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Inscrição tumular que inclui informações biográficas e, eventualmente, breves palavras lisonjeiras para o defunto. Esta parte textual do epitáfio é normalmente escrita em verso. Raros são os poetas de sempre e de qualquer lugar que resistem a deixar escrito o seu próprio epitáfio, como o próprio Fernando Pessoa/Álvaro de Campos, em “P-HÁ” (2-12-1929): “Hoje, que sinto nada a vontade, e não sei que dizer, / Hoje, que tenho a inteligência sem saber o que querer, / Quero escrever o meu epitáfio: Álvaro de Campos jaz / Aqui, o resto a Antologia grega traz…” (Livro de Versos, ed. crítica de Teresa Rita Lopes, Estampa, Lisboa, 1993). A antecipação do sentido da morte encontra no epitáfio uma forma de expressão privilegiada, pela brevidade das palavras e pela força do pensamento. Pratica-se este género pelo menos desde a antiga civilização egípcia, quando era costume gravar nos sarcófagos e nos túmulos, que para além da informação biográfica podia incluir uma oração aos deuses para protecção do cadáver; na época helenística, ainda não tinha valor literário, pois resumia-se a informações biográficas; na época romana, os escritores latinos acrescentaram ao epitáfio esse valor literário, pelo panegírico dos defuntos em forma de verso. A partir deste momento, o epitáfio aproxima-se do epigrama, da elegia e do pranto. Também o epitáfio greco-latino pode incluir uma prece aos deuses, não só para protecção das almas mas eventualmente para aviso dos vivos, caso se tratasse de um indivíduo amaldiçoado. Não raro os topoi mais glosados são os do Tempo, da Fortuna, da Morte, da Luz , das Trevas, etc. combinados com uma grande variedade de lamentações e/ou consolações. Sirva de exemplo o seguinte “Epitáfio ateniense em Plateias”, de Simónides: “Se uma bela morte é do valor o melhor galardão, / essa sorte a nós coube entre todos. / Lutámos por coroar a Grécia com a liberdade; / agora jazemos aqui, com louvor imarcescível.” (frg. 118, Diehl, in Hélade: Antologia da Cultura Grega, de Maria Helena da Rocha Pereira, 5ª ed., Coimbra, 1990).

{bibliografia}

G. Grigson: The Faber Book of Epigrams and Epitaphs (1977); G. Pfohl: Greek Poems on Stones: Epitaphs from the 7th to the 5th Cs. B. C. (1967); K. Mills-Courts: Poetry as Epitaph (1990); R. Brown: A Book of Epitaphs (1967).