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Conceito da psicologia recuperado por Harold Bloom, em The Anxiety of Influence (1973), para traduzir o sentimento paradoxal que um percursor desperta no seu descendente: ao mesmo tempo deve ser como ele mas diferente dele. Originalmente, o conceito foi proposto por Paul Watzlawick, Janet Helmick e Don D. Jackson, que o descrevem da seguinte forma: "A double-bind is a message so structured that it both (i) asserts something, and (ii) asserts something about its own assertion such that (iii) assertion i contradicts assertion ii. Furthermore, it is necessary that the recipient of the message be incapable of stepping outside the frame of contradiction set up by these conflicting assertions, such that he or she oscillates between them but cannot resolve the contradiction by means of some sort of meta-assertion" (Pragmatics of Human Communication: A Study of Interactional Patterns, Pathologies, and Paradoxes, Faber, Londres, 1968, p.212). O conceito bloomiano integra-se na tentativa de construção de um modelo crítico antitético, cuja máxima expressão deve ser: o sentido de um poema só pode ser um poema, mas um outro poema — um poema que não ele próprio. Esta perspectiva sugere que a construção de um poema será sempre uma desconstrução negativa ou deliberadamente deturpadora da referência original, "it is a mistranslation of its precursors. Despite all its efforts, it will be always a dyad and not a monad, but a dyad in rebellion against the horror of one-way communication, that is, of the fantasy double bind of wrestling with the mighty dead." (The Anxiety of Influence: A Theory of Poetry, Oxford University Press, Oxford, 1975, p.71).

{bibliografia}

Konrad Ehlich e Karin Martens: "Sprechhandlungstheorie und Double Bind", in Dieter Wunderlich (ed.): Linguistische Pragmatik (1975); Winfried Kudszus: "Literatur, Soziopathologie, Double bind: Uberlegungen zu einem Grenzgebiet", in Winfried Kudszus (ed. Literatur und Schizophrenie: Theorie und Interpretation eines Grenzgebietes (1977).