicos com rima emparelhada), o que lhes confere uma inegável rigidez, em conformidade com os padrões dos neo-clássicos, nos quais se inclui também a obediência à chamada regra das três unidades. No que concerne à forma do conteúdo, a acção organiza-se em torno do conflito entre dois ideais, que se constituem como pólos antagónicos: o amor e a honra.

Enquanto género, o drama heróico distingue-se da tragédia pelo facto de a catástrofe ser habilmente evitada, permitindo-se que o herói e a heroína sobrevivam, num desenlace inesperadamente feliz. A atitude trágica, na sua potencial crueldade, esboça-se apenas, recuando no final e dando lugar a uma visão optimista. Tendo nascido em França, este tipo de drama viria a ganhar uma grande adesão em Inglaterra, no período da Restauração (últimas décadas do séc. XVII). A espectacularidade das encenações e o exotismo inerente a uma acção dramática que invariavelmente remete para épocas longínquas e ambientes desconhecidos, proporcionam todo um espaço de evasão do quotidiano. Tal facto ajuda certamente a explicar a boa receptividade alcançada pelo drama heróico durante esse período, em que se assiste ao florescimento de outros géneros dramáticos, nomeadamente a chamada comédia de costumes (v. comédie de moeurs).

Sir William Davenat é o primeiro autor inglês a cultivar o género, em The Siege of Rhodes (1656) e The Spaniards in Peru (1658). O seu exemplo é seguido por John Dryden, que escreve The Indian Emperor (1665), The Conquest of Granada (1669-70) e Aureng-Zebe (1675).

{bibliografia}

Bruce King: Dryden’s Major Plays (1966); James Winson: Restoration and Eighteenth Century Drama (1980); Robert G. Lawrence: Restauration Plays (1980).