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Romance que se desenvolveu nos finais do século XVIII, a partir da figura do salteador que aparecia episodicamente no romance gótico e mais genericamente “negro”, assaltando os viajantes indefesos que atravessavam florestas ou procuravam descanso em velhos edifícios arruinados, um pouco por toda a parte, mas sobretudo em regiões como a Calábria, que ficou tradicional e insoluvelmente ligada a este tipo de figuras. Como género, recebeu na Alemanha a classificação de Räuberroman.

Ao centrar-se no salteador, encarando-o como Schiller fizera na tragédia Die Räuber, 1781, o romance transformou-o numa personagem maldita, à maneira do poeta romântico. Vítima da sociedade que o maltratou, foi obrigado a organizar a sua vida à margem da lei, mas mantém um código de honra que o sublima, levando-o, na prática, a perseguir os maus para ajudar os bons. No imaginário português, o José do Telhado foi visto como símbolo destes “heróis”, sobretudo por influência do modo como Camilo o apresentou em Memórias do Cárcere, 1862.

Não muito frequente na literatura portuguesa, o romance de salteadores tem um exemplo paradigmático: Paulo, o Montanhês, de Arnaldo Gama, 1853.

Outros casos de organizações maléficas, como as que encontramos em A Estrela Brilhante, de Eduardo da Faria, 1845, e As Tragédias de Lisboa, de Francisco Leite Bastos, 1878 , apresentam figuras negativas, que não podem confundir-se com as já referidas.

{bibliografia}

Maria de Fátima Marinho: “A figura do bandido no Romantismo” in Intercambio, nº 4 (1993); Martin Prinz: Der Räuberroman (2002); Robert Walser: Der Räuber roman (1986)