Select Page

É a disciplina linguística que se ocupa do estudo do léxico, nas suas diferentes estruturas. Se preferirmos, a lexicologia estuda todos os aspectos relacionados com as unidades de primeira articulação, ou seja, as unidades dotadas de duas faces, significante e significado.

Devemos distinguir a lexicologia da lexicografia, disciplina que se ocupa da feitura de dicionários. Os contributos da lexicologia são, não obstante, de grande interesse para a lexicografia, e esta pode ser entendida como um ramo da lexicologia aplicada. A lexicologia tem por objectivo estudar a morfologia e a semântica lexicais, segundo Ullmann (1967.

Tendo em conta que o léxico é o nível linguístico que mais facilmente emerge na consciência dos locutores, dado estar directamente relacionado com a significação e como tal, com o mundo em que vivemos, constatamos que amiúde os métodos da lexicologia têm sido inspirados por outras disciplinas que não a linguística, como a psicologia, a filosofia, a lógica, a sociologia, etc. Consideramos, apesar de tudo, que a lexicologia pode e deve fazer uma investigação tão isenta de subjectividade quanto possível, tal como se tem feito noutros domínios, como no da fonologia, por exemplo.

A lexicologia, enquanto ciência do léxico, estuda as relações deste com os outros sistemas da língua, mas sobretudo a relações internas do próprio léxico. A lexicologia abrange domínios como a formação de palavras, a etimologia, a criação e importação de palavras, a estatística lexical, e relaciona-se necessariamente com a fonologia, a morfologia, a sintaxe e em particular com a semântica. Neste âmbito, as relações semânticas de sinonímia, antonímia, hiponímia, hiperonímia interessam à lexicologia.

Os estudos de lexicologia começam a ganhar estatuto de maioridade a partir dos anos 50, marcados por obras como a de G. Matoré, (La méthode en Lexicologie), pelo congresso de 1957, realizado em Estrasburgo (Lexicologie et lexicographie françaises et romanes, 1960) e o início da publicação dos Cahiers de lexicologie, dirigidos por B. Quemada.

{bibliografia}

Carvalho, Herculano de, 1984, Teoria da Linguagem, Coimbra, Coimbra editora, 2 vol.; Coseriu, E., 1979, “A perspectiva funcional do léxico”, in AAVV, Problemas da Lexicologia e Lexicografia, Porto, Livraria Civilização-Editora; Galisson, R. e Coste, D., 1983, Dicionário de Didáctica das Línguas, Coimbra, Livraria Almedina; Geckeler, Horst, et al., 1981, Logos Semantikos : studia Linguistica in Honorem Eugenio Coseriu, 5 vol., Berlin/ Madrid, de Gruyter/Gredos; Le Guern, 1972, M., Semântica da metáfora e da metonímia, Porto, Telos, Lyons, J., 1969, Introduction to Theoretical Linguistics, Cambridge, CUP; Lüdtke, Helmut, 1974, Historia del Léxico Románico, Madrid, Gredos ; Martinet, A. (dir.), s/d, Conceitos Fundamentais da Linguística, Lisboa, Editorial Presença; Nascimento, F. et all. 1984, Português Fundamental, 3 vol., Lisboa, INIC-CLUL, Saussure, F. , 1986, Curso de Linguística Geral, Lisboa, Dom Quixote, ; Ullmann, S., 1977, Semântica – Uma introdução à ciência do significado, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian; Vilela, Mário, 1994, Estudos de Lexicologia do Português, Coimbra, Almedina; idem, 1995, Léxico e Gramática, Coimbra, Almedina; Wartburg, W., 1946, Problèmes et méthodes de la linguistique, Paris, PUF. R. R. K. Hartmann e Gregory James: Dictionary of Lexicography (1998)