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Let us go from darkness to light, from light to darkness, and again, to light, to the light of lights! (“The Art Critic” 1893: 9)

Termo de empréstimo do francês, o espírito fin-de-siècle demonstra os medos e ansiedades do fim do século XIX em relação ao que poderia ser ou ocorrer no século XX, podendo revelar, por um lado, snobismo e, por outro, decadentismo. Este sentimento finissecular desenvolveu-se devido à situação económica, política e social presentes, traduzindo-se numa escrita mais ostentada e, por vezes, exagerada. Essa escrita é caracterizada pela morbidez e por uma busca de aventuras e de novidades, pela forte intensidade do momento e pela extravagância (IDEIAS). Ou seja, desenvolveu-se este sentimento decadentista após o auge cultural de um país ou nação, não prevendo qualquer positividade.

Este espírito transparecia e revelava as tendências artísticas dos anos seguintes [do século XX] e com ideias inovadoras e totalmente diferentes, embora estranhas e mal-aceites pela sociedade (“The Art Critic” 1893: 9), sendo que essas ideias eram originárias de misfits. Muitas vezes, essas ideias e conteúdos artísticos expõem medos e ansiedades fictícias, quase representantes de lunatismo e desespero, de medo com a mudança de século:

There is in them a confusion of suppressed ideas, impulses, sardonic smiles, narcotic dreams, chronic mental catarrhs, ascetic efforts, godlike ideas, and the most absurd eccentricities and mannerisms. (“The Art Critic” 1893: 9)

Como apoio, refugiam-se no interesse de estudo da psicologia e da psique humana, tentando projectar representações [artísticas] utopias e distopias em relação ao futuro, sempre vislumbrando decadência e pessimismo cultural.

Relativamente ao colonialismo britânico, traduziu-se por algo “suggestive of everything new and odd” (“The Art Critic”), referindo-se ao perigo da experiência colonial britânica. Já oposta e parcialmente, em França, fin-de-siècle traduzia-se num sentido de moda, de procuras, de sofisticação, mas, igualmente, em relação à queda do império de Napoleão. No caso de Portugal e Espanha, demonstrou-se um negativismo cultural com a decadência política vivida em relação à construção imperial e aos âmbitos políticos.

{bibliografia}

Harvie, Christopher, et al. Nineteenth Century Britain: A Very Short Introduction. Londres: Oxford University Press, 2000.

Pinto Coelho, Maria Teresa. Ilhas, Batalhas e Aventura: Imagens de África no Romance de Império Britânico do Último Quartel do Século XIX e Início do Século XX. Lisboa: Edições Colibri, 2004.

_______. “What Is Fin de Siecle?”, em The Art Critic, Vol. 1, No. 1. Versão digital: 1983. P. 9. Artigo disponível em: <http://www.jstor.org/stable/20494209>, consultado em Dezembro de 2013.