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1. Em termos gerais, é a forma de expressão verbal de um pensamento. Por outras palavras, corresponde a toda a concretização em enunciado ou texto de um acto de fala.

2. Na retórica greco-latina, a elocutio (correspondente grego da lexis) é a terceira das cinco fases de um discurso, depois da inventio (fase de recolha de argumentos para a defesa de um causa) e da dispositio (organização dos argumentos). A memoria e a pronuntiatio são as duas fases finais do discurso, que, nestes casos, é sempre oral. A elocutio é a fase da escolha do modo de expressão verbal mais correcto para a transmissão da mensagem, fazendo a selecção (electio) do léxico e das melhores figuras de retórica, procurando a melhor forma de combinar as frases numa sintaxe correcta (compositio) e ornamentando o discurso com elementos vigorosos (ornatus). Este ornatus corresponderia a uma espécie de condimento (condimentum) do discurso. Corresponde também à arte de bem falar (bene dicendi), por isso os retóricos antigos lhe prestavam grande atenção. Para atender à boa elocução era necessário existir correcção idiomática (puritas), clareza (perspicuitas) e adequação ao contexto em que o discurso é pronunciado (aptum). A ênfase na forma da mensagem que se subentende no trabalho da elocução é testemunhada desde a Institutio Oratoria de Quintiliano. Até aos formalistas russos do século XX, inclusive, esta ênfase na construção formal do discurso mantém a mesma filosofia. Os teóricos russos também defendiam que as figuras retóricas eram formas de estranhamento ou desautomatização que ajudavam o leitor a concentrar-se na forma da mensagem.

{bibliografia}

Cicely Berry: The Actor and the Text (1992); Pamela Cook Miler: “Jane Austen and the Power of the Spoken Word”, Persuasions: Journal of the Jane Austen Society of North America, 7 (1985); Roland Barthes: L’ Ancienne rhétorique (1971).