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Período que se estende ao longo do séc. XVIII, com predomínio para a segunda metade, que representa uma atitude de reacção contra o estafado classicismo que havia séculos dominava o gosto literário. Trata-se de um movimento de excessos, em que se procuravam os extremos opostos à literatura considerada de bom gosto e que seguia o “decorum”: o esplendor do dia é substituído pelo negrume da noite, a natureza calma e “arrumada” passa a ser invernal e tempestuosa, as manifestações de alegria transformavam-se em exclamações de dor. Durante este período coexistiam os dois movimentos, mas o Pré-Romantismo foi-se afirmando cada vez mais. O período que se seguiu, o Romantismo, representou nos países de origem, a Inglaterra e a Alemanha, uma situação de equilíbrio, em que os sentimentos não estavam tão desatinados, e os excessos, sobretudo no que se referia à poesia tumular e ao romance gótico, foram de algum modo controlados.

Um outro aspecto importante do Pré-Romantismo tem a ver com o aproximar do passado histórico e da literatura tradicional, apresentados como mais puros, na sequência do afastamento da sociedade corrupta e do regresso à Natureza pura que Rouseau preconizava. Estas tendências deram lugar aos “antiquários”, interessados por tudo o que era antigo, com que se iniciaram coleccções e museus e se valorizou sobretudo a arquitectura medieval, e também à compilação de lendas, contos e baladas antigas, que o Romantismo viria a continuar de forma mais rigorosa.

É controversa a aceitação de Pré-Romantismo e Romantismo como dois períodos diferentes. Todavia, a co-existência de elementos classicistas e (pré)-românticos e os exageros que o Romantismo serenou, além da assumpção por parte dos românticos de algumas tendências ideológicas marcam, nos países referidos, uma distinção entre duas épocas.

{bibliografia}

A. Hoog: L’Âme Préromantique et les Instincts de Mort (1948); Ch. Dédéyan: La Notion de Poesie dans le Préromanstime Européen (1951); Paul Van Tieghen: Le Sentiment de la Nature dans le Préromantisme Européen (1960), Le Romantisme de la Literature Européenne (1948 e 1969).