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Ou Schicksalsdrama (Drama de Destino), tragédia de grande pendor fatalista, pode ser considerada um sub-género dramático, inserida num contexto claramente romântico alemão, mas influenciada pelas tragédias clássicas. É pautada sobretudo por uma sucessão de acontecimentos monstruosos e fatais que se precipitam amiúde num só dia ou através de uma única arma, dizimando famílias inteiras, geralmente como punição por um crime hediondo já passado. Estes crimes e acontecimentos fatais incluem realidades tão horríveis como o parricídio ou o incesto.

Este tipo de tragédia é considerada por muitos críticos como tendo sido uma moda literária de relativa curta duração. Contudo, as suas raízes remontam às tragédias clássicas, e as suas influências são notórias em autores que já não se inscrevem neste movimento, mas que foram buscar algumas temáticas a este tipo de tragédia, como um dos precursores do Expressionismo alemão, Georg Büchner, que, na sua obra Woyzeck, põe o seu herói nas mãos impiedosas de um destino que o conduz ao suicídio. Hoje, este termo é ainda aplicado, embora de forma mais lata, a peças teatrais, e até filmes que contêm uma grande carga fatalista e de sofrimento atroz.

É consensual dizer-se que esta moda teatral tem como paradigma a obra de Zacharias Werner Vinte e Quatro de Fevereiro (Der vierundzwanzigste Februar), de 1809, que nos remete já para a fatalidade de um só dia. Werner é claramente influenciado pela obra de Schiler A Noiva de Messina (Die Braut von Messina) e podemos estabelecer alguns paralelos com a tragédia clássica Édipo Rei. Podem ser considerados seguidores desta moda os autores A. Müllner e Grillparzers, com a sua obra A Antepassada (Die Ahnfrau), de 1817.

Formalmente, a grande maioria destas obras são escritas em verso(tal como as tragédias clássicas), mas privilegia-se o verso trocaico, muito utilizado nos círculos românticos. O destino (Fatum), elemento charneira nas tragédias clássicas reveste-se aqui de algumas particularidades. O destino é tido como uma força justiceira e exterminadora, demoníaca, sobrenatural, inevitável e impossível de manipular. Muitas vezes não obedece a uma lógica definida, pelo que as suas acções são muitas vezes desconexas, e, como tal, imprevisíveis. Esta força actua rápida e letalmente, e o conflito entre herói e destino está perdido à partida. O herói nada pode fazer contra esta força que se personifica através de sonhos, oráculos e armas que ganham quase vida própria. A morte afigura-se como a única via. Estes ambientes egotistas, que apelam ao sobrenatural e ao desconhecido, a forças exteriores ao homem, imprevisíveis e demolidoras são temáticas bastante desenvolvidas pelo Romantismo. Assim, podemos dizer que este tipo de tragédia surge da junção entre elementos clássicos e românticos, exacerbando-se as entidades Fatum e Pathos (sofrimento), o que faz com que estas cheguem a um ultra-romantismo ridicularizável. De facto, alguns dramaturgos escreverão peças que parodiam estas tragédias. Por exemplo, Houwald escreve, em 1819, a peça-paródia Ninguém Pode Escapar ao seu Destino (Seinem Schicksal kann niemand entgehen).

{bibliografia}

Henry and Mary Garland, The Oxford Companion to German Literature, (1976).

Paul Merker e Wolfgang Stammler (dir), Reallexicon der Deutschen Literaturgeschichte, (2ª ed., 1977).

Werner Habicht e Wolf-Dieter Lange, Der Literatur-Brockhaus, (1995).