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Estudos sobre as relações entre indivíduos do mesmo sexo e suas expressões artísticas. A terminologia inglesa tem consagrado disciplinas como gay studies, lesbian studies e queer theory ou queer studies, para as quais não é fácil encontrar correspondência terminológica adequada. Uma vez que tais disciplinas têm conhecido uma ampla divulgação internacional sob estas designações, quer em reuniões científicas quer na imensa bibliografia que existe hoje sobre estes estudos, optamos por reuni-las na mesma expressão genérica: estudos sobre homossexualidade. Esta expressão serve também para o propósito de definição de um campo de estudos sobre a homossexualidade em geral que não se rege por regras de género, o que constitui o objecto dos queer studies. Estes são hoje um dos mais importantes temas dos chamados estudos culturais e estão sempre presentes em discussões sobre o género (gender studies). De notar que só nas últimas décadas podemos assistir a uma forma de reconhecimento da especificidade destes estudos, por exemplo, nas catalogações de livros nas bibliotecas e nas livrarias, que entretanto adoptaram estas designações para catalogar este tipo de literatura.

Tais estudos pretendem analisar, examinar e interpretar todas as relações entre indivíduos do mesmo sexo inscritas nos textos literários, mas estendendo o seu campo de análise a outras formas de expressão artística como a pintura, a sociologia, a história, a antropologia, a psicologia, a medicina, o direito, a filosofia, etc. Estes estudos são, fundamentalmente por razões históricas de intolerância, uma (re)invenção da segunda metade do século XX, pois o século anterior havia apenas inciado a questão com a invenção do termo homossexual, para designar aquele indivíduo que partilhava afectos com outro do mesmo sexo, o que acabaria por ser explicado como um desvio de personalidade, tratado pela via clínica, ou, na prática, pela excomunhão social, sendo Oscar Wilde um dos mais conhecidos exemplos deste tipo de vitimização.

As mais recentes teorias sobre homossexualidade (queer theories) têm-se esforçado por defender a anulação das discriminações e dos preconceitos em torno da própria definição do que seja a homossexualidade, desde sempre considerada uma espécie de “anormalidade” ou “pecado mortal”. As discussões sobre a história desta discriminação nas diferentes culturas tem produzido tantas teorias quanto as próprias comunidades envolvidas. As teorias em defesa da homossexualidade argumentam que as identidades sexuais e culturais dos indivíduos não são fixas e não chegam para determinar aquilo que constitui o nosso bilhete de identidade social. A História da Sexualidade de Michel Foucault é uma obra de referência para a instituição do campo de estudos das teorias sobre homossexualidade (queer theories), onde se procura sobretudo anular a bipolaridade da história humana (heterosexual/homossexual, como identidades essencialistas que se devem criticar) ao mesmo tempo que se questionam as categorias da sexualidade que a sociedade ocidental foi construindo.

Se bem que a história da literatura homossexual (designação que é discutível para muitos, que preferem literatura sobre a homossexualidade) deva começar pelo menos em Safo, a maior dos estudos que até ao momento se têm desenvolvido concentram-se no século XIX, de Oscar Wilde e Rimbaud, e em especial no século XX, quando a liberdade de expressão e a tolerância são finalmente conquistadas, mesmo que gradualmente. André Gide, com Corydon (1911), é uma das primeiras obras a vencer o preconceito social contra a homossexualidade, mas é preciso esperar pelo fim da Segunda Guerra Mundial para que este tipo de literatura vingue verdadeiramente, com obras como Querelle de brest (1947), de Jean Genet, ou The City and the Pillar (1949), de Gore Vidal.

{bibliografia}

Annamarie Jagose: Queer Theory: An Introduction
(1996);

António José Ferreira Afonso:

A Homossexualidade Masculina

(1995);

David F. Greenberg: The Construction of Homosexuality
(1988);

Didier Eribon (org.) : Les études
gay

et lesbiennes
(1998) ; Esther D. Rothblum (ed.): Classics
in Lesbian
Studies

(1997); Henry Abelove et al.

(ed.): The Lesbian and
Gay


Studies
Reader
(1993); Henry L. Minton
(ed.):
Gay
and Lesbian

Studies
(1992); Jennifer Harding: Sex Acts: Practices of Femininity
and Masculinity
(1998); Ken Plummer (ed.): Sexualities
[journal] (1998-);

Ken Plummer (ed.): Modern Homosexualities: Fragments of
Lesbian and Gay Experience
(1992);

Judith Butler: Gender Trouble: Feminism and the Subversion of
Identity
(1990);
John Champagne: The Ethics of Marginality: A New
Approach to
Gay

Studies (1995); Martin Duberman (ed.):
Queer Representations: Reading Lives, Reading Cultures: A Center
for Lesbian and
Gay


Studies
Book (1997); Teresa Castro
d’Aire: A Homossexualidade Feminina (1996); Theo Sandfort
et al. (eds.): Lesbian and

Gay

Studies
: An Introductory, Interdisciplinary
Approach (2000); Timothy F. Murphy (ed.): Reader’s Guide
to Lesbian and
Gay

Studies (2000)


http://www.theory.org.uk/ctr-que1.htm


http://www.nypl.org/research/chss/grd/resguides/gay.html


http://www.iglss.org/


http://web.gsuc.cuny.edu/clags/home.htm