Select Page

Artifício retórico comparável à anáfora, também conhecida por geminação, e que consiste na repetição inicial da(s) mesma(s) palavra(s) num mesmo enunciado ou conjunto de versos, por exemplo, na quadra inicial do soneto “À morte de F.”, de Francisco de Vasconcelos Coutinho (1665-1723): “Esse jasmim que arminhos desacata, / Essa aurora que nácares aviva, / Essa fonte que aljôfares deriva, / Essa rosa que púrpuras desata”.

D. Francisco Manuel de Melo utilizou o termo como se de um verdadeiro género literário se tratasse em Epanáforas de Vária História Portuguesa (1660). Também José Freire de Monterroio Mascarenhas nos legou uma Epanaphora bellica, em que se referem os gloriozos progressos das armas imperiaes na Itália, por noticias mais imparciaes, e mais seguras (1735). Neste caso, a epanáfora corresponde a um modo historiográfico de carácter didáctico, que segue o exemplo do clássico Tácito.

bibliografia

Joan Estruch Tobella: Entre la historia y la novela: la “epanáfora amorosa”, de Francisco Manuel de Melo (1993); id.: Historia social e historia personal en la epanáfora política, de F. M. de Melo (1995)