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Suporte material de um texto que recebeu a escrita por mais do que uma vez. Se bem que houvesse este hábito de reaproveitamento do suporte já na Antiguidade (o palimpsesto começou por ser um papiro corrigido), foi sobretudo na Idade Média, nos séculos VII a IX, com a escassez e o custo elevado do pergaminho, que se passaram a raspar as letras já escritas na pele e não mais desejadas, ou a eliminar toda a tinta por meio de um complexo método de lavagem que envolvia leite, esponja, farinha ou cal e pedra pomes. Entre as causas que motivavam a eliminação de um texto de forma a reutilizar o seu suporte contam-se a falta de pertinência do conteúdo, a ininteligibilidade da língua ou da grafia em que estava escrito, a progressiva deterioração do suporte e a existência de uma cópia equivalente. No Renascimento, com o culto do mundo Antigo, e depois no século XVII, com o nascimento dos estudos paleográficos, começaram a desenvolver-se procedimentos para reavivar no palimpsesto o texto desaparecido (scriptio inferior). Os procedimentos começaram por ser químicos, mas revelaram-se destrutivos para a materialidade do suporte, pelo que deram lugar, hoje em dia, aos procedimentos ópticos.

{bibliografia}

Elisa Ruiz: Manual de Codicología (1988)