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Versão externa do romance de sensibilidade, em que se procura despertar terror. O termo “gótico” tem a ver com o cenário, um castelo ou outro edifício imponente que pudesse considerar-se medieval, de que “gótico” era sinónimo no século XVIII. A arquitectura tinha que ser complicada, com elementos como masmorras, portas falsas, em caracol, torres de aspecto ameaçador, onde se desenrolavam histórias violentas de sequestros, torturas, vinganças, como se imaginava que podiam ter acontecido na época bárbara que a Idade Média era considerada.

Também a época em breve deixou de ser antiga, mantendo dela apenas o cenário: castelos, torres ou conventos arruinados, por onde passavam heróis, heroínas e vilões dos tempos modernos, incluindo fabricantes de moeda falsa.

O Género foi criado por Horace Walpole em 1764, com The Castle of Otranto: A Gothic Story. Para além dos traços já referidos, incluiu o sobrenatural, algo que aumentava as possibilidades de criar terror. mas este elemento, embora não tivesse desaparecido completamente, cedo tomou outra forma, mais compatível com a época racionalista que era a dos autores e dos leitores (em grande número autoras e leitoras): o chamado “sobrenatural explicado”, que consistia na apresentação de cenas arrepiantes que se vinha a demonstrar terem causa naturais, trabalhadas de modo a parecerem sobrenaturais.

A grande novidade do romance gótico foi a importância dada ao edifício, à casa onde a acção tinha lugar. Ocupada por várias gerações, acabava por absorver o próprio curso dos tempos, transformando-se quase que num organismo vivo. Sem que esta visão da casa tenha desaparecido ainda nos nossos dias, há todavia que destacar alguns grandes romances do séc. XIX que a trataram, como Wuthering Heights, de Emily Brontë, 1847, Jane Eyre, de Charlotte Brontë, 1847, The Fall of the House of Usher, de Edgar Poe, 1839 e The House of the Seven Gables, de Nathaniel Hawthorne, 1851.

O romance gótico teve inúmeras variantes, mantendo-se algo da sua estrutura em géneros como o romance policial e a ficção científica. Para abarcar toda a sua evolução, adoptou-se a designação “negro”, de origem francesa.

{bibliografia}

David Punter: The Literature of Terror: A History of Gothic Fiction (1996); Devendra P. Varma: The Gothic Flame (1957); Edith Birkhead: The Tale of Terror: A Study of Gothic Romance (1921); E. J. Clery: The Rise of Supernatural Fiction 1762-1800 (1999); Elizabeth MacAndrew: The Gothic Tradition in Fiction (1979); Glen Cavalieri: The Supernatural and English Fiction (1995); Kate Ferguson Ellis: The Contested Castle: Gothic Novels and the Subversion of Domestic Ideology (1989); M. Leonor Machado de Sousa: A Literatura “Negra” ou “de Terror” em Portugal (sécs. XVIII e XIX) (1978); Michael Gamer: Romanticism and the Gothic: Genre, Reception, and Canon Formation (2000); Noël: The Philosophy of Horror, or Paradoxes of the Heart (1990); Valdine Clemens: The Return of the Repressed: Gothic Horror from ‘The Castle of Otranto’ to ‘Alien’ (1999).

http://www.litgothic.com/index_fl.html

http://www.virtualsalt.com/gothic.htm

http://cai.ucdavis.edu/waters-sites/gothicnovel/155breport.html