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Do grego “algo adicionado”, o epíteto é geralmente composto por um adjectivo ou frase adjectival que define uma qualidade ou atributo especial de um determinado herói, povo, divindade ou personagem. Expressa, portanto, um traço característico e distintivo da personagem, e.g. “Aquiles de pés velozes” (acentua-se, neste caso, a superioridade física do herói).

Na épica de Homero são recorrentes certas expressões adjectivais – epítetos – tais como “Aurora de dedos róseos”, “Heitor de casco faiscante”, entre muitos mais. A este tipo de epítetos dá-se o nome de Epítetos Homéricos, sendo que os mesmos são, provavelmente, fórmulas que resultaram do método de composição, improvisação e memorização típicos da transmissão de formas de literatura oral. Assim, utilizando uma forma perifrástica, os epítetos não são empregues de forma aleatória sendo que, frequentemente, eram apenas atribuídos a heróis ou a povos, e.g. os Aqueus são “de brônzeas túnicas”, os Troianos são “domadores de cavalos”, Agamémnon é “o herói Atrida de vasto poder”. Ainda que condicionados pela métrica, os epítetos distintivos atribuídos aos heróis chegavam a ocupar meio verso ou mesmo um inteiro (veja-se o exemplo acima citado relativo a Agamémnon). É de ressaltar a sua importância e sistemática presença de forma a melhor caracterizar o herói, insistindo sobre qualquer dos seus atributos que, naquele momento da narrativa, sejam de especial relevância. Contudo, quer na poesia quer na prosa, o epíteto pode ser utilizado meramente por motivos estéticos.

Também, no séc. XVIII, a característica dicção poética (poetic diction) recorre a expressões adjectivais de maneira a seguir e não romper com o princípio neoclássico de decoro – formas poéticas sérias como a épica ou a ode devem empregar um vocabulário digno e elevado.

Consideram-se dois tipos de epítetos: estático ou dinâmico. O epíteto estático é descritivo mas convencional, e.g. “Eric the Red”, “Aquiles, o filho de Tétis”. Quanto ao dinâmico, requer um efeito forte e imediato, e.g. “Lorenzo il Magnifico”. Quando o nome é totalmente omitido, o epíteto ganha forma de antonomásia.

{bibliografia}

PEREIRA, Maria Helena da Rocha. Estudos de História da Cultura Clássica. Vol. I, Cultura Grega, 6ª ed., Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1987, pp.52-54.