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Termo português para o francês feuilleton, derivado de feuille (folha). Aplicava-se a um espaço regular inferior das páginas de jornais, preenchido sobretudo por longos romances publicados como séries, mas também por crítica literária, artigos humorísticos e até poesia, como é frequente no caso português. O romance publicado nestas condições adquiriu certas características, que determinaram o significado actual do adjectivo “folhetinesco”: o texto de cada número de jornal devia constituir um episódio ou lucubrações apresentadas de tal modo que, produzindo um efeito de suspense (v.) levassem o leitor a querer ler o número seguinte. O caso mais típico e prolífero na literatura portuguesa foi o de Camilo Castelo Branco, cujos numerosos romances foram na sua maior parte apresentados desta maneira, em jornais como a Revolução de Setembro. Também Herculano e Garrett publicaram as suas obras narrativas em folhetim nas revistas literárias como Panorama.

{bibliografia}

J. A. Epple, “Notas sobre la estructura del folhetín”, in Cuadernos Hispanoamericanos, 358, 1980; J. Marco et al., “El folletín por entregas y el serial: Mesa redonda”, in Análisi, 9 1984; R. W. Stednau, The Serials. Suspense and drama by Installment, 2. ed., 1977.