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A perífrase ou circunlóquio é uma figura de estilo compósita de amplificação que consiste na substituição de uma palavra ou conceito curto por uma expressão analítica, longa e indirecta com o mesmo significado. A construção perifrástica visa, assim, a intensificação da diversidade e complexidade compósita da realidade.

As razões que motivam o uso da perífrase são de vária ordem: de facto, o circunlóquio pode evitar a repetição de palavras dando maior variedade e grandiloquência ao estilo mediante, por exemplo, a aplicação da antonomásia; pode também amenizar o efeito de uma determinada realidade através do recurso ao eufemismo; pode, por outro lado, atribuir certos matizes a uma determinada explicação abstracta do inefável utilizando, por exemplo, a alusão e/ ou a hipérbole; pode ainda aproximar-se da descrição uma vez que a perífrase constitui-se, por vezes, pela definição da palavra omitida.

O recurso à perífrase enquanto táctica discursiva que alonga determinadas opções textuais está ilustrada num dos tercetos do soneto de Manuel Maria Barbosa du Bocage “Eu me ausento de ti, meu pátrio Sado”: “Devo enfim manejar a lei da sorte,/Cajados não, mortíferos alfages/ Nos campos do colérico Mavorte.” (ou seja, Bocage utilizou uma expressão longa que apela ao campo de batalha de uma entidade mitológica para se referir à guerra, conseguindo desta forma acrescentar valor estilístico à composição poética).