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Forma poética digital criada por utilizadores do Instagram. Em virtude da criação desta rede social e a crescente popularização, quer desta plataforma, quer da forma poética, este fenómeno literário tem vindo a provar o seu contínuo desenvolvimento. Alguns poetas, ou instapoets, incluem Rupi Kaur, Lang Leav, Tyler Knott Gregson, Warsan Shire e Amanda Lovelace.

Uma vez desenvolvida tendo em consideração as caraterísticas desta rede social, a instapoetry apresenta um conjunto de traços que espelham essas mesmas: uma a duas estrofes de curta extensão; adoção do verso livre e de um vocabulário comum e claro; uso de letras minúsculas e fontes que se assemelham a aquelas utilizadas em máquinas de escrever; omissão de pontuação; uso de um fundo de cor sólida acompanhado por ilustrações temáticas lineares e minimalistas. Desta forma, os poemas são como que emoldurados pelo delimite quadrangular da publicação, acentuando o seu apelo visual que visa captar a atenção do leitor e que o dá a conhecer instantaneamente, até certa medida, os temas abordados pelos mesmos. Consequentemente, estes permitem que o leitor faça uma leitura rápida e de clara compreensão, por vezes num só deslizar do dedo pelo ecrã, e que os partilhe com outros utilizadores do Instagram ou inclusive de outras redes sociais.

Dada a possibilidade de ser facilmente compartilhada nas principais redes sociais que são utilizadas diariamente por milhões de utilizadores, a instapoetry é uma oportunidade para os poetas publicarem os seus poemas de forma mais casual, divulgarem-nos junto de um vasto público de leitores e potencialmente atraírem editoras interessadas nas suas obras e projetos. De facto, a instapoetry tem atraído cada vez mais leitores, sobretudo oriundos de faixas etárias mais jovens. Para além deste sucesso ter origem na sua presença digital e no seu uso de linguagem comum e clara, acresce-se o facto de que vários poetas são oriundos de diferentes comunidades étnicas, abordando temas contemporâneos como a emigração e a discriminação racial e de género. Estes e outros temas como o amor, o corpo feminino, a autoajuda e o desenvolvimento pessoal, criam uma sensação de proximidade, partilha e ligação entre os leitores e com os próprios poetas. Sendo publicados numa rede social, os primeiros têm a oportunidade de debater através da secção de comentários e contactar diretamente com os últimos via mensagem privada. Acessível e diversificada, a instapoetry têm vindo a renovar o interesse pela poesia. Em 2018, o Reino Unido registou um recorde de vendas de livros pertencentes a este género, sendo Rupi Kaur uma das líderes de bestsellers com a obra Milk and Honey. É de salientar que, embora a génese seja inteiramente digital, são vários os poetas que publicaram obras em formato impresso tradicional, preservando, não obstante, os seus traços e qualidades digitais.

Contudo, a repetibilidade dos elementos que surgem em diversos poemas levam vários a denegrir esta forma poética como monótona, superficial e de menor qualidade literária ou até desprovida desta. Por conseguinte, os instapoems são frequentemente comparados a frases inspiracionais e motivacionais. Paralelamente ao seu crescimento e popularidade, a Instapoetry tem vindo a desenvolver um novo debate sobre o propósito da poesia e a da crítica literária numa era digital.

 

Bibliografia

 

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